15 de abril de 2010

GD 35 QUANDO AS CRIANÇAS SE TORNAM SANGRENTAS

Todo mundo sempre se acostumou ao fato de que na Barackolândia a palavra controvérsia pode ser causada por um frasco de refrigerante com algum desenho que remeta o pensamento dos nosso queridos e planetários americanos à pesadelos de ordem militar, política, religiosa ou até alimentar.
Basta todo mundo lembrar o quanto de discussão causou aquele documentário sobre a rede de fast food (Super Size Me, de Morgan Spurlock). E olha que esse documentário nem era lá assim essas coisas.
O que acontece é que mais uma vez a polêmica volta a concentrar-se dento de uma sala de cinema. Mesmo porque esse ano parece ser o ano do politicamente incorreto. Explico:

Tudo começou co o filme de Michael Cera, onde ele faz um cara com problemas em conseguir uma menina (como sempre), e acaba tendo uma ajuda de seu alter ego, que é no mínimo uma pessoa sem muitos escrúpulos. Agora parece que mais um desses filmes promete aumentar ainda mais a já famosa e enfadonha discussão sobre o que pode ou que não pode.
Primeiro você tem que conhecer essa história em quadrinhos: KICK ASS.
Lançada em 2008 pela editora ICON que é um braço da Marvel, essa minisérie tem lançamento no Brasil com um atraso de dois anos, mesmo com a promessa de uma edição caprichada e única (pela Editora Panini, aquela do nosso adorado álbum de figurinhas da Copa!!!!), foi desenhada e escrita por MARK MILLAR e JOHN ROMITA JR.
Para quem ainda não sabe Mark além da série, escreveu histórias com Wolverine (Old Man Logan), o Quarteto Fantástico e também o clássico Marvel Civil Wars.
John Romita Jr. é o cara que "apenas" revitalizou o conceito todo do Demolidor com Frank Miller, assim também como fez a Morte Do Capitão América e tem um trabalho marcante com Homem Aranha. Isso apenas para dar poucos exemplos.Os dois heróis da marvel aí em cima resolveram escrever e desenhar sobre pessoas comuns. O que já havia acontecido na história em quadrinhos 1985 de Millar, onde um garoto que vive no mundo real descobre que todos os vilões da Marvel estão bem vivos e querendo briga.
Mas dessa vez o conceito foi um pouco alterado, partindo da seguinte pergunta:

Porque nunca ninguém tentou ser um super herói???

Afinal de contas nossa cultura está massificada com eles e muitas vezes as histórias são tão verossímeis e reais que é possível pensar que um dia poderemos inventar um traje, uma mácara e sair por aí distribuindo justiça. Fato que já foi relatado em WATCHMEN por Allan Moore, criando uma mitologia de criação onde os heróis eram pessoas comuns.
A HQ de Millar e Romita, não chega a ter a décima parte de conflitos psicológicos ou profundidade que a história de Moore. Apesar de duas premícias iguais as duas histórias são completamente diferentes. E como toda história que se preze, KICK ASS é violenta ao extremo. O que não seria nada demais se os personagens, em sua maioria não fossem crianças e pré adolescentes.
Sim tanto a HQ quanto a versão para o cinema que estréia esse fim de semana lá foram colocadas como proibidas para menores (o filme vem marcado com o famoso R-rated e os quadrinhos com a tarja MAX EXPLICIT CONTENT).

OBSCRUEL1: Aliás americanos adoram inventar tarjas assim né: MAXIMUM GORE EXPLICIT, EXTREME MUTILATION FIST FUCKING SCENES. Não entendo essa fixação em explicar a violência, como se ela precisassem de uma justificativa, mas enfim....

E é aí que esse filme já começou a despertar aquelas famosas discussões de beira de estrada. Principalmente quando o embalsamado crítico de jornal CHIGACO SUN-TIMES, Roger Edbert, considerado uma bíblia no quesito cinema, fez uma resenha sobre o filme (dirigido por Matthew Vaughn com Nicolas Cage, Aaron Johnson e a mais nova candidata a mini musa indie Chloe Moretz), simplesmente dizendo que ninguém em sã consciência deveria deixar seus filhos assistir ao filme. A crítica apesar de não levar em consideração o fato de que o filme já é censurado e que mais cedo ou mais tarde todo mundo acaba assistindo (principalmente as crianças), duramente discorre sobre o quanto prejudicial para a sociedade esse tipo de filme pode ser.
Só esqueceram de dizer para o famoso crítico o seguinte: violência + tiros + jovens, nos USA podem ser qualquer coisa. Desde a intervenção militar ao Iraque, até os tiros de Columbine. E mesmo a cena inicial do trailer sendo perturbadora, mais a conotação sensual da heróina mirim, a discussão parece ser um pouco fora de propósito. basta lembrar que Stephen King lá atrás quando escreveu Children Of The Corn (A Colheita Maldita). já colocava as crianças como seres nada amigáveis.

Independente disso, vale à pena esperar para que você possa assistir ao filme que só pelo trailer já entra na categoria de coisas como Zombieland. Filmes que não precisam ter aquela dose de cérebro gigante, mas são de uma capacidade de diversão sem precedentes. E ainda Nicolas Cage fazendo o sonho de ser o Batman que ele não conseguiu fazer no cinema......