14 de setembro de 2010

GD 58 DOIS GIGANTES HIPNÓTICOS


Existem pessoas que nascem para burlar o sistema da vida. Pequenas almas atormentadas dentro de uma sociedade de conformismo barato e especulação de idéias alavancadas por processos neurológicos tortuosos.
Desses seres índigos nascem milhares de novas realidades que podem e devem seguidas. Mas a maioria das vezes elas são notadas muitos anos depois de sua nascente genética. Só a correção histórica apara o erro megatônico.

William S. Burroughs foi um dos maiores escritores de nossos tempos. Muito menos pela popularização do estilo chamado cut-up (inventado por Brion Gysin) e nem por ter inventado o termo heavy-metal. Marginal até a alma, desde os primeiros contatos com o nazismo quando foi para Alemanha estudar medicina, interessou-se pelo Estado e os modos de controle do ser humano.
Fato que marcou sua obra por completo, desde os primeiros textos (incentivados pelo pai da cultura beat Jack Kerouac).

Homossexual assumido e adicto em morfina, usava todos os vícios para que a arte se tornasse cada vez mais visceral, talvez isso explique o porque da imersão completa ao ler qualquer um de seus textos. Naked Lunch, o livro que conta as experiências de William com todos os tipos de drogas e foi escrito durante as viagens do autor pela América do Sul e Marrocos, deixa claro cada centímetro de exposição da carne. O crítico ferrenho social, o junkie, o lisérgico, todos os pedaços de Borroughs servima apenas um propósito.

Desvendar as máscaras da humanidade, dilacerando seu próprio espírito.

Imagine então o que aconteceria, o dia em que esse escritor pudesse assistir e depois relatar em palavras seu encontro com um visceral músico. Mago de seis cordas que também era visto como usuário de substâncias ilícitas e pactuador de alma com o demônio. Compositor em uma banda que juntava as encruzilhadas áridas do Mississipi com a umidade do inferno. Jimmy Page nos anos 70 era um deus humano na usina de força sonora sônica que era o Led Zeppelin.

Isso aconteceu em 1975, quando William foi convidado pela revista CRAWDADDY à escrever uma matéria e entrevistar Page.
Após um show da banda, o escritor encontrou-se com o guitarrista e uma longa conversa aconteceu. Tudo passado devidamente para magistrais linhas da publicação.

Os dois magos conversaram sobre quase tudo, inclusive adiantando em anos a possibilidade de unir elementos eletrônicos com as guitarras. Burroughs compara as batidas das canções com a musicalidade que o escritor encontrou no Marrocos e fala sobre a casa de Aleister Crowley. Os dois também conversam sobre a maneira que as vibrações sonoras influenciavam o funcionamento nervoso.

O espetáculo de entrevista foi publicado integralmente hoje pela publicação ARTHUR. Obviamente não irei colocar a entrevista toda, mas o link para ela e um trecho que você pode ler abaixo....

"Nós conversamos sobre a música trance. Ele tinha ouvido o disco de Brian Jones, feito à partir de gravações feitas em Joujouka. Discutimos a possibilidade de sintetizar a música rock com algumas das formas mais antigas de música trance, que foram desenvolvidas ao longo dos séculos para produzir poderosos efeitos neurológicos, que por vezes causam hipnose na platéia. Tal síntese permitiria um escape das formas antigas nos moldes do folk e forneceria novas técnicas para bandas de rock.)

E isso é só uma parte... A ENTREVISTA TODA E O MAGISTRAL TEXTO AQUI.