
Tudo começa exatamente em setembro de 2009. Mais precisamente em uma ilha onde nasceram bandas como o Clash, Kinks, Arctic Monkeys e em especial um programa de TV chamado THE X-FACTOR.
O programa inglês produzido por Simon Cowell, o mesmo jurado do American Idol, é um show de calouros mais pomposo e bizarro. Mas como tem esse apelo popularesco gigante, as audiências são sempre grandes. Uma prova é saber que os patrocinadores do programa durante esses anos foram Nokia, Talk Talk e The Carphone Wharehouse. Não foge da fórmula batida e além do mais andava já a três anos ganhando o single de Natal na Inglaterra.
A escolha da canção natalina inglesa leva em consideração as vendas na semana que antecede o Natal, ou seja quem vende mais, chora menos. Elvis, Beatles, Slade, Queen, Spice Girls já levaram o prêmio. Mas em 2009 uma coisa revolucionária aconteceu....
Entrando com o pé na porta (e no peito) do modus operandi da indústria, o RAGE AGAINST THE MACHINE resolveu marcar a volta da formação original com um desafio. Mostrar que uma canção feita há dezessete anos ainda poderia ter a força necessária para arrancar do topo uma coleção de músicas melodiosas e encomendadas aos shows de calouros que além de não acrescentarem em nada, ainda por cima fazia com que os produtores ficassem cada vez mais ricos.
A canção escolhida pela banda foi KILLING IN THE NAME, do primeiro disco da banda que pelo que pode-se ver nos shows atuais, ainda faz estragos na platéia. Com Tom Morello decretando que seria uma luta entre Davi e o Golias do X Factor, uma campanha via Facebook começou a ser realizada, coordenada pelo casal (John e Tracy Morter). A banda endossava a campanha, dizendo que o dinheiro arrecadado pelas vendas seriam usado em instituições que trabalham com desabrigados na Inglaterra (coisa que o The X Factor durante três anos não fez).
O resultado:
520.000 downloads e uma arrecadação de aproximadamente 168.000 libras em vendas do single, garantiram que a canção destronasse o programa de auditório fazedor de tendências, assim dando um grande cala a boca nos marketeiros de plantão e ainda por cima mostrando que, as coisas muitas vezes jogadas como sendo de qualidade, ainda tem muito que aprender com o passado.
E para comemorar a vitória, a banda realizou nesse último dia seis, um show gratuito que reuniou nada menos que 40.000 pessoas. Com direito à cover do Clash (White Riot), a banda ainda chamou ao palco o casal responsável pela vendetta sonora e anunciou que todo o dinheiro iria para a caridade.
Enquanto as especulações sobre a vinda do RATM para o Woodstock/Maquinaria não se resolvem, resta torcer para que nesse final de ano nossos ouvidos possam usufruir de alguns singles natalinos como esses.....