
Em tempos de Copa, permito me deixar levar por pedaços de emoções. Dou acesso para que o hino me comova mais do que deveria e a cada repetição daquela defesa ou gol é como se uma magia calamitosa fosse desenhada por um pedaço de telha pontiaguda, daquelas que quando criança eu usava para fazer as capas de discos no asfalto.
Sempre achei o futebol a mais bela de todas artes feitas com os pés, afinal de contas metaforizar um sentimento através de chuteiras, é algo para artistas. E os entrecantos da alma me fazem torcer, pelo simples fato de achar que nosso país é mestre nessa arte.
E nesse relato não cabe as reclamações sobre armações ilimitadas de nossos cartolas trôpegos que se equilibram entre um fio de navalha, fazendo dos expectadores meros bêbados. Se ao cair da tarde um de nós, alcóolistas trajando luto, conseguirmos sentir que um fio maravilha de lágrima expande nossa respiração, é sinal que ainda dentro desse peito sofrido por marcos civis vexatórios bate um emaranhado de ventrículos sônicos.
Sempre caberá a torcida pelo nosso país, sempre caberá a reclamação pelas meretrizes atrás das mesas de corporações que fundem a anomalia genética da corrupção em termos reais ou de cruzados novos. Mas hoje não é dia de escancarar a anarquia desenfreada.....
É dia de entender que de uma vez por todas temos a obrigação de caminhar em frente e que podemos e devemos fazer história. Se a alma humana é feita a imagem e semelhança de um ser chamado de firmamento onipotente e onipresente, temos a ordem de sermos nada mais nada menos que deuses movedores de montanhas. Curar chagas escondidas por sorrisos rotos e rasgar a fantasia de inferioridade que somos compelidos à usar. O vinho só vira água se nosso toque puder transcender a existência e deixar marcas permanentes que se espalham em forma de polinização aguda.
E é bom saber que em outubro poderemos contar daqui a vinte ou trinta anos que estivemos em um lugar que mudou a história. Porque não se enganem, meus amados leitores causadores de caos, nos dias 9, 10 e 11 de outubro estaremos presenciando uma onda de energia transcedente que será capaz de emocionar um planeta todo.
O festival de música SWU MUSIC AND ARTS FESTIVAL, já vinha sendo concebido pelo menos desde o ano passado. Lembro bem porque na mesma época em que o SXSW de 2009 tomava as manchetes, nosso blog já fazia concatenações à respeito do que poderia tornar-se a versão brasileira de Woodstock. Um ano e alguns meses se passaram e ontem finalmente pude ver algo que um dia sonhei por entre nuvens macrobióticas de satividade canabiana.
Nesses três dias, a Fazenda Maeda na cidade de Itu receberá uma platéia estimada de 250.000 pessoas em contas de capacidade total do evento. Serão 60 bandas espalhadas por 4 palcos e uma tenda eletrônica. (Veja o mapa no final do post).
A empreitada começou quando Eduardo Fischer,presidente do Grupo Totalcom e idealizador do projeto, inciava uma série de conversas com pessoas que poderiam levar à diante a idéia de um festival, que nas palavras do padrinho do evento Serginho Groisman pudesse "além de perguntar que mundo nós queremos deixar para nossas crianças, vale a pena perguntar também, que crianças (ou seres humanos ) nós queremos deixar para o nosso mundo". E existe melhor maneira do que fazer isso em um lugar com a arte mais curativa de todo planeta, a música?????
Em outubro nós teremos nossa copa do mundo em adianto de quatro anos. Serão várias nações em forma de bandas, músicos, artistas e palestrantes que estarão olhando diretamente por dentro de retinas sedentas de sons e palavras. Cinética que aproxima forças vulcânicas de motricidade, fazendo com que por três dias, o sangue flua por uma quantidade infindável de artérias que nutrirão milhões de ventrículos apaixonáveis.
É gol, momento sublime de um 1958 quando Pelé mesmo tomando duas saraivadas de brancos caucasianos fez dois dribles e bateu de chapa no canto do goleiro indefeso diante de tamanha magnitude iônica.
Linkin Park, Dave Matthews Band, Incubus e Pixies. Os quatro cavaleiros do apocalipse ecológico que se aproxima de nossas terras avermelhadas de pau-brasil extinto, confirmaram a presença.
E que me desculpem os céticos de plantão, mas saber que irei ver de perto os Pixies me emociona em toneladas de um tanto que chega à doer na alma. Catarse pura e elucidativa que rasga qualquer pedaço de pele fria e morta, trazendo cada tendão exposto por correntes elétricas pulsantes. It´s educationaaaaaaaallllllllllllllllllllllllllll!!!!!!!!!!!!!
Total Com, Groove Concept (a nova empresa que já gerou o Maquinaria) e o Grupo Total Demand, trazem uma idéia de não apenas realizar um festival de música. Mostram a mudança de direção nesses eventos, copiando sim as idéias que já existem lá fora, mas usando a parte boa de todas elas. Intervenções regidas por Eduardo Srur, conhecido artista plástico que já fez do Rio Tietê uma obra, dividirão espaço com vinte atrações musicais diárias (as especulações e idéias mais abaixo) e com o Fórum de Sustentabilidade que tem a curadoria de Kate Dohring, fundadora do Wealth Living and Giving, empresa de filantrópica que reúne uma revista, website e consultoria para fundos de doações.
Nomes de peso para essa festa não faltam. O homem atrás da cortina de eventos como a abertura da Copa, David Saltz também aparece como peça chave dentro de todo o conceito do festival. David também realiza os shows do intervalo do Superbowl americano e esteve nos projetos Beatles Anthology e Stones At Exile (o documentário que conta sobre o disco de 1972, Exile On Main St.). Trilha sonora da massiva campanha publicitária que iniciou-se hoje foi feita pelas mãos do Pearl Jam (com a música Just Breath), com a voz de Nando Reis.
E agora é que a parte boa começa, a antecipação de saber quem é que virá para o festival. Já estalam os dentes de todos, quando nomes como Smashing Pumpkins e outros milhares que povoam nossas mentes pipocam por fóruns e tópicos de discussão.
Quem eu queria ver???
Obviamente que Queens Of The Stone Age mais o Rage Against The Machine seria épico.
Strokes e Arctic Monkeys também viriam bem à calhar, Kylesa é uma das bandas que fariam diferencial, assim como Arrows Of Love, Insect Guide e Phoenix.
Arcade Of Fire seria bacana para um fim de tarde, do mesmo jeito que Deftones é uma bela pancada de início de noite. Soundgarden é uma das bandas arrebatadoras.
Super Furry Animals e Flaming Lips para uma noite lisérgica, acompanhados do Wilco. Black Keys, Wolf Parade e um The Mars Volta para descompensar o tímpano. Yo La Tengo e Teenage Fanclub acompanhados de Fate Lions.
Uma linha verde amarela de Moxine, The Midnight Sisters, Minibox Lunar, Móveis Coloniais, Cidadão Instigado, Holger e Superguidis seria demais também.
Mas juntar Dylan e McCartney, aí sim seria história sendo feita......
Mas o importante nem é isso.
O que vale à pena dentro desse mundo em que vivemos é a capacidade de deixar-nos levar por uma capacitância que mostra todas as cores de dentro do seu peito implodirem em emoções retiradas de palavras cantadas em uníssono por gargantas flamejantes. Temos que sempre cobrar a ordem correta de quem fala em cenários épicos e de beleza ímpar dentro de um país que é assolado pela fome e violência.
Cobraremos sim, afinal de contas o mundo hoje é menor e as lembranças não mais se apagam de maneira rápida. Mesmo sabendo que o evento é histórico e que as grandes empresas tem visões diferentes dos orgãos públicos (que são mais permeáveis a cobranças da população), não podemos deixar de entender que o consumidor é que manda. Ainda mais em um mundo onde todos estamos separados por apenas um clique de mouse.
Mas deixar a emoção de saber que um dia você esteve diante de gigantes que empunhavam guitarras telepáticas e metralharam a sua cadência afetiva com nada menos que descomunais quantidades de balas contra a apatia de viver, é sim motivo de deixar correr a lava viva dentro do seu plexo central.

Quem eu queria ver???
Obviamente que Queens Of The Stone Age mais o Rage Against The Machine seria épico.
Strokes e Arctic Monkeys também viriam bem à calhar, Kylesa é uma das bandas que fariam diferencial, assim como Arrows Of Love, Insect Guide e Phoenix.
Arcade Of Fire seria bacana para um fim de tarde, do mesmo jeito que Deftones é uma bela pancada de início de noite. Soundgarden é uma das bandas arrebatadoras.
Super Furry Animals e Flaming Lips para uma noite lisérgica, acompanhados do Wilco. Black Keys, Wolf Parade e um The Mars Volta para descompensar o tímpano. Yo La Tengo e Teenage Fanclub acompanhados de Fate Lions.
Uma linha verde amarela de Moxine, The Midnight Sisters, Minibox Lunar, Móveis Coloniais, Cidadão Instigado, Holger e Superguidis seria demais também.
Mas juntar Dylan e McCartney, aí sim seria história sendo feita......
Mas o importante nem é isso.
O que vale à pena dentro desse mundo em que vivemos é a capacidade de deixar-nos levar por uma capacitância que mostra todas as cores de dentro do seu peito implodirem em emoções retiradas de palavras cantadas em uníssono por gargantas flamejantes. Temos que sempre cobrar a ordem correta de quem fala em cenários épicos e de beleza ímpar dentro de um país que é assolado pela fome e violência.
Cobraremos sim, afinal de contas o mundo hoje é menor e as lembranças não mais se apagam de maneira rápida. Mesmo sabendo que o evento é histórico e que as grandes empresas tem visões diferentes dos orgãos públicos (que são mais permeáveis a cobranças da população), não podemos deixar de entender que o consumidor é que manda. Ainda mais em um mundo onde todos estamos separados por apenas um clique de mouse.
Mas deixar a emoção de saber que um dia você esteve diante de gigantes que empunhavam guitarras telepáticas e metralharam a sua cadência afetiva com nada menos que descomunais quantidades de balas contra a apatia de viver, é sim motivo de deixar correr a lava viva dentro do seu plexo central.
