"Mas a tirania, entre muitas outras vantagens, tem o privilégio de dizer e fazer o que apraz"
(Antígona, Sófolcles 444 A.C.)
Para dizer o que se quer, é necessário antes de qualquer tentativa parva de instituir um gigantesco manifesto, que se tenha uma idéia. Nascida sinapticamente dentro de um neurônio involuntário. Funcionamento que ultrapassada a compreensão humana e desconhecida em quase todo seu trajeto até hoje. Basta dizer que a complexidade é tamanha, que ainda não é possível criar movimento em seres humanos de uma maneira que não seja reparativa. Você ainda não assistiu à cura total da tetraplegia, mesmo com avanços gigantescos, que são absurdamente necessários nessa cruzada contra a perda do bem maior que é o deambular.
Mas para que isso aconteça, é necessário a centelha original de uma idéia.
O maior problema é o que fazer quando suas idéias não podem ser amalgamadas em outras. Quando a liberdade de expansão da criatividade e da violenta transformação de seres humanos em usinas alquímicas de idéias, é tolida na essência da palavra soma. Como não levar lavoisierianamente o princípio que para uma evolução constante que trará benefícios, como por exemplo a cura do câncer, é necessário que a soma das capacidades intelectuais do passado e do presente sejam uma linha de constante aprendizado e ensinamento ao mesmo tempo. Yin e Yang neurológico de liberdade em direção à melhoria da vida. Ciências, literatura e música, as grandes malhas de ressonância de informação devem ser tratadas como coadjuvantes nessa busca por conhecimento e fusão.
Uma idéia original históricamente passa pela observação de outras anteriores, que somadas com as novas formam uma rede de crescimento humano. Nunca deve-se limitar a capacidade humana com processos e tentativas de controle.
Isso é uma das primordiais idéias do documentário de guerrilha, RIP! A REMIX MANIFESTO, criado e dirigido por Brett Gaylor. O diretor cava fundo na história humana para demonstrar o quanto esse trânsito livre de sinapses é primordial para o andar. Contando a história do criador GIRL TALK, alquimista de sons que usa samplers de milhares de outras canções pra criar algo maior. Nada escapa a visão libertária. Ouvindo os dois lados e deixando a idéia livre.
Com o rato de Disney como símbolo dessa guerra que acontece pelos cabos conectados, o filme é não apenas um manifesto, mas documento obrigatório para absorver conhecimento e ater-se ao simples princípio da liberdade.
"...considerando-a como único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem no estado latente de cada um...
Tudo isso tem por finalidade mudar a escravidão brutal legal, prevista, consagrada pela vontade do Ser Supremo. E jamais deixa-la morre pois "todas as restrições que se lhe impuseram com a finalidade de proteger a moral, sempre agiram em seu detrimento."
"E embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, os homens são criados iguais"
The Luther King Bakunin remix.
por Gangrena D.
Assista ao doc na íntegra abaixo...