25 de março de 2010

Existe um lugar seguro dentro de qualquer música. Lá pelo primeiro minuto e alguns segundos, você já sabe se a banda vai realmente engatar ou se vai ficar apenas dentro do útero materno quente e convidativo. Nesses compassos de tempo, reside o maior paradoxo de todos. Ou a canção liberta uma descarga de substâncias voláteis e animadoras ou simplesmete fica presa dentro do limbo.
Tudo isso dentro de apenas algumas notas.

Quando os primeiros acordes de DEVIL IN YOUR EYES, da banda MINIBOONE, formada por Craig Barnes, Taylor Gabriels, James Keary, Sam Rich e Doug Schrashun entram em contato com a sua película auditiva, a sensação de que a canção pode ser exatamente igual as outras músicas que você já ouviu por aí é enorme. Mas espere aquele momento decisivo dentro da canção, sabe aquele que eu disse lá em cima???
Pois bem, quando eles tiverem passado algo de diferente aconteceu com seu endoesqueleto. Passagens de tempo onde um bar que se chamava CBGB'S cheio de cheiro de cigarro e empoeirado pelos cantos, comandava as vontades de bandas que florificavam alquimias com uma fusão de sensações.
E fusão é a palavra chave dessa canção, pois as mudanças de direção que inicialmente parecem ser de puro pop rock do planeta Ploc, se transformam com a ajuda de backing vocals em passagens épicas. Como se fosse possível sentir os trilhos da montanha russa passando por debaixo de suas costelas, liberando pedaços de pele que se soltam mediante ao atrito. Durante o curso do solo, esse atrito seco e violento aflora em forma de agudização das notas. Como se uma serra aprontasse alguma traquinagem e depois acalentasse seu cérebro com riffs curtos e encaixados em uma bateria saltadora. Como na composição de uma onda dupla, onde a água se afasta e explode formando alçapões para que cada pedaço de sua cabeça seja chacoalhado e colocado de volta ainda em giro. Para logo depois a segunda onda arrebatar todo o resto de corpo que você teima em segurar pelas beiradas que sangram.........









E essa segunda onda vem logo em seguida com COOL KIDS CUT OF THE HEART ITSELF, que desde os primeiros acordes me pareceu ter saído do ventre materno do Talking Heads que foi copulado com pitadas iê iê iê iê, fundidos em aço derretido por solos punkeados e palmas. A linha de backing vocals são como sonetos encarnados de arcanjos que padecem de perdão por terem cometido pecados ligados à luxúria sonora. O tempo acachapante dessa faixa é de fazer você quando menos espera, se pegar no centro da sua sala brincando de tocar bateria imaginária.
Por ser uma pessoa que sente a música até saber que os sons doem dentro do peito, eu já gostei da banda desde os primeiros acordes. Mesmo não sendo isento, eu posso seguramente dizer que essas duas músicas são nesse começo de semestre duas das melhores.









Corra atrás sem falta......

OBSCRUEL: a banda acaba de lançar o EP BIG CHANGES, que você pode comprar AQUI.