
Uma das coisas que não se poderá jamais falar sobre James Murphy e seu LCD Soundsystem é que eles não tentaram.
Aliás não só tentou como se transformou em um alquimista de primeira. E isso fica evidente desde as primeiras audições do disco 45:33.
Uma compilação pesada de notas binárias que mostravam que nada mais seria o mesmo.
Não seria mesmo???
A impressão quando se ouve pela primeira vez THIS IS HAPPENING, disco que vazou a semana passada e de cara já causou amores incontroláveis e piadinhas, é de que pode ter ocorrido uma cópia mal feita dos dois trabalhos anteriores da banda (o seminal LCD Soundsystem e o espetacular Sound Of Silver).
Mas como toda história tem um mas.......
Se você acompanhar todas as canções do LCD você vai perceber que sempre o peso das letras mais cheias de confissões e em alguns pontos de uma cínica melancolia, são as canções que mais transcenderam. Losing My Edge, All My Friends, Watch The Tapes e por aí vai.......
Mas isso é uma característica que não dá para facilmente ver nesse disco novo. Se o anterior era o manual de alquimia sobre como montar canções épicas misturando Michael Jackson, punk, pop funk e house, o último e tão anunciado disco da banda tem uma nuvem cinza que percorre seus ouvidos desde os primeiros minutos.
Não que as músicas sejam depressivas, muito pelo contrário.
Mesmo com o início vagaroso de DANCE YRSELF CLEAN, existem referências magistrais de trilha sonora de sessão da tarde, com um funk houseado que se fundem depois de três minutos de canção. E é aí que já se percebe que nunca ninguém pode acusar Murphy de, por mais depressivo que fique, não saiba como fazer alguém usar o esqueleto de forma abrasiva. A bateria característica da banda está lá e a vontade de não parar também, mas os quase nove minutos de canção podem parecer exagero. Mas quem ouve a banda desde o começo já sabe que a viagem está apenas começando. E essa primeira canção mostra outro lado do disco, que parece querer fechar um ciclo. Afinal de contas essa música é isso....
DRUNK GIRLS é o primeiro single disparado, já tem clip (dirigido por Spike Jonze). A mesma linha de Watch The Tapes, com o refrão cantado até o cansaço e as guitarras disformes que lembram novamente os anos oitenta.
Mas não tem cara de single, por parecer uma cópia do que já foi visto, mesmo assim é muito melhor que a média atual. Abre-se então um perigoso auto plágio.
A pancadaria estelar retirada de filmes de ficção misturada com toques mais industriais da eletrônica que ONE TOUCH promete nos seus primeiros segundos, retormar o alcance de pistas que esse disco tem. Mais uma vez a música é longa e tomada de alucinações auditivas proporcionadas pelas mudanças nos sintetizadores de lava que a banda possui. Sangrar os pés ao som do bate estaca talvez não fosse a idéia inicial, mas ela será seguida à risca por qualquer um que se levar pela hipnose.
E assim temos mais uma canção ciclo.
ALL I WANT é a mais bela do disco. As nuances desconexas que iniciam de maneira à deixar a impressão de apenas um pop rock básico shoegaziano, são completamente desviadas durante o percurso da canção. A voz menos anasalada de James faz com que uma suavidade invada seu tórax e leve para lugares acima daquela nuvem cinza que pairava sobre o disco. A visão em forma de tomada ampla de Kubrick, faz com que você saiba que essa música seria quase que uma espécie de Amnesiac de Sound Of Silver. E em um cresccente que se torna quase inesquecível a banda retoma seu posto de mago.
Mas não tem cara de single, por parecer uma cópia do que já foi visto, mesmo assim é muito melhor que a média atual. Abre-se então um perigoso auto plágio.
A pancadaria estelar retirada de filmes de ficção misturada com toques mais industriais da eletrônica que ONE TOUCH promete nos seus primeiros segundos, retormar o alcance de pistas que esse disco tem. Mais uma vez a música é longa e tomada de alucinações auditivas proporcionadas pelas mudanças nos sintetizadores de lava que a banda possui. Sangrar os pés ao som do bate estaca talvez não fosse a idéia inicial, mas ela será seguida à risca por qualquer um que se levar pela hipnose.
E assim temos mais uma canção ciclo.
ALL I WANT é a mais bela do disco. As nuances desconexas que iniciam de maneira à deixar a impressão de apenas um pop rock básico shoegaziano, são completamente desviadas durante o percurso da canção. A voz menos anasalada de James faz com que uma suavidade invada seu tórax e leve para lugares acima daquela nuvem cinza que pairava sobre o disco. A visão em forma de tomada ampla de Kubrick, faz com que você saiba que essa música seria quase que uma espécie de Amnesiac de Sound Of Silver. E em um cresccente que se torna quase inesquecível a banda retoma seu posto de mago.
Um clima de discoteca dos anos 70 aparece de repente com I CAN CHANGE, há uma semelhança dos acordes eletrônicos, como se I Feel Love de Donna Summer fosse tocada em rotação um pouco mais lenta. Muito glitter e bolas reflexivas, mas como se a pista de dança fosse movida por lítium. Como história da música essa canção é uma aula e tanto, muito pelas variações e mudanças que colocam uma década de disco music dentro de um pouco mais de cinco minutos.
E se All I Want é a mais bela, a decolagem rumo as nuances épicas de Sound Of Silver apenas aparece claramente em YOU WANT A HIT.
Essa canção me lembra um entrevista do Renato Russo onde ele diz que o clima daquele disco da Legião Urbana, V, foi proposital. Gravado mais lentamente, com as canções soando pesadas e tristes, com toda a melancolia e a sensação que o disco demora a passar.
Não existe comparação entre as duas bandas, mas talvez seja essa idéia com esse disco. Soar um pouco anti climático em relação a não fazer um novo épico. E a letra dessa canção é assim (Murphy canta "you wanted a hit, but maybe we don't do hits"/você quer um hit, mas talvez a gente não faça hits). A letra prossegue perguntando se você vai querer saber qual é a verdade e a resposta é sempre naquele tom de cinismo melancólico. E onde existe cinismo as canções se tornam inesquecíveis. Pronto esta aí um anti hit de nove minutos visceral com guitarras em ritmos de juventude sônica e sons kraftwerkianos.
E se All I Want é a mais bela, a decolagem rumo as nuances épicas de Sound Of Silver apenas aparece claramente em YOU WANT A HIT.
Essa canção me lembra um entrevista do Renato Russo onde ele diz que o clima daquele disco da Legião Urbana, V, foi proposital. Gravado mais lentamente, com as canções soando pesadas e tristes, com toda a melancolia e a sensação que o disco demora a passar.
Não existe comparação entre as duas bandas, mas talvez seja essa idéia com esse disco. Soar um pouco anti climático em relação a não fazer um novo épico. E a letra dessa canção é assim (Murphy canta "you wanted a hit, but maybe we don't do hits"/você quer um hit, mas talvez a gente não faça hits). A letra prossegue perguntando se você vai querer saber qual é a verdade e a resposta é sempre naquele tom de cinismo melancólico. E onde existe cinismo as canções se tornam inesquecíveis. Pronto esta aí um anti hit de nove minutos visceral com guitarras em ritmos de juventude sônica e sons kraftwerkianos.
POW POW acelera o disco que teima em ser lento, como uma criança birrenta. O início lembra a última faixa bônus de Traveling Without Moving do Jamiroquai. Funk maléfico em uma letra que parece um looping claustrofóbico. Mais uma vez a maneira copiada de cantar de Losing My Edge pode até fazer você torcer o nariz, mas o disco é uma despedida, então um remake de algum som já feito nem chega à ser um pecado mortal, mesmo a música não empolgando tanto.
O início Nightclubbing de SOMEBODY IT'S CALLING ME, faz aquela famosa nuvem que estava acima das cinzas do vulcão descer novamente. A impressão de despedida é nítida, como se estivessemos vendo os últimos estertores de um paciente agonizante, mas feliz pelo próprio desaparecimento. As citações à tantas outras canções incomodam um pouco essa altura, mesmo porque se você esperava um novo e acachapante disco, acaba tendo que aceitar que esse final é mais triste do que você imaginava. A hipnose não mais funciona e acordar dessa maneira pode ser frustrante.
HOME não traz nada de novo, mas mesmo quando a medíocridade ameaça chegar perto de uma banda como o LCD Soundsystem, ela se faz melhor. O clima mesmo de chegada ao ponto de partida depois de uma viagem é o que existe dentro dessa faixa. Mas essa impressão talvez mais uma vez seja desesperadora se você, devorador afoito de hits ainda não se convenceu de que a bela canção de despedida do LCD é exatamente isso. Um adeus cercado de um último e longo suspiro em direção ao fim inevitável.
It's All Happening, não é nem sombra de Sound Of Silver. Aliás esse disco é talvez o mais fraco de todos, mas o ciclo é fechado de maneira correta. James Murphy termina uma história com a banda fazendo aquilo que ele mais gosta, enchendo seu cérebro de referências que muitas vezes nesse disco, podem parecer disfarces intelectuais de falta de criatividade. Mas depois de criar músicas como Tribulations, Movement, Daft Punk It´s Playing In My House, All My friends e outras, eles mereciam fazer algo mais tranquilo sem a obrigação de serem gênios. Humanos da maneira mais digna e bacana que se pode ter.
Saudades sentiremos!!!!!!!
O início Nightclubbing de SOMEBODY IT'S CALLING ME, faz aquela famosa nuvem que estava acima das cinzas do vulcão descer novamente. A impressão de despedida é nítida, como se estivessemos vendo os últimos estertores de um paciente agonizante, mas feliz pelo próprio desaparecimento. As citações à tantas outras canções incomodam um pouco essa altura, mesmo porque se você esperava um novo e acachapante disco, acaba tendo que aceitar que esse final é mais triste do que você imaginava. A hipnose não mais funciona e acordar dessa maneira pode ser frustrante.
HOME não traz nada de novo, mas mesmo quando a medíocridade ameaça chegar perto de uma banda como o LCD Soundsystem, ela se faz melhor. O clima mesmo de chegada ao ponto de partida depois de uma viagem é o que existe dentro dessa faixa. Mas essa impressão talvez mais uma vez seja desesperadora se você, devorador afoito de hits ainda não se convenceu de que a bela canção de despedida do LCD é exatamente isso. Um adeus cercado de um último e longo suspiro em direção ao fim inevitável.
It's All Happening, não é nem sombra de Sound Of Silver. Aliás esse disco é talvez o mais fraco de todos, mas o ciclo é fechado de maneira correta. James Murphy termina uma história com a banda fazendo aquilo que ele mais gosta, enchendo seu cérebro de referências que muitas vezes nesse disco, podem parecer disfarces intelectuais de falta de criatividade. Mas depois de criar músicas como Tribulations, Movement, Daft Punk It´s Playing In My House, All My friends e outras, eles mereciam fazer algo mais tranquilo sem a obrigação de serem gênios. Humanos da maneira mais digna e bacana que se pode ter.
Saudades sentiremos!!!!!!!