
Em 2010 adolescentes com 16 anos são responsáveis por sites inteiros e fazem disso uma profissão tão séria que os pontos tensionais são mais retesados que qualquer carranca indígena.
Alan Moore com 18 anos era desempregado e não tinha perspectiva nenhuma de vida.....
Mas isso não fez crescer trauma algum, em um dos grandes gênios de nossa época. Talvez tenha sido essa fase mais dura que moldou todo o modus operandi do escritor, cartunista, roteirista e nas horas vagas mago.
A fundação da revista EMBRYO, a presença constante no Laboratório de Artes de Northampton (cidade onde nasceu) e o trabalho na revista de música SOUNDS apenas prepararam o terreno para o início acachapante como cartunista.
Nas tiras que Moore desenhou para a história sobre um detetive (Roscoe Moscou) já se via toda a anarquia do trabalho, que anos depois tornaria-se seminal dentro dos quadrinhos. E nem tem como não dizer que tudo acabaria culminado com Watchmen que é até hoje um dos melhores romances de ficção já escritos.
Moore não apenas revolucionou a maneira de se contar uma história, mas sim o conteúdo onde elas viriam embaladas.
O que nos leva ao mais recente trabalho do autor, UNEARTHING.O box projetado para ser lançado nos dias 5 e 6 de junho desse ano, não é uma história em quadrinhos. A conjunção de vinil, livro de fotografias e história contada com trilha sonora feita primordialmente pelo projeto musical Crook&Flail (Andrew Brother) e pelo músico de rap Doseone, se encaixa muito mais na definição de audio-book.
Uma história que fala sobre um personagem envolvido na indústria dos quadrinhos. Mesmo com os envolvidos no projeto não conseguindo definir bem do que se trata a história, o plote sobre a indústria faz pano de fundo para a visão de Moore sobre o mundo em que vivemos.
O box virá com toda a história em dois cds e vinil. Mais um disco com a trilha sonora apenas, um caderno de fotografias feitas por Mitch Jenkins e outro com o manuscrito original da história.
Não bastasse tudo isso, ainda existem as participações de convidados na trilha sonora, dentre os nomes estão, Mike Patton, Stuart Braithwaite (Mogwai) e Justin Broadrick.
Mais uma vez Moore vai na contramão da história, em um mundo onde a maior sensação esse ano foi o lançamento de um aparelho onde todas as experiências podem ser feitas em um único lugar. No mundo do I-Pad o escritor mostra que a verdadeira experiência é usar todos os sentidos, através do estímulo sensorial completo, não feito por uma lousa mágica gigante. Inovador usando todo o tipo de mídia.
E esse cinismo em usar a indústria contra a indústria é que faz de Moore um autor imperdível e clássico de nossa era. Mesmo porque não é todo mundo que trabalha com uma das bandas mais hypadas do momento (Gorillaz), para fazer uma ópera sobre um alquimista do sec. 14.
Ouça um trecho do audio -book UNEARTHING abaixo.
Que essa sociedade moderna não está funcionando mais todo mundo já sabe, mas quais os exemplos que serão deixados para as gerações futuras????
Talvez essa pergunta tenha passado pela cabeças da dupla THE BLACK KEYS quando montaram a história para o videoclip oficial de TIGHTEN UP. Sem o hilário dinossauro, o pano de fundo é uma divertida história sobre um triângulo amoroso entre três crianças. Nos mesmos moldes que os adultos, com direito a rasteiras e sopapos.
Uma imagem bem humorada para uma crítica certeira sobre a maneira que estamos educando nossas crianças, uma perda de inocência travestida em parque de diversões. O preço cobrado pela ridicularização dos adultos ao se tornarem exemplos de caricatura quando o assunto é ajudar a formar o caráter dos filhos.
Esssa violência cartunesca (também usada em Kick Ass, o filme), passa desapercebida muita vezes, mas lá no fundo de sua cabeça um ponto de interrogação poderá ser formado
Assista......