
De tempos em tempos a sociedadde americana nos surpreende. Seja por um carro bomba no Central Park em Nova Yorke ou por uma hipócrita crise de consciência de uma jogador de golfe, em um país que arrecada milhões de dólares em pornografia.
E esse mês nossos irmãos americanos do norte nos espantam outra vez. Primeiro com a indústria pornográfica clamando em rede nacional para todos os mãos peludas yankes, não baixem conteúdo adulto de graça, pois a indústria está perdendo dinheiro. Outro paradoxo americano, se levarmos em conta a quantidade de pessoas que lucram com os mais diversos serviços ligados ao mundo do erótico. Se lembrarmos que uma das maiores fortunas da internet é do dono do Adult Finder Friend, site de encontros adultos, assim como muitas outras pessoas que vendem shows em web cams com meninas que se masturbam ou se despem para milhares que pagam mensalmente, então essas reclamações se tornam no mínimo paradoxais.
Mas a maior surpresa que a barackolândia vai produzir esse mês não será a pornografia, mesmo com as apelativas adaptações de séries e filmes para o formato pornô (a versão vintage de Batman já é um sucesso muito antes de ser lançada).
O que será sentido muito mais do que a crise no cinema adulto será a que acontecerá após o dia 23 de maio de 2010 em todos os adultos que semanalmente se encaixam em suas cadeiras para assistir aos episódio de Lost.
Sim não tem mais volta, a série mais inovadora dos últimos tempos vai deixar de existir nesse mês de maio. Na verdade o destino dela já estava traçado desde a concepção. Os escritores e produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof depois de escrever o piloto da série, que foi aprovado ainda como apenas um esboço, já sabiam como tudo terminaria. O que era o maior desafio e sempre manteve o interesse em tudo, era como eles iriam chegar do ponto A ao B de uma maneira inédita.
E a viagem que foi colocada diante de todos que ousaram acompanhar tudo o que aconteceu depois que o personagem de Matthew Fox (Jack ) abre os olhos, foi no mínimo diferente. Começando pelo piloto de duas horas que mais parecia um filme de ação do que uma série de tv. A sequência da descoberta dos destroços do voô 815 da Oceanic (esse nome e número serão duas entre as inesquecíveis coisas sobre a série), ainda hoje e mesmo assistindo pela enésima vez é capaz de segurar sua respiração e não existe uma única vez que ao vermos o cara sendo sugado pela turbina e explodindo tudo ao redor, não ficamos com aquela sensação de pavor constante.
O ritmo acelerado e a apresentação dos personagens de uma forma que misturava o drama, humor (a primeira cena que o personagem Charlie aparece com um destroço caindo ao seus pés é hilária) e porque não até os exageros, foram dosados de maneira à se tornarem vícios televisivos.
E nisso a série foi primorosa. Criou uma mitologia ao redor dela que pode ser comparada aos grandes nomes como Jornada Nas Estrelas ou Perdidos No Espaço. Porque ainda não nasceu nesses seis anos uma série de tv que conseguiu aproveitar de maneira tão eficaz e poderosa uma gama de mídias que fez com que não se tornasse apenas uma evento nacional, mas sim de um planeta inteiro.
A prova disso foram todos os ARG que a série disponibilizou durante esses seis anos. O jogo de realidade alternativa que se passava na internet, apresentava pistas sobre a história da série (o primeiro desvendou todos os segredos do projeto Dharma e das organizações Widmore e Hanso, assim como o que as pessoas estavam fazendo na ilha). Os fãs da série tinham que coletar pistas deixadas em comerciais de tv, cartazes colados em carros, montar e editar filmes que mostravam mais pistas e perguntas. Mas não foi só isso.......
Uma das maiores provas que a série seria épica foi logo depois do início do primeiro jogo de relidade alternativa. A personagem, uma menina hacker que se chamava Rachel Blake (interpretada pela atriz Jamie Silberhartz), realizou uma cena de confronto com os produtores da série dentro da Comic Con, e a reação das pessoas já deu uma idéia do que aconteceria.....
Mas Lost foi além de um simples jogo on line que arrebatava milhões de pessoas ao redor do mundo (perdi a conta de quantas madrugadas passei conversando com milhares de pessoas que nunca conheci sobre as teorias que eram jogadas no terceiro ARG). A série conseguiu a cada ano expandir com maestria a experiência de se assistir à uma série de televisão. As perguntas sempre deixadas sem respostas e os mistérios sobre o eletromagnetismo, a fumaça negra e toda a trama que a cada semana trazia um carrilhão de dramas paralelos sobre amor, redenção, coragem, amizade e vingança. Tudo isso embalado em física quântica.
Faltam apenas dois episódios, e um vazio ventricular faz com que no meio desse texto eu pare.......
Reflito por dois segundos e como Desmond coloco a alma para viajar pelas realidades paralelas que todos vivemos durante esses seis anos onde nossos corações sofreram com os personagens e nossos cérebros não paravam de retumbar a frase: "Que porra é essa?????"
Lost vai deixar um vazio enorme dentro do nosso peito (dentro do meu pelo menos vai), as semanas de espera pelo episódio, a preparação em frente ao computador toda madrugada de terça para assistir quarenta e dois minutos onde a alma disparava com o medo, as lágrimas pela morte de Charlie, Sun e Jin nos pertubaram ou a felicidade que nesse momento emociona do episódio The Constant.
Faltam apenas dois episódios, e um vazio ventricular faz com que no meio desse texto eu pare.......
Reflito por dois segundos e como Desmond coloco a alma para viajar pelas realidades paralelas que todos vivemos durante esses seis anos onde nossos corações sofreram com os personagens e nossos cérebros não paravam de retumbar a frase: "Que porra é essa?????"
Lost vai deixar um vazio enorme dentro do nosso peito (dentro do meu pelo menos vai), as semanas de espera pelo episódio, a preparação em frente ao computador toda madrugada de terça para assistir quarenta e dois minutos onde a alma disparava com o medo, as lágrimas pela morte de Charlie, Sun e Jin nos pertubaram ou a felicidade que nesse momento emociona do episódio The Constant.
Vou ficar orfão do mesmo jeito que acabei quando o Garagem terminou pela segunda vez, a diferença é que eu ainda tenho o programa de rádio.Lost será uma daquelas saudades que arderão no começo, por não estar mais presente, mas com o tempo sempre teremos aqueles discos cheios de tudo que um ser humano precisa para se sentir vivo.