
Quanto tempo esperar para decidir as atitudes????Existe um momento decisivo em sua vida onde você desiste de procurar o futuro e se concentra em saber o porque de seu passado não encaixar com as provas e evidências????
Qual o tempo do seu tempo e quando você deixa de ser aquela folha de papel em cima da mesa e passa a ser um ser pensante e humano.......
Não sei se é possível determinar essas grandezas físicas, mas uma coisa é certa: a vida que se forma ao nosso redor importa tanto quanto a nossa.
Essas suposições filosóficas botequeiras ficam evidentes depois de assistir O SEGREDO DE SEUS OLHOS, filme dirigido por Juan José Campanella (que tembém dirigiu O Filho Da Noiva e seriados americanos) que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro. E porque nossos hermanos conseguiram essa façanha antes de nosso país tropical nesses tempos "mudernos", é assunto novamente para todas as mesas cercadas de cigarrros e cerveja. Mas abaixo posso dar minha opinião se você assim permitir, meu persuadido leitor......
A questão nem é aqui discutir sobre a beleza da fotografia maravilhosa, ou ainda o roteiro baseado no romance escrito por Eduardo Sancheri (que também é roteirista, junto com o diretor).Muito menos dizer que toda a maneira de filmar usada é ousada.A cena no estádio do Racing onde em um plano sequencial saímos do céu e paramos ao lado do personagem interpretado por Ricardo Darin, dentro da torcida é simplesmente sensacional. Mesmo sabendo que Brian de Palma já fez isso.Não, esse não é o caso.
Muito menos dizer que a maquiagem é impecável e que os atores são sensacionais. Afinal de contas fazer a transição entre a juventude e velhice com perfeição em todos os trejeitos de um idoso é apenas um detalhe em todas as interpretações, que são de tirar o fôlego.
A linha trêmula entre respeito, medo e amor da dupla de atores Darin e Soledad Villamil, exala erotismo no ar. Muito mais do que Angelina Jolie tocando nos dedos de Denzel Washington em O Colecionador de Ossos.Não , esse não é o caso........
Não é necessário dizer que o roteiro é deslumbrante. As falas, a linha de história perfeita, as mudanças de direção que liberam romance, suspense e comédia em doses sublimes e subliminares. Não vem ao caso admirar todas essas qualidades. Elas são jogadas na sua cara e não precisaria de meio crítico de cinema para se perceber isso. O que conta nesse história contada com maestria é a universalidade da mesma.Poderia acontecer na Europa, Ásia, África, Estados Unidos, Brasil ou na esquina da sua casa. Não importa. O que interessa aqui é o que se busca e o que deseperadamente tenta-se reconquistar. Seja sua vida ou justiça, seu amor ou a sua vingança.
E é aí que o filme se torna memorável. Por causar dentro de seu peito aquela sensação de que se vive dentro da película. Como se você fizesse parte do elenco da A Rosa Púrpura do Cairo ou mesmo do filme o Último Grande Herói, onde o herói, atual governador da Califórnia, salta por entre as filerias do cinema com uma caminhonete possante. Aventura e romance mais uma dose cavalar de catarse........
O SEGREDO DE SEUS OLHOS é um filme espetacular, mesmo com alguma dose de cansaço ao iniciar os trinta minutos finais. O que se compensa completamente pelo final inesperado e acachapante, afinal de contas essa é a uma das melhores reviravoltas dentro da história do cinema. Mas você, tropicalista de alma e carteirinha de identidade, pode querer se revoltar com tamanha puxação de saco em relação à um filme argentino. Mas nós também temos um filme equivalente no sentido da universalidade da história que é o que faz a diferença desse filme.Sim, porque essa é a única diferença entre o filme argentino e os nossos. Diretores, fotógrafos, cenografistas, atores, e etecétara e tal, nós temos e muito e mais ainda, talentosos demais. Fernando Meirelles e Mojica Marins estão aí para provar isso.
DOIS FILHOS DE FRANCISCO.
Sim esse filme sobre uma dupla sertaneja, pela qual eu não tenho apreço nenhum musicalmente e nem vou começar a ter.
Mas esse também não é o caso.......
A história do filme sobre Zezé e Luciano é a história que poderia acontecer em qualquer lugar do mundo. Quem Quer ser Um Milionário também. Ou seja existe uma identificação sobre os personagens e suas vidas. O underdog que se salva da completa miséria de espírito e material e consegue ganhar no final. Um oficial de justiça que busca paz interior. Tudo é do mundo, assim como os sentimentos e emoções, que como mãe só muda de endereço.Concordo em gênero, número e grau com o Daniel Piza, do Estadão e seu artigo sobre o filme.
Mas discordo quando ele diz sobre a falta história nos filmes nacionais. Temos ótimas histórias mesmo quando elas são contadas sempre do mesmo jeito, mas usando gêneros diferentes (e aqui cito os mesmos exemplos de Cidade De Deus, Tropa De Elite e Central do Brasil).
Mas acho que o maior pecado realmente é a universalidade. Não contamos histórias com apelos universais, como por exemplo no filme dos filhos do Sr. Francisco. Temos a tendência de achar necessário sempre uma favela, um personagem que vive dentro do tráfico ou um policial que combata o mesmo.
E o problema é que somos sempre compelidos à comprar isso com vanguarda cultural e a única que faz algo de novo e bom. Esse olhar para o seu próprio umbigo e achando que este é o mais lindo sempre foi a tônica. A música brasileira sempre foi a melhor, os cineastas sempre foram os melhores. Influenciamos o mundo com nosso gingado e malemolência. O Carnaval é vendido como o maior espetáculo da terra, nosso futebol é o melhor do mundo (e é, afinal de contas ganhou mais Copas, mas e o preço que se paga com a desorganização e as falcatruas dos cartolas????).Somos os fodões, os melhores em tudo, mas a população cotinua viciada em crack, escondida por entre escadarias sujas de grandes cidades. Somos os tropicalistas sensoriais que mudaram e influenciaram as cabeças indies e famosas de nossa era. Beck, Julian Lennon e outros. Mas ainda morremos em desabamentos e pela falta de um poder público que atue e não esconda dinheiro na cueca........
Não estou dizendo aqui que o Brasil é o pior país do mundo, muito menos que não temos talento. Isso temos de sobra, afinal de contas morar em uma cidade como São Paulo, Rio ou mesmo no mais deserto sertão sem água, no interior desse grande país, sem talento é impossível. Mas a elite provedora de cultura nesse país precisa parar de achar que é a única que entende alguma coisa sobre universalidade. Ou que apenas uma pessoa é capaz de fazer melhor tudo, porque não funciona assim nos nossos dias de twitter. Essa individualidade megalômaníaca é o que envenena o que seria possível de ser feito aqui.
Não existe vitória sem união, muito menos sem escutar o que as pessoas tem à dizer e conseguem fazer. Não temos apenas um fodão na música, no cinema, atuando ou escrevendo. Temos vários e muitas vezes eles se escondem e nunca são achados, afinal de contas essa elite apenas mostra aquilo que ela acha que é bom. Depois todo mundo reclama que o país é injustiçado no Oscar ou desmerece os prêmios argentinos. Se existissem talvez mais filhos de Francisco, talvez um dia poderíamos reclamar de boca cheia. E nem adianta dizer que a miséria é um assunto universal, porque as metáforas são tão desgastantes e tão indigestas que até se esquece que é sempre o mesmo assunto que se trata.
Não vou torcer para o Messi na Copa, muito menos achar Maradona melhor que Pelé. Mas temos que aprender com nossos hermanos uma lição grande. Saber que nem todos sentem a mesma coisa é saber fazer histórias que façam as pessoas sentirem algo de diferente. E isso o filme argentino consegue com maestria........