1 de setembro de 2009

GD 04....O LADO B DO LADO B.....


Algumas bandas por mais conhecidas que acabem se tornando ainda mantém uma centelha acesa durante toda a carreira. Esse pré-piromaniaquismo muitas vezes é uma faceta rebelde, outras uma delicada ligação entre as notas que saem dos instrumentos e os vocais docemente sombrios de um depressivo vocalista. Não interessa aonde começa o fogo, o importante é, como Nero dizia ver o circo arder em chamas de preferência com os palhaços dentro (não sei se é essa a frase exata de Nero, mas sim os palhaços são reptilianos que me assustam........).
E essa banda em questão, o THE BOXER REBELLION tem uma insandecida centelha que desde 2003 parece não querer apagar. Numa volta rápida no tempo o vocalista Nathan Nicholson um americano andando por Londres na época cruzou o caminho do guitarrista Todd Howe, com a adição de Adam Harrison no baixo e Piers Hewitt na bateria estava formada a banda que no mesmo ano gravou seu EP de estréia que levava o mesmo nome da banda. Após o lançamento a banda foi colocada como queridinha da crítica e nesse embalo dois anos depois em 2005 saia EXITS, aclamado pela NME como o disco que salvaria a sua vida. Pronto estava então armado o fogareiro em cima da banda. Mas o que não era esperado nesse caminho era o fechamento da gravadora da banda, a Poptones o que fez com que toda a campanha de lançamento da banda fosse pelo ralo, levando os integrantes inclusive a trabalhar cartesianamente. Mas você se lembra que certas bandas ainda guardam aquela tal centelha.........
Por quatro anos os caras sumiram do mapa, guardaram experiências e continuaram de uma maneira ou de outra ainda escrevendo música, para que em 2009 o segundo álbum da banda UNION pudesse nascer. Lançado primeiramente no Japão e agora nesse dia 14 de setembro oficialmente no Reino Unido, esse álbum te dá a impressão realmente de renascimento mesmo em momentos em que a grandiosidade poderia ser um pouco menor. Mas Schoupenhauer não concordaria com isso...........
O início tamborizante tribal de FLASHING RED LIGHTS MEANS GO, esconde uma leveza de melodia que relembra os grandes momentos do Killers, mas com uma infusão de guitarras muito mais flaming lipianas. A voz marcate de Nathan aumenta ainda a sensação de leveza, mostrando que o rock pode sim ser feito de nuvens. Já valeria o ingresso se fosse a única música boa do disco, mas tem mais........
MOVE ON, dá uma acelerada nas coisas, mas pedindo para você colocar os cintos. Novamente uma bateria quebrada com riffs batidos ascendentes e descendentes. O baixo leva a música para um aumento de tempos singelos, mas nem por isso gratuitos. Transporte direto para algum filme em preto e branco aonde as pessoas estão todas sorrindo em desespero, como se o show de Truman fosse realmente in loco. Detalhe importante é o clima de renascimento que permeia essas duas faixas, como se os integrantes do Travis estivessem todos em uma viagem de ácido sem volta. EVACUATE é um pouco mais rápida e os riffs de guitarra vão te lembrar novamente Killers, mas isso se você apenas prestar atenção na superfície. A influência direta aí é o Joy Division, mais precisamente nas letras e no ritmo da canção. A música é boa para bater seu pé com força no chão da sala, com um refrão que tranquilamente grudará na sua cabeça. Pop rock com telencéfalo é isso aí.......







SOVIETS é uma música cheia de paradoxos. Primeiro por que pelo título você vai achar que ela será épica e cheia de trejeitos maquinados, mas na verdade esses russos usam botas. Tem uma levada country impecável devido ao violão e com a quebradeira da bateria (será que esse cara não é capaz de tocar como o Ringo?????? Desculpa, mas como o Ringo não existe!!!!) , faz com que ela se torne um monstro que vai te consumindo aos poucos. Falsetes e notas atemporais te levam novamente à lugares inabitados. SPITTING FIRE é um pouco menos quebrada e tem um andamento mais parecido com as coisas normais, se é que existe alguma coisa normal. Mas é bela na medida certa com um que de trilha sonora de filme de adolescente nerd, mas os riffs de guitarra tiram ela da mesmice e a faixa se torna uma bela balada. John Hugdes aonde quer que esteja nesse momento está pensando em usar essa canção no seu próximo filme.
MISPLACED com seus longos seis minutos e dez mostra talvez o único erro desse disco, de ser em certos momentos calmo demais. Uma vez eu comentava sobre escrever com uma amiga e disse que não dava pra escrever como Sthephen King, aí ela me responde que não dá mesmo porque King só tem um. Nesse caso fazer coisas na linha do Dead Cab For Cutie também não dá muito certo, porque DCFC também é único, mas isso não tira a beleza dessa faixa permeada de falsetes bem colocados.
THE GOSPEL OF GORO ADACHI tem uma ambientação de planetário e se você for procurar quem é o tal de Goro Adachi, você vai encontrar referências à um esquiador japonês (que aliás pelo nome da banda pode ser a citação, mas eu volto a falar sobre isso lá no fim....) ou à um site sobre astronomia. Julgando os climas criados pelos sintetizadores e teclados nessa faixa pode até ser que as duas referências sejam válidas, você pode escutar aqui e tirar as suas conclusões....







Depois desse clima de teletransporte as coisas dão uma aceleradinha com THESE WALLS ARE THIN, aonde guitarras e violões dão o clima meio Coldplay, o que pode fazer com que você queira mudar de faixa, mas a audição atenta revela que a banda de Chris Martin serviu apenas de inspiração para o Boxer. A música tem um clima mais lisérgico e é curta o que não deixa a sensação de mera cópia. FORCES é sem dúvida a música mais pesada desse disco todo. E é quando a banda deixa claro a influência de bandas da Factory nos anos 80 que ela faz bem a tarefa de casa, com um clima dançante soturno que é sempre bem vindo nesse fim de inverno aonde o sol começa a queimar por demais a pele branca das pessoas. Uma nota especial para a guitarra épica dessa faixa.
SEMI-AUTOMATIC diminui um pouco o ritmo (o que nessa altura do disco já não é mais novidade) , para falar de confusões mentais em uma levada interpolniana. Mais uma vez o baixo deixa claro quem é que manda nessa cozinha e a bateria vai atrás quebrando todas passagens e dando um peso especial nessa inicialmente balada que se transforma de repente. O final com a bela SILENT MOVIE mostra que o The Boxer Rebellion poderia ter demorado menos para aparecer. Claro que o disco poderia ter a força do nome da banda, afinal de contas Boxer Rebellion também é o nome de uma conhecida batalha que ocorreu na China entre 1898 e 1901, aonde a luta foi contra o avanço do imperialismo e as altas taxas de impostos (sem falar do cristianismo.....). Mas isso não é uma coisa que vá depor contra a bela bolacha do Boxer Rebellion. Não vai mudar a sua vida como a NME prometeu em 2003, mas vai servir para momentos mais que agradáveis em frente do som da sua casa.....