6 de novembro de 2010

GD 65 UM FESTIVAL FRANCÊS, DOIS GIGANTES...


O ano de 1969, mais precisamente o dia 25 de outubro. No lado de cá do mapa, Woodstock estava ainda na memória (e no cérebro, visto que pouca gente conseguiu voltar) da América do Norte. Mas os europeus não iriam deixar que os USA levassem o título de maior festival do planeta.

Por isso a revista ACTUEL, de impressão e escrita francesas, resolveu organizar o primeiro festival de música do país, junto com a gravadora BYG (bons tempos onde gravadoras bancavam festivais). E as pretensões não eram pequenas...
Com o objetivo de alquimizar artistas dentro da vanguarda do rock, pop e jazz, com nomes mais consagradas no velho continente, o festival foi realizado de 24 à 28 de outubro de 1969 e tinha como atrações bandas como, Ten Years After, Colosseum, Aynsley Dunbar, Freedom, Keith Relf's Renaissance, Alexis Korner, Don Cherry, Nice, Caravan, Blossom Toes, Archie Shepp, Yes, Pretty Things e mais uma centena de nomes. Mas dois deles chamavam atenção:

FRANK ZAPPA e PINK FLOYD.


A banda inglesa acabara de sair (e ainda sentia os efeitos) de uma crise onde Syd Barrett, deixara o grupo devido ao abuso no uso de LSD. O Pink Floyd ainda tentava arrumar-se com o novo guitarrista, um jovem virtuoso chamado David Gilmour e Waters ainda não era metade do megalomaníaco que tornou-se.
Por outro lado Frank Zappa acabara de lançar o aclamado Hot Rats (sim o nome da banda nova de Gaz Coombes, ex-Supergrass é retirado desse disco), seu primeiro álbum depois da dissolução dos originais Mothers Of Invention. O músico também andava por crises criativas já que tinha certeza que as platéias por onde passava (mesmo com todo o sucesso na Europa), não entenderam sua música. Era costume de Zappa criar peças inteiras baseadas em jazz para os shows da banda, o que confundia um pouco a audiência.

E foi nesse festival, a resposta européia à Woodstock, que esses dois monstros encontraram-se. Zappa era o nome do evento e o Pink Floyd, a atração principal do dia 25. Era engraçado ver os críticos colocarem a banda no filão do pop, mas eles ainda tinham lisergia vazando por todos os poros. Acompanhados de Zappa na guitarra, a banda apresentou um set list impecável. A versão de Interstellar Overdrive, tornou-se uma suite de quase 21 minutos onde o psicodélico encontra o jazz e as improvisações de Frank são espetaculares.
Um registro histórico.
Os arquivos desse show são nebulosos, mas reza a lenda, que não foi apenas essa canção apresentada pelo laboratório de química Floydzappiano. Em uma audição atenta pode-se perceber que Green It's The Colour e Be Careful With That Axe Eugene, provavelmente também fizeram parte desse set list no mínimo sensacional. Mesmo porque tudo deve ter sido muito fácil, afinal de contas Zappa era fã de Pink Floyd, vice e versa. Outra coisa que corrobora para essa versão, é que as gravações são de dois dias distintos.

Depois dessa época, Zappa seria um dos maiores gênios da música e o Pink Floyd, mesmo realizando trabalhos memoráveis, jamais conseguiu bater uma época onde andava por entre os tiranossauros.
O show completo, incluindo versões alternativas você pode baixar AQUI. Abaixo está a versão completa de Interstellar Overdrive, que é de chorar...

FLOYD+ZAPPA Interstellar Overdrive by GDO2