
Imagine se todo contos de fadas fossem escritos por personagens como Hanniball Lecter ou Marilyn Mason, mas quem desse o veredito final sobre a estória fosse o homem de lata após descobrir que o coração dele sempre esteve lá. Essa é uma das definições rápidas sobre esse disco da banda MEW, que leva no título um quase conto completo: NO MORE STORIES ARE TOLD TODAY, I´M SORRY THEY WASHED AWAY. A outra característica que se tem logo de cara é de que se trata de um trabalho maduro e coeso, mas essa explicação minimalista e simplória demais tem uma lógica. A banda está na estrada desde 1997 quando lançou A Triumph for the Man, então é de se esperar que qualquer grupo que já tem 12 anos esteja em um patamar acima da média. Menos o Bon Jovi que continua naquele lugarzinho esquisito preso entre os anos 80 e litros de laquê de cabelo.........
Mas uma das primeiras coisas que você vai notar logo na primeira audição da música de abertura New Terrain, é que escutar o disco será no mínimo diferente ( eu ia dizer mágico, mas você ia achar exagero.....). A música começa ao contrário com bateria desconexa e um som que lembra muito experimentações tribais. Samplers usados como backing vocals dão o tom estapafurdiamente onírico da faixa, que quando tocada ao contrário resulta na audição de uma outra música da banda. A voz doce do vocalista Jonas Bjerre parece fazer com que exista uma imerção por completo dentro desse oceano de ecos e quando tudo parece virar uma caixa de ressonância aparece uma quebra violenta de bateria fazendo o som voltar ao básico do rock, mas com os ecos dos backings explodindo em átomos por dentro de cada nota, diminuindo cada vez mais até terminar em um orgão eclesiástico. E isso apenas na primeira música........a partir daí você já sabe que está numa viagem sem volta para dentro de um caleidoscópio itinerante.
Introducing Palace Players não faz você mudar de idéia. As batidas quebradas e o riff de guitarra tocado a exautão perfeita na introdução, ajudados por uma quebra de um fundo de percussão é como se você estivesse sendo preparado para um gancho de Ali. E quando a música engata você sente seu queixo despedaçar em múltiplos números primos. E é nessa ambientação que reside uma das qualidades da banda, pela forma precisa que os caras conseguem imprimir em cada nota mesmo viajando por entre um mar de sonhos. Essa faixa é exemplo cabal que existe sim muita vida inteligente entre os reptilianos do rock.
Introducing Palace Players
Beach tem uma levada mais calma, como se a banda estivesse querendo que você recuperasse o ar que lhe foi roubado pelas duas primeiras faixas. Os vocais vão te levar por entre pradarias e ventos vindos do norte, e em muitas vezes te farão lembrar do pop de boa qualidade que existia em algumas bandas dos anos 90. Mas como nada é feito apenas para fácil deglutição nesse disco a balada se transforma em passagens virtuosas.
Repeater Beater começa com uma serra elétrica nos riffs e depois disso você é teletransportado dez anos à frente do seu tempo. O ritmo de single imediato disfarça a grandeza épica dessa faixa toda pautada por uma urgência dançante psicodélica, aonde todas as notas te farão no mínimo balançar todos seus pés. Tem um baixo marcado demais, fechando uma cozinha poderosa em diálogos precisos com a bateria e é nesse momento que você vira levemente a sua cabeça para o lado direito, franze levemente sua sombrancelha e diz: meu....essa banda é boa mesmo!!!!!!
Intermezzo 1 é apenas uma linha tênue barroca que separa esse primeiro terço do disco dos demais. 29 segundos de recuperação para o segundo capítulo.
Aliás esse disco na verdade parece muito mais um livro, por ser dividido em capítulos que muitas vezes contarão histórias diferentes dependendo do dia em que você ler as músicas e de como você as vê. E isso fica claro em todo lirismo da faixa seguinte Sillas The Magic Car. O ritmo lento e quase dormido dessa faixa que muitas vezes parece uma balada de amor, mas com pitadas de neurose extrema vão te lembrar de água batendo em seus calcanhares numa tarde de verão. O carro te levou e você nem ao menos anotou a placa.
O segundo ato desse pedaço do disco é Cartoons And Macreme Wounds, uma balada ainda mais neurótica que Sillas. O modo autista de repetição das frases é quase como uma viagem de ácido por entre aponeuroses, que desembocam em um rio por onde provavelmente o submarino amarelo já passou. O tom de voz beirando à Neil Young passa uma calma durante todos os sete minutos da música, que é um belo poema pintado por notas encaixadas milimetricamente que saem da guitarra de Bo Madesen. E os loopings de vozes que culminam com o ápice da canção apenas a tornam mais assustadoramente bela. Som de quem escreve música em um grau muito maior que apenas estrofe e refrão. Com certeza Johnny Ramone não aprovaria nem a metade dela, mas nem só de gabba gabba hey vive o homem........fim do segundo ato.
A Dream é o outro intervalo desse disco. Apenas notas bem tocadas por um minuto e quarenta e sete segundos, e não precisa de mais nada..........
O ato seguinte desse disco começa com Hawaii, com um pé nas ondas da ilha mesmo, mas com uma psicodelia poderosa. As experimentações estão em alta escala na sessão de percussão dessa canção. Xilofones falantes, orgãos que se movem sozinhos e guitarras ambientes permeados por uma letra suave, mas com um refrão disforme que tem os dois pés dentro do rock alternativo.
Vaccine fala sobre cura espiritual, mas dentro de uma canção pop com um QI bem acima da média. Tem vocação de pista de dança mas para ser tocada em qualquer época, com a pegada da bateria martelando a pele dos tambores e um piano que faria Brandon Flowers nunca mais tentar colocar as mãos nas teclas. O tom sombrio do refrão assimétrico é apenas a ponta desse iceberg de lava. O clima eletrônico de Tricks é a continuação natural da canção anterior e faz com que você tenha várias escolhas no quesito como curtir um som. Você pode bater palmas e dançar escondido dos seus vizinhos do oitavo andar se seguir a linha dos sintetizadores, como também pode apenas fechar os olhos e deixar que as experimentações colocadas pela banda juntando guitarra, pianos, bites e binários. A sensação é de estar voando por entre cogumelos aéreos sem o cinto de segurança preso no seu corpo, inebriante......
Intermezzo está separando as duas últimas faixas desse disco e é apenas isso que ela faz, outra faixa com propósito específico. Isso faz com que ela se torne alvo de fácil esquecimento, mas ela está aí para isso mesmo.
O que começa como apenas uma baladinha de amor romântico com um piano em Sometimes Life Ain´t Easy, desemboca dentro de um revolto ritmo que mistura saxofes jazzísticos, distorções e falsetes que por muitas vezes te levam à vertigens completas com direito a rodopios de olhos vendados. E mais uma vez o Mew te leva pra o seu fantástico mundo das experimentações, aonde a música passa de balada para o jazz retornando por um caminho completamente diferente regado a cursos pop, fechando o ciclo com coros de vozes angelicais e um orgão tenebrosamente sacro. A letra fala sobre vida difícil e é um turbilhão mesmo, mas com a calmaria de qualquer resolução depois de uma dessas encruzilhadas pelas quais todos passamos.
Sometimes Life Ain´t Easy
Repeater Beater começa com uma serra elétrica nos riffs e depois disso você é teletransportado dez anos à frente do seu tempo. O ritmo de single imediato disfarça a grandeza épica dessa faixa toda pautada por uma urgência dançante psicodélica, aonde todas as notas te farão no mínimo balançar todos seus pés. Tem um baixo marcado demais, fechando uma cozinha poderosa em diálogos precisos com a bateria e é nesse momento que você vira levemente a sua cabeça para o lado direito, franze levemente sua sombrancelha e diz: meu....essa banda é boa mesmo!!!!!!
Intermezzo 1 é apenas uma linha tênue barroca que separa esse primeiro terço do disco dos demais. 29 segundos de recuperação para o segundo capítulo.
Aliás esse disco na verdade parece muito mais um livro, por ser dividido em capítulos que muitas vezes contarão histórias diferentes dependendo do dia em que você ler as músicas e de como você as vê. E isso fica claro em todo lirismo da faixa seguinte Sillas The Magic Car. O ritmo lento e quase dormido dessa faixa que muitas vezes parece uma balada de amor, mas com pitadas de neurose extrema vão te lembrar de água batendo em seus calcanhares numa tarde de verão. O carro te levou e você nem ao menos anotou a placa.
O segundo ato desse pedaço do disco é Cartoons And Macreme Wounds, uma balada ainda mais neurótica que Sillas. O modo autista de repetição das frases é quase como uma viagem de ácido por entre aponeuroses, que desembocam em um rio por onde provavelmente o submarino amarelo já passou. O tom de voz beirando à Neil Young passa uma calma durante todos os sete minutos da música, que é um belo poema pintado por notas encaixadas milimetricamente que saem da guitarra de Bo Madesen. E os loopings de vozes que culminam com o ápice da canção apenas a tornam mais assustadoramente bela. Som de quem escreve música em um grau muito maior que apenas estrofe e refrão. Com certeza Johnny Ramone não aprovaria nem a metade dela, mas nem só de gabba gabba hey vive o homem........fim do segundo ato.
A Dream é o outro intervalo desse disco. Apenas notas bem tocadas por um minuto e quarenta e sete segundos, e não precisa de mais nada..........
O ato seguinte desse disco começa com Hawaii, com um pé nas ondas da ilha mesmo, mas com uma psicodelia poderosa. As experimentações estão em alta escala na sessão de percussão dessa canção. Xilofones falantes, orgãos que se movem sozinhos e guitarras ambientes permeados por uma letra suave, mas com um refrão disforme que tem os dois pés dentro do rock alternativo.
Vaccine fala sobre cura espiritual, mas dentro de uma canção pop com um QI bem acima da média. Tem vocação de pista de dança mas para ser tocada em qualquer época, com a pegada da bateria martelando a pele dos tambores e um piano que faria Brandon Flowers nunca mais tentar colocar as mãos nas teclas. O tom sombrio do refrão assimétrico é apenas a ponta desse iceberg de lava. O clima eletrônico de Tricks é a continuação natural da canção anterior e faz com que você tenha várias escolhas no quesito como curtir um som. Você pode bater palmas e dançar escondido dos seus vizinhos do oitavo andar se seguir a linha dos sintetizadores, como também pode apenas fechar os olhos e deixar que as experimentações colocadas pela banda juntando guitarra, pianos, bites e binários. A sensação é de estar voando por entre cogumelos aéreos sem o cinto de segurança preso no seu corpo, inebriante......
Intermezzo está separando as duas últimas faixas desse disco e é apenas isso que ela faz, outra faixa com propósito específico. Isso faz com que ela se torne alvo de fácil esquecimento, mas ela está aí para isso mesmo.
O que começa como apenas uma baladinha de amor romântico com um piano em Sometimes Life Ain´t Easy, desemboca dentro de um revolto ritmo que mistura saxofes jazzísticos, distorções e falsetes que por muitas vezes te levam à vertigens completas com direito a rodopios de olhos vendados. E mais uma vez o Mew te leva pra o seu fantástico mundo das experimentações, aonde a música passa de balada para o jazz retornando por um caminho completamente diferente regado a cursos pop, fechando o ciclo com coros de vozes angelicais e um orgão tenebrosamente sacro. A letra fala sobre vida difícil e é um turbilhão mesmo, mas com a calmaria de qualquer resolução depois de uma dessas encruzilhadas pelas quais todos passamos.
Sometimes Life Ain´t Easy
Reprise é o último petardo psicodélico assimétrico do disco, terminando um tons de azul fúcsia. Climas densos com entrecantos de calma calamitosa, mas com uma simplicidade tão grande quanto aos arranjos que podem causar marejamento ocular nos mais sensíveis. Termina dentro de uma nuvem inebriante de calmaria, aonde você pode descansar respirando mais fundo.
Uma coisa você pode ter certeza quanto à essa bolacha do Mew, ela não é apenas um disco. É um completo livro escrito com seis mãos que provavelmente irão te levar à lugares aonde você vai querer morar por muito tempo, cercados de pradarias e ventos do norte que batem aleatoriamente no seu rosto mostrando que sim você está vivo.................
Uma coisa você pode ter certeza quanto à essa bolacha do Mew, ela não é apenas um disco. É um completo livro escrito com seis mãos que provavelmente irão te levar à lugares aonde você vai querer morar por muito tempo, cercados de pradarias e ventos do norte que batem aleatoriamente no seu rosto mostrando que sim você está vivo.................