2 de dezembro de 2009

Hoje depois de uma semana tumultuada no quesito política voz, voltamos a falar sobre aquilo que realmente interessa, que são notas fantasmagóricas e ressonantes.
Mas antes......
Hoje aqui em Sampham City tem um pequeno show, para talvez fechar o ano com molho de chaves de ouro. A banda em questão é velha conhecida aqui do GD e está entre as mais bacanas desse ano:



O show começa de acordo com o Clash Club às nove hores da noite. Aqui no GD estamos na espera de duas coisas:
a) um ingresso
b) uma câmera decente ( a minha ainda teima em não chegar!!!!!).
Enquanto isso, depois da segunda esquina da rua de tijolos dourados............

Duetos de música pop invariavelmente são sempre boas surpresas. Talvez pelo fato de serem apenas duas (ah vá!!!) pessoas e menos conflitos para se lidar. Não dá para realmente saber o porque dessas coisas, mas é sempre sensacional e demasiadamente acachapante quando notas desconexas começam a zunir em seus ouvidos.E que em sua cabeça as coisas acabem sendo colocadas no lugar de maneira educadamente sossegada e vagarosa. O que não quer dizer que você vai ser mantido em um posição de letargia.

E esse dueto de Miami tem uma característica muito boa que nesse fim de ano tem faltado um pouco. Uma capacidade de fazer músicas que mostram um lado assimétrico em forma de notas viscosas. Mesmo porque com um nome como AWESOME NEW REPUBLIC não dava para esperar menos desses caras. Michael John Hancock e Brian Robertson, acompanhados nas turnês pelo baterista Jorge Rubiera lançaram disco esse ano (Hearts) e anteriormente no ano de 2008 soltaram gratuitamente dois EPs ( Rational Geografic Vol 1 e 2). Com um som que lembra muito a praia de bandas como Modest Mouse ou até mesmo Klaxons, esses conterrâneos daquele famoso estúdio de tatuagens mostram que quando se faz da esquisitice uma qualidade, as músicas parecem se encaixar delicadamente por entre seus dentes. Ao colocarmos nossos ouvidos à disposição de algumas músicas da banda, fica claro que estamos dentro de um mundo onde as músicas são todas feitas de líquidos e como característica principal elas percorrem toda a extensão de pele grudando como uma segunda epiderme. Nada é gutural ou pesado, apenas sutilezas levadas à uma potência exageradamente feliz. Você consegue sentir a urgência das letras como também a beleza das melodias no melhor sentido alquimista epidérmico que você pode querer.......
Aqui no Gd você escuta as belas Alley Cat e Dark Water.








Awesome New Republic / Alley Cat








Awesome New Republic / Dark Water


Uma banda que lança um disco aonde todas as músicas tem nomes de passagens bíblicas, imprime a desconfiança de que por um mero acaso você pode estar a beira de uma conversão forçada. Mas quando deixa-se de lado a agnostidade e você passa a acreditar que são apenas canções, então você já pode se considerar uma pessoa de fé.
O som do THE MOUNTAIN GOAT tem esse poder todo de cura pela música. A banda é antigassa (começaram em 1991), e a atual formação vem c
om os seguintes pastores: John Darnielle na voz e guitarra, Peter Hughes no baixo e John Wuster na bateria. Nascidos na Carolina do Norte e colocados na prateleira dos disco de Lo-Fi, a banda não é simplesmente tocadora de sons em rotação menor com calmarias vocais. Apresentam nuances com velocidade de brisa de manhã de domingo de primavera. E não se engane com as letras suaves da banda, existe sim uma raiva contida e ineren
te em cada canção disfarçada pela singeleza das melodias. Com influências claras de Bob Dylan e Neil Young na fase brejeira, a banda mostra que sempre é possível fazer boa música sem ter que se preocupar com o hype atual. Ouvir o novo disco da banda ( The Life Of The World To Come, 2009) é como sentar em uma máquina do tempo e voltar pelo menos uns 35 anos. Pradarias e montanhas com ventos que serenamente cortam as plantações de trigo. Muitas cordas e pianos entrelaçados com marcas profundas de sentimentos em formatos de palavras. Não se engane, esse não é um disco gospel, mas sim uma obra de arte que combina perfeitamente com qualquer manhã de verão sentado em alguma varanda onde você poderá ver toda a sua vida dali para frente.........




Mais tarde, voltarei a escrever sobre discos (coisa que eu tinha deixado de fazer). Mas esses caras aqui embaixo conseguiram tirar-me a letargia......