Até onde você fugiria da realidade onde todas as relações e percepções de uma família se mostrassem uma farsa bem elaborada. E se no meio dessa fuga por um momento descobrisse que na verdade a sua busca não é por uma saída, mas sim por uma parte sua que os livros teóricos jamais conseguiram registrar. Sua essência mais primitiva.......Ontem assistindo novamente NA NATUREZA SELVAGEM, filme que passou desapercebido dentro dos cinemas, a não ser pelo fato da trilha sonora ter sido feita por Eddie Vedder, acabei demorando para pegar no sono (e isso já as 4:30 da manhã), muito pela reflexão que seguiu a cena final.
Para quem não viu o filme, ele conta a história real de Christopher McCandless, um universitário americano que tirava notas altas, praticava esportes mas decidiu atravessar os EUA de carona em direção ao Alasca sem nenhum dinheiro. O que havia em sua poupança ($24.000) foi doado para caridade. Assim começa uma história que terminará de maneira espantosa......

Dirigido por Sean Pean e estrelado por Emile Hirsch, William Hurt, Vince Vaughn, Catherine Keener e Kristen Stewart, esse teoricamente roadie movie esconde a vocação reflexiva de milhares de teorias sobre como a vida pode ser vivida.
Mas a redenção que se busca com a história de McCandless é definitivamente alcançada pelo trajeto mais tortuoso e talvez nem ao menos seja uma redenção. Mas a conclusão de que a vida, não pode ser desperdiçada em teoremas impraticáveis.
Durante seu trajeto por montanhas, rios, trens e furgões de hippes perdidos no deserto, Chris não apenas descobre um país sedento por sentimentos perdidos ao longo da descolonização. Percebe que não é possível saber onde está a sua essência real, a não ser que você viva dentro da parte de fora do limite. Não adianta de nada estar nos bares mais desejados de Los Angeles e muito menos usar seus ternos mais caros. Sua verdadeira alma, não é a fantasia idealizada por uma sociedade que está se perdendo e falhando como convivência, é sim a sujeira debaixo de suas unhas cravadas dentro de um leito de rio que te draga fortemente para a morte.
Não é possível conhecer seu limite sem testa-lo, mas a recompensa é a sensação de vida mais poderosa de todas.
Sentir sua alma em paz com o mundo e consigo mesmo.....
Se é verdade que o meio determina o que se torna a alma humana, então a jornada de Alexander Supertramp (pseudônimo escolhido pelo personagem), tem somente um sentido:
Quebrar esse paradigma......A família McCandless esconde históris tenebrosas de seu passado e faz com que seus filhos acreditem que todas as brigas e violência não passam de fins para a estruturação, quando na verdade a única coisa que não existe de verdade é uma forma concreta para que tudo aquilo seja real. O meio em que viveu Chris durante anos queria transforma-lo em mais um rapaz bem sucedido de terno e gravata com seu bar de happy hour e com amigos de fachada. Com sentimentos falsos, com uma demagocia familiar latente. O meio era uma mentira que iria determinar o que seria dele.
Mas isso ele não queria e chegou a sentir nojo da sociedade que mostrava isso estampado em sua cara, a ponto de preferir andar novamente na estrada do que dormir com outros seres humanos. Por isso a decisão de não voltar mais se tornou uma obssessão.
O filme mostra que sim a necessidade de não aceitar as convenções impostas por uma série de fatores sociais é uma busca por si mesmo. E essa procura é poderosa e sem limites, essa é a derradeira fusão de corpo e mente que se precisa.
Mas o futuro é reservado pela separação da mente de nosso corpo terreno. Pensamentos serão guardados e moveram satélites em Marte. A essência será separada definitivamente das convenções terrenas, então talvez o ser humano possa descobrir quem realmente é.
A luta por ser muito maior do que a mediocridade vigente e sedenta de novas mentes, a capacidade de transcender seu corpo e cérebro em algo muito maior. Isso sim é capaz de se tornar revelador e poderoso. Não as adaptações ao meio em que se vive.......
E esse ponto de vista é feito de maneira singular na história e principalmente na interpretação poderosa de Emile Hirsch. Aos poucos ele despeja o coração por todos os espaços dentro da mata e nos leva para uma caçada sem limites pela própria alma.
Não dá para achar que a essência tem que ser determinada pelos moldes de convivência terrena que estão falidos, é necessário que se prove o gosto amargo da terra e sinta o poder de todo humano em ser a imagem e semelhança do criador. E se ele é poderoso, então somos também capazes de transcender no terceiro dia e descobrir que podemos mudar o mundo. Nosso e dos olhos alheios que vivem no pretérito passado.......
NA NATUREZA SELVAGEM é busca, é caçada dentro de seu próprio centro. É descobrir que a essência é só sua e de mais ninguém. Mas nenhuma felicidade de se descobrir vale a pena se não puder ser compartilhada. Por isso o filme é uma mensagem de revisão desse modo de vida operante dentro de nossa sociedade. Ele já não funciona mais, não mais satisfaz.
A única saída é deixar envenenar-se pela flor mais linda da mata e descobrir seu verdadeiro sentido de alma.......