19 de agosto de 2010

GD 54 AS MENINAS BINÁRIAS.....

Como já é de costume, as mulheres encontram caminhos e maneiras muito mais inteligentes que nós, seres glandianos masculinos, no quesito adaptação ao mundo.
Seja nas manifestações artísticas ou no cotidiano cheio de falta de umidade aérea e etérea, elas sempre andam pelo menos uma dúzia de deambulantes passos em nossa frente. Inevitável e irrecusável anatomia de comportamento....

Mas não adianta reclamar, muito menos choramingar diante de algum filme de comédia romântica que expõe lágrimas de desespero penianas de todos nós homens. Esses exemplos devem ser seguidos, pois sacar o funcionamento do futuro é primordial.

E assim acontece também com a música. A crise de identidade mercadológica pela qual passam as gravadoras é algo que volta e meia atinge às manchetes. Muito mais pelas saídas quase escatológicas, do que por uma invenção mirabolante. Essas saem de onde menos espera-se....

Como no caso de duas artistas que conseguem diariamente vencer esta batalha e definitivamente viver pela música que produzem. E veja bem, meus atentos leitores, uma delas largou a profissão que teoricamente traria-lhe muito mais retorno financeiro e vive seu sonho em claves de sol atômicas. Se é possível uma definição de independente, seu nome é ZOE KATING.

Kating é uma violoncelista de 38 anos. Arquiteta de formação, antes de escolher a música tinha uma carreira profissional bem construída. Mas resolveu que notas seriam a vida em si e não apenas parte dela. Músicista de formação clássica, Zoe já tocou com algumas bandas de rock, mesmo apenas tendo material próprio relacionado ao nicho clássico.

Pela postura meio Amadeus e também pelos dread locks ruivos de lava jurássica, as gravadoras jamais souberam o que fazer com ela. A própria Zoe diz que ela não se encaixa em nenhum dos esteriótipos da indústria. Ela é mais velha, não faz o tipo gostosona e muito menos se considera linda. Mas talento e inteligência de sobra superam qualquer tentativa de encaixa-la em algum tipo de categoria.

Armada de seu instrumento e um computador, ela grava todas as bases e misturas sons devidos por entre os acordes do cello. O programa usado no lap top foi criado por ela mesma e permite que a som seja uma parede compacta de captações das suas claves mais lisérgicas, criando a unidade da canção.



Mas o computador não apenas é ajuda na hora de compor. Através das redes sociais, ela não apenas disponibiliza as canções como mantém contato direto com os fãs. Sempre respondendo perguntas, contando seu cotidiano e o processo de criação. De acordo com a cantora essa proximidade garante que quando realiza seus shows em outros lugares, os fãs sentem-se mais próximos aproveitando melhor a experiência. Por exemplo, se existe algum seguidor de Zoe brasileiro, ela sempre que possível responderá algo que esse fã pergunte, pois cria-se uma unidade mais pessoal com a pessoa, fazendo com que o trabalho apareça mais. Impossível??
Não só muito possível como traduzido em números.

Zoe possui 1.363.170 seguidores no twitter e sem auxílio de nenhuma gravadora (e eu escrevi nenhuma mesmo), seu mais recente tabalho INTO THE TREES chegou ao sétimo lugar na Billboard no segmento música clássica. Sem nenhuma gravata ou bravata colocando a mão nessa cumbuca toda. A tecnologia e suas ferramentas quando bem empregadas garantem que a crise não exista. Lembrando que o ranking da Billboard baseia-se nos discos vendidos e não nos downloads gratuitos.

Outra cantora que distanciou-se do mercado e voltou usando as ferramentas da internet à seu favor e está lucrando com isso é a cantora SUZANE VEGA.
Muito mais conhecida como uma mulher de um hit só (Luka, de 1987), a cantora já assídua usuária de todas as redes sociais e como Zoe usa-as para manter o contato direto com os fãs.
Segundo Suzane essa proximidade ajuda no momento de lançar novo material, pois com os fãs mais próximos eles sentem-se não apenas comprando algo, mas sim fazendo parte de uma experiência completa. E como a cantora costuma responder todas as perguntas e manter esses pequenos diários atualizados, a proposta está dando certo. Com pelo menos 30.000 acessos em sua página do Facebook por semana, tanto relançar suas antigas canções ou material novo tem sido lucrativo. Tanto Zoe quanto Suzane estão abrindo seu caminho com as próprias mãos e um teclado (que mais parece uma foice). Uma estrada onde a proximidade é usada como arma na venda de material do artista para o povo. Sem atravessador e como disse Milton, o artista vai onde o povo está.....

Já existem uma quantidade considerável de estudos que mostram que as mulheres conseguem manter sua imagem no mundo virtual de maneira mais inteligente que os homens. Esse controle garante que elas achem saídas para a suposta crise na venda de discos. Para meninas poderosas como Zoe e Suzane, o mp3 é muito mais do que apenas um arquivo.

É um presente para pessoas próximas que admiram e compram suas músicas, por sentirem-se parte delas, não apenas números em uma calculadora de mesa de algum empresário de gravadora que nesse momento pode estar jogando-se pela janela de desespero.