25 de outubro de 2010

GD 64 OLHO NELES....

 Muitas vezes nesse mundo onde as vestimentas numeradas e fantasiosamente dispostas entre 1 e zeros parecem cada vez mascarar inodoras intenções, sempre é bom de vez em quando encontrar alguém de carne e osso e valvas pulsantes.
Mas isso volto logo...

Primeiro vamos ao assunto em questão, na verdade dois. E o primeiro vem de terras acima de nossas cabeças nos geográficos mapas estudantis.
Nashville é além da capital do Tenessee, uma cidade america relacionada à música country. Lendas e empoeiradas canções formam a história daquele lugar.
Mas quando não imaginava-se, eis que um quarteto daquelas pradarias, andava na contramão da indústria até  pouco tempo.

MONA, a banda em questão, formada por Nick Brown (vocais e guitarra), Vince Gard (bateria), Zach Lindsey (baixo) e Jordan Young (guitarra), não lembra em nada o ritmo seminal do local. Na verdade parecem uma versão mais nova dos cortes de cabelo usados pelos Beatles na fase "I wanna hold your hand".
A banda mesmo com 180.000 visitas em sua página do Facebook, não tinha colocado nenhum material para que as pessoas pudessem ouvir. Mantendo a curiosidade em alta, quando finalmente os primeiros acordes de LISTEN TO YOR LOVE alcançaram os estribos, não foi difícil o quarteto conseguir chamar à atenção da imprensa americana.

Colocados nas listas das bandas da semana em vários lugares, Mona, é uma mistura de riffs mais secos e quase edgeanos com um poderio shoegaze punk cheio de revoltosas passagens. Grudentas na medida certa e possivelmente colocando em prática o plano da banda, em manter os ouvintes atentos aos acordes. Difícil é não empolgar-se quando o assunto é a primeira pílula. Ouça...



E aí é que retorno ao assunto do começo do post. Pois bem essa banda veio novamente pelas linhas internéticas de conversas com pessoas reais. Uma menina chamada Lory (@lorylooove), moradora atualmente da ilha mais roqueira do planeta, soltou uma pequena mensagem à respeito desses provedores de sombras. Algumas mensagens trocadas depois, descobri que esse também quarteto, anda recebendo uma enorme quantidade de elogios e estão entre as famosas apostas da imprensa musical local. Comentário (vindo também da própria Lory), que após o final do verão por lá, os meios de comunicação passaram a olhar com melhores retinas para as bandas locais.


Isso fez com que a O CHILDREN, formada um ano atrás por Tobi O’Kandi (vocal), Andi Sleath (bateria) Gauthier Ajarrista (guitarra) e Harry James (baixo), fosse cada vez mais vista e falada. Começar bem eles já o fizeram, afinal de contas o nome foi retirado de uma canção de Nick Cave. O single de estréia DEAD DISCO DANCER mostra que a banda vem das mais profundas catacumbas do pós punk, caminhando em terrenos cheios de sombra e lodo, onde a força motriz e guia dos acordes é a voz de Toby.

Com um timbre ímpar dentro da música atualmente, o vocalista tem um misto de angústia com uma tenebrosa mistura de Bela Lugosi e Richard Price na farínge. Longe do convencional e do hype, a banda tem fortes influências de Joy Division e Bauhaus. O som é pesado mas não como o metal e sim uma nuvem formada por corvos cinzas. O disco de estréia saiu em 12 de julho.
O Children é imperdível pelo simples fato de fugir da curva da mesmice que assola um pouco os sons mais alternativos. Não pairando sobre o shoegaze fácil e indo na direção do soturno.
Aqui no GD o clip do single Dead Disco Dancer.