17 de setembro de 2010

GD 58 QUANDO TOCAR SANGRA E OUVIR DÓI

Existem bandas que desde o começo valem muito à pena acompanhar. Desde a gênese até o crescimento enquanto vemos os conceitos, as idéias e as notas que fazem de nosso cérebro receptáculo de uma imensurável vontade de amar a cada segundo os acordes.
E eu sempre me lembro da frase do filme Quase Famosos, onde Faizuka Balk diz que existem músicas que de tanto você gostar, doem no peito. Então rock tem que ser assim, de doer.

O blog está acompanhando essa garota desde os tempos onde, ainda tinha uma banda com outras meninas e o conceito sobre tudo o que ela queria mostrar nas canções ainda era um pouco sombrio. De certo e concreto, apenas a mão de Omar Rodriguez Lopez na produção do disco de estréia SIN SIN SIN e a nacionalidade mexicana que a coloca mais próxima de nós latino americanos. LE BUTCHERETTES é uma das melhores bandas desse ano de 2010.

Mas a explosão das entidades que habitam o corpo de TERI BENDER GENDER, a vocalista e medium da banda não cabem em apenas uma epiderme. Deve ser por isso que a o conceito das Buctherettes são os personagens criados por ela.
Teri conta que quando frequentava a escola, achava seus professores um tanto quanto preguiçosos quando o assunto era feminismo. O que eles não ensinavam, ela aprendeu em livros que não pregavam o sunitismo vaginal em relação aos homens. Então o conceito nasceu disso:

Fazer uma banda que falasse sobre o uso da mulher na sociedade atual do ponto de vista da exploração da figura feminina, seja sexualmente ou como objeto de consumo. Não ir contra apenas os homens, mas as mulheres que lotam as cestas de frutas com seus nomes de alimentos sazonais. O GENDER BENDER não é relacionado com a figura do travesti, mas sim com o fato que não existem mais gêneros sexuais e isso também não importa. Nessa brincadeira de casinha moderna e psicologicamente adulta Normandi Heuxdaflo, o baterista, que toca mascarado durante os shows faz o papel do macho paternalista e antiguado. Teri sempre toca de vestido que relembra as mulheres cândidas e feitas apenas para serem donas de casa, mas que durante os shows vai dilacerando a própria carne e libertando-se do papel. Ela sempre usa um avental de açougueiro e muitas vezes utiliza sangue cenográfico durante a evolução das músicas em outras o vermelho vem de suas próprias hemácias...

Lúdico, sexualmente alterado e octaedrocubano.


Graças aos bons ventos a banda começa a ser mais notada pela imprensa de maneira geral. Do mesmo jeito que Teri começa a decolar dentro do mundo virtual com o site da banda. Shows com os Pixies, Interpol e com o próprio Omar Lopez estão deixando as Le Butcherettes em ponto de bala. E o grande diferencial é realmente Teri, seja pela voz avassaladora e a atitude Cobainiana dentro do palco, ou pelas encarnações ou olhares fixos que são capazes de destruir muros de ferro. Sonoridades mais pesadas que evocam bandas como Elastica ou acordes de cabaret transloucado.

Le Butcherettes definitivamente é uma das bandas que fazem você gostar de uma canção com a dor certa dentro do peito. O primeiro single HENRY DON'T GOT LOVE é talvez uma das melhores músicas desse ano. Mas você pode conferir toda a energia explosiva em mais duas inéditas que a banda gravou para o programa SOUNDCHECK (BANG e MR. TOLSTOI)





Henry Don't Got Love by LULLABIES TO PARALYZE