13 de abril de 2010


Quando o que viria a ser o último disco do SUPERGRASS, Diamond Hoo Ha saiu no mundo, muita gente reclamou de que a banda nas primeiras três músicas tinha ficado séria demais. Que as canções eram tentativas ruins de uma banda fugir do que era.
Eu não concordei (com sempre), por dois motivos.
O disco de uma maneira geral não era ruim e o Supergrass não tinha obrigação de ser um Mamona Assassinas e ter piadas prontas todo o tempo. Mesmo porque os Mamonas só tinham a piada......
Mas foi no disco que marca a homenagem do GD para uma das mais divertidas e bacanas bandas do rock, ROAD TO ROUEN, que pela primeira vez a crítica sobre o som de Gaz Coombes, Mick Quinn, Danny Goffey e Rob Coombes se tornou mais dura. A tal história que banda que se torna séria demais, prejudica o som.
O que na verdade é um dos maiores equívocos que se pode fazer com o Supergrass. Afinal de contas ser engraçado é uma coisa diferente de ser divertido......
Quando o single Allright se tornou uma massa viva e independente, a banda foi catapultada para o sucesso rápido e logo no primeiro disco. O que não poderia ser diferente, afinal de contas tudo era muito alto, barulhento e de sorriso fácil. A banda que misturava todas as influências do rock inglês da primeira leva (Kinks, Who, The Jam, Beatles e Stones), com seu jeito irônico e cheio de cinismo musical fazia com que a cada audição uma nova catarse se formasse ao redor de seus ouvidos e tudo ficasse cheio de possibilidades. E assim seguiu-se quando In It For The Money saiu. Mais uma vez as canções epicamente grudentas e riffs dosados de forma a viciar o ouvinte tinham cada vez mais seguidores.

Mas alguma coisa tinha muddo quando os primeiros acorde de TALES OF ENDURANCE PART. 4,5,6 eram escutados. Uma onda de violões e trompetes que pareciam ter saído de qualquer disco de banda de rock progressivo, se misturavam a riffs nada convencionais e à uma estrutura totalmente diferente do que a banda já apresentara até aquele momento. Mesmo tendo músicas mais lentas como Late In The Day.

Onde estavam os refrões fáceis????
Cadê as melodias assoviáveis que estavam aqui????
Onde está minha diversão????

Nada disso era facilmente achado dentro da canção e isso já causava certo incomodo, mas ainda haviam 8 faixas para serem ouvidas, quem sabe.......
Mas todas as esperanças foram jogadas na cara de quem ouvia quando ST.PETERSBURG chegava. A melancolia regada à violão desaguando em um piano marcado dentro de uma estrutura de encher os olhos de lágrimas. Não havia escapatória apenas a certeza de que a banda havia mudado. Lindamente, mas mudado.......









Os Kinks e sua malemolância ainda existiam por entre as notas do Supergrass, mas dessa vez o experimentalismo estava tomando conta e mesmo em uma balada mais fácil como essa era possível perceber um fio nervoso claustrofóbico dentro do disco.
Muitos sempre disseram que as gravações e o clima dentro da banda ajudaram para que Road To Rouen fosse assim.
Problemas com tablóides, a morte da mãe de Coombes e o fato que a disco foi gravado em um estábulo convertido em estúdio, foram os mais memoráveis. Mas o clima pesado não impediu da banda realizar canções com uma carga emocional cativante.
Evidenciado isso em músicas como por exemplo SAD GIRL, onde um rock básico se transforma em melancolia acompanhada de pianos inérticos e orquestrações simples.
ROXY tem muito mais orquestrações e uma levada de arena. Já estamos na quarta canção e nada ainda daquela risada solta, o peso se concentra nas mudanças de direção onde o único lugar que se é possível parar, situa-se dentro de uma conglomerado de riffs lentos. Não tem nada relacionado mais com a psicodelia, sim com as experimentações de um disco como Arthur dos Kinks. A lisergia aparece no final dramático da canção, mas é só. Se o clima da gravação era tenso, a parte derradeira de Roxy é um grito preso dentro de uma garganta seca......









O alívio poderia é sentido em COFFEE IN THE POT, uma mistura de ritmos caribenhos e uma piadinha com o hey no refrão. Instrumental, mas com nada de rock em sua genética. Ligeira porque em melancolia que se preze não cabe nada além de um sorriso amarelo.
A canção título, ROAD TO ROUEN, mostra um pouco mais do Supergrass que todo mundo conhecia, mesmo essa canção sendo uma reedição de coisas feitas na época do glam rock. A banda sempre foi na minha opinião, formada por músicos que sabiam muito bem o que estavam fazendo e essa canção mostra isso com maestria. Funk e glam com viradas cheias de suingue diabólico. O

Supergrass estava menos engraçado???

Não, eles estavam em forma de navalha afiada enquanto tocavam.....
KICK IN THE TEETH é a mostra disso. Rock puro e ebulição completa, permeada por nuances de acidez hipnótica. Quando se fecha os olhos dentro dessa canção é impossível não se ver dentro do Cavern Club na época dos Beatles, com aquele cheiro de cigarro escorrendo pelas paredes e soltando mãos que te agarram e levam para o centro do palco. Não existe a urgência do punk, nem precisava. A canção é perfeita assim mesmo, inclusive o final com suas guitarras insanas......









LOW C tem uma levada muito Neil Younguiana, e isso e 2005 fez com que as pessoas não entendessem ou ainda pontuassem que esse som era apenas uma cópia mal feita. Quando na verdade o estado de fazenda em forma de cabaret que a canção tem apenas dá um charme à mais dentro do disco.
E se você chava que o disco não poderia ficar mais lento, FIN e seus vocais cheios de ecos e a influência de músicas caribenhas e standarts românticos dos anos 70, mostrava que ainda havia mais três minutos de beleza escondida em forma de mudança. A sequência de bateria apenas dá um charme a mais ao final desse belo disco.

ROAD TO ROUEN chegou a ficar em nono lugar na parada britânica, mas foi só.
Quer dizer só porque o disco foi esquecido e muitas vezes considerado o menos talentoso. Em 2006 no Campari Rock aqui do Brasil, a banda quando tentou mostrar o lado mais introspectivo não agradou e precisou recorrer aos hits para que o clima pesado não estragasse a festa. Uma pena porque para os que estavam lá para ver as músicas novas (como eu), foi um pequeno anti-clímax.
O disco não fazia muito sentido quando foi lançado, quem sabe daqui a quinze anos (como disse Pat Gilbert, crítico da revista MOJO) o disco faça muito mais.
Para mim já faz desde a primeira audição.......