1 de junho de 2010

GD 42 GUERRILHA

Ontem ocorreu no Studio SP, aqui na cidade de São Paulo, um debate sobre o cenário musical independente brasileiro. O foco das discussões não foram diminutos e abrangeram uma gama de assuntos. Desde a incapacidade de orgãos como o ECAD em realizar a manutenção de suas funções básicas, até a responsabilidade dos músicos em relação ao seu trabalho.
A composição da "mesa" mediadora era essa: Penna Schmidt presidiu, com a participação do produtor Miranda, Ale Youssef (Studio SP), Pablo Capilé (Abrafin / Fora do Eixo), Fabio Pedroza (Móveis Coloniais de Acajú), Talles Lopes (Abrafin / Fora do Eixo) e Cláudio Prado (Cultura Digital).
A platéia, que participou ativamente, variava em seus papéis entre músicos e produtores e as questões levantadas em sua maioria rondavam além do papel dos festivais independentes, qual a melhor maneira das bandas conseguirem sobreviver com o esquema atual desses eventos.

Algumas coisas acabaram se tornando opiniões unânimes: a primeira é que os artistas de um modo geral não podem achar que apenas as entidades vão salvar alguma coisa. Porque não é possível apenas duas (Abrafin e Circuito Fora do Eixo) comportarem tamanha quantidade de bandas espalhadas pelos oito cantos do país. E isso não é porque as propostas desses dois veículos são ruins. Muito pelo contrário, já que as explanações à respeito da maneira que as coisas funcionam são deveras corretas e beneficiam a cena de uma maneira geral. O problema é sempre aquela velha história:
Cobra que não rasteja, não come ovo.

Outra coisa que ficou bem definida é que a classe artística precisa com urgência organizar-se de uma maneira bem melhor do que vem sendo feito até agora, já que as entidades responsáveis por cuidarem de seus interesses, não o fazem.
Mesmo com o ECAD pagando por extensas matérias em meios de comunicação sobre como cuidam bem dos artistas brasileiros, as organizações responsáveis por isso ainda engatinham na linha evolucional. E o pior é evidenciar que muitas pessoas dentro do círculo de debate ainda não ateram-se ao fato de que como já careca estou eu de saber, não existe a mínima possibilidade de crescimento no mundo dos usuários de música, se não acontecer uma aglutinação de pessoas ao redor de um interesse geral.
E isso não engloba apenas os artistas, mexe muito também com a parte que faz a circulação dessas músicas, ou seja, os divulgadores.
Nessa categoria é que este que vos fala se encaixa, juntamente com zilhares de pessoas que amam a música e a consomem diariamente segundo à segundo. Mas é necessário que essas vozes sejam ouvidas também. E muito....

Dia 21 acontecerá um novo debate no mesmo Studio SP à partir das 19:00 e é no mínimo interessante, nem que seja apenas para ouvir as idéias e sair de lá criando outras várias que todas as pessoas interessadas em criar essa rede de informação devem participar.
Provavelmente não se irá criar novamente a roda, muito menos conseguir resolver todos os problemas que assolam o mundo mágico dos independentes. Mas é necessário que aconteça ações que mirem não mais no segregacionismo que acontece no mundo real da internet em primeira estação. E apenas atitudes que vão em direção ao amálgama dos meios, sem essa atitude de donos da verdade que infelizmente ainda insiste em acontecer dentro da estufa sonora.
Riffezeriando uma pataquada de discursos egomegalômaníacos, onde na verdade não se cria nada mais que animosidade e desconforto. E dessas duas coisas, já estamos cansados de deglutir. O desconforto com o poder público e instituições já é o bastante para qualquer sistema digestório suportar.
Já está mais do que na hora de entender que nosso processo evolutivo passa diretamente e intimamente pelo conceito de unificação. E saídas como a do site ROCK 'n' BEATS, devem ser aplaudidas e porque não copiadas.

O site que já disponibilizava de um espaço para discos de bandas independentes e também realiza festivais com as mesmas, agora está inovando na idéia do tráfico de informação de música. A equipe reformulou o espaço onde além de hospedados, os discos poderão ser colocados em qualquer outro local onde a informação possa ser divulgada. Além do download no próprio Rock 'n' Beats, a banda poderá traficar suas músicas em qualquer lugar.
Entendeu cara pálida????
Cria-se uma rede onde o que chega aos ouvidos dos usuários é o trabalho do artista. Mais pessoas ouvindo, mais público sendo criado. Aumento de pessoas interessadas, crescem os shows, forma-se uma rede de fãs maior e o trabalho é valorizado. Todo mundo ganha. Tem que trabalhar, mas todo mundo recebe um bem maior.

Não existe mais o bloco do eu sozinho, o Los Hermanos agora vão fazer shows fechados. Contra mão da história não é possível mais seguir.
E de quebra quem sabe não surge o GD Vinil????