
Paixões são avassaladoras porque são desprovidas de lógica. Muito distante de qualquer tentativa tosca de entender do que é feito um sentimento que invade invariavelmente milhares de pequenas estruturas de energia solidificada em forma de batimentos em um músculo de quatro câmaras.
Mas a fisiologia não explica o repique, o arredio furor de alma que se move por entre as pequenas canções, notas ou danças que são capazes de transmutar uma lágrima co-sanguínea em sorriso solto nos parlapatosos picadeiros de alegria.
Apaixonar-se pela arte e sentir cada centímetro de dor em cada verso. Saber o que significam leves disfunções nas melodias e emocionar-se com elas. Não tem conexão com a lógica e racionalidade. A paixão que conecta um ser humano à música de qualquer um é mistério muito maior do que o quem somos e para onde vamos. Físicos tetraédricos em seus cavalos alados matemáticos jamais conseguiram decifrar a equação, que faz com que sentimentos sejam expostos em flor de pele emocionada. Podem até tentar, mas não existe uma fórmula que tenha a solução para esse entendimento.
Gostar de música e seus trovadores é missão ilógica de alma, que não muda só porque toda a manhã de segunda, obrigatoriamente aquele passarinho vai entoar seus desesperos rotineiros. Não há mesmice nessa paixão, nem tempo de ver tudo diminuir.....
Semana passada relembrou-se a morte de um desses ícones, Michael Jackson. E as pessoas que seguem o GD mandaram mensagens e notas sobre o passar de um ano de pesar pela perda que eles sentiram. Mas existem os que sentem e os que fazem suas veias pulsarem por quilômetros de distância em um mar de mentes. FELIPE KARAM (felipe.krm@gmail.com) é uma dessas almas que sangraram por entre claves de sol.
Seu desabafo em forma de carta causou comoção por aqui. Por isso publicamos na íntegra o seu desalinho em acalento.......
"Pessoal,
Infelizmente não tenho todos os amigos e queridos na lista de e-mail, mas de qualquer maneira, eu gostaria de compartilhar algumas palavras e, principalmente, alguns passos de dança sobre o mistificado Michael Jackson, persona non grata para muitos, louco de pedra para o resto.
Senti que precisava escrever alguma coisa sobre o "tal do Rei do Pop" e resolvi exteriorizar o que realmente penso sobre ele, sem a mínima pretensão de mudar a cabeça de ninguém, mas apenas com o desejo de, com o coração aberto, compartilhar alguns pensamentos que martelavam aqui dentro.
Para aqueles que não quiserem ler, seja porque o texto ficou grande ou porque pode soar para alguns como mais um "besteirol" vazio e inútil de mais um fã bobo, sugiro que apenas assista o vídeo, cujo link está no final da mensagem, e se divirta com o meu singelo tributo! =)
Caso contrário, fico muito grato pelo tempo despendido!
Passeando por esse mundo maravilhoso de bytes e conexões binárias, surigu uma vontade de escrever o que penso e sinto sobre Michael Jackson. Não sei por quê. E mais do que isso, queria compartilhar com pessoas que me são queridas!
Eu raramente escrevo e-mails (pra não dizer nunca, rs), mas hoje, sei lá por que diabos eu estou aqui.. digitando sem parar. Rs.
Parece que foi ontem quando ouvia os sons do Mega-drive no quartinho no fundo da casa antiga, haha parece música, mas ficava na rua Zero (a maior parte das ruas em Araraquara são conhecidas por números! Pra quem visitou a melhor cidade do interior nos jogos jurídicos, sabe do que estou falando...)
"Michael! Michael!" Gritavam as criancinhas que por ele eram resgatadas no jogo "Moonwalker". E quem jogava era meu irmão. Eu assistia e jogava de vez em quando.
Tempos depois ambos havíamos terminado o jogo diversas vezes... Isso há aproximadamente quinze anos... e eu já tinha quase 10. O estouro de Thriller já havia passado, meus irmãos foram diretamente afetados pelo impacto Jackson, assim como todos os jovens da época, mas os efeitos ainda reverberavam e forte nos anos noventa... pra depois diminuir aos poucos a vibração já próximo do ano 2000, e graficamente despencar com as famosas acusões e imputações equivocadas ao sujeito que no jogo resgatava as criancinhas e lutava contra os gangsters!
Passou rápido e já faz um ano que ele partiu, né?
Severamente criticado e atacado por todos os lados.
Mídia e Oportunistas urubus explorando seus nítidos transtornos psicológicos.
Alguém duvida que ele os tinha?
Tachado de louco (ou "Wacko Jacko" para a diversão dos tablóides, principalmente pro inglês "The Sun" criador do termo pejorativo).
Tachado de sem sentimentos e pedófilo, pois supostamente comia criancinhas abusando da cumplicidade, ingenuidade e pureza de espíritos dos pequenos.
Indefesas, todas corriam e se amontoavam para transar com Michael, iludidas pelo Peter Pan de Neverland.
É claro, como não? Ele adorava crianças e só tinha ao seu redor crianças. Quer motivo mais plausível?
Por isso ele as traçava todas.
O estranho é que a maior parte dos pais dos menores que visitavam a Neverland pareciam não ligar... pelo contrário, empurravam seus filhos pro colo do Peter Pan, influenciando-os a dançarem como ele e a imitarem-no e, quem sabe, ganhar uma brechinha no próximo comercial de TV ou videoclipe.
Mas não importa.. o que importa é que Michael comia todas.
A infância inteira ao lado de Michael Jackson, e também quando adulto prestigiando-o em seus concertos, Macauley Culkin nunca mencionou sequer uma atitude sexual duvidosa de Michael Jackson com relação a sua pessoa. "Ele nunca me tocou de um modo não apropriado. Isso é absolutamente ridículo".
Pesquisaram detalhadamente o seu órgão genital para tentar encontrar semelhanças com as alegações do menino Jordan Chandler e nada encontraram.
E o menino? Esperou o próprio ídolo morrer para então levar a público que foi forçado por seu pai a mentir e que estava profundamente arrependido.
E Bashir? Jornalista oportunista que incendiou a mídia com seu documentário? Para aqueles que não o assistiram, em "Living with Michael Jackson", Martin Bashir foi o cúmulo do cinismo e mostrou até onde vai a falsidade de um homem.
Após registrar 8 meses de momentos íntimos da vida de MJ, ele incendiou a imprensa com suposições e indícios dos crimes pelo qual Michael Jackson foi acusado.
Depois?
Como o pequeno (hoje grandinho) Chandler, esperou a sua morte para confessar que mentiu e está arrependido.
Agora essa onda de verdades e arrependimentos... devem se arrepender ainda mais de não terem mostrado que eram homens enquanto o réu ainda estava vivo... agora que se foi, é fácil desabafar...
Enfim, acho que o Michael os tocou mesmo depois da morte... devia ser muito incômodo guardar pra dentro de si as mentiras e as suas repercussões sobre uma pessoa como ele.
Mas voltando, logo após o exame, ele, Michael Jackson, concedeu uma entrevista aberta sobre a perícia feita no seu pênis, além de outras partes do corpo, nítidamente frustrado, triste sobre tudo aquilo, inconformado...
Só não enxergava aqueles que já tinham adquirido os seus tampões de olho cedidos pelas marcas Globo, Estadão e Folha, pra citar alguns nomes nacionais...
Do Paraguai então nem se fala! Todos usavam...mais baratos!
Já os tampões importados, ah.. estes pelo menos tinham luxo, era só usar e sair metendo o pau em outro idioma, e ainda, com "conhecimento de causa"! Diziam que haviam lido nos tablóides, porque jornal é coisa de pobre.
E, pasmem!
Absolvido do crime de pedofilia!
Mas antes disso tudo o povo já tinha a sentença na ponta da língua. Estava pronta, proferida pelo Tribunal de Justiça Tablóide. E ninguém dava o braço a torcer... não cabía mais recurso. Todo tipo de preclusão havia operado. Esquece. Michael Jackson é pedófilo, louco, racista, homossexual, estranho, problemático, eu já disse pedófilo?, mentiroso, etc.
Não importa! Podia Deus descer aos solos, que a escavadeira manipuladora da imprensa roncava seus motores mais altos que as vuvuzelas africanas, e os fiéis e fanáticos seguidores papagaiavam e não o perdoavam dos ataques urubusêscos.
Ataques gratuitos e desdém com suas íntimas convicções e, principalmente, pouco caso com suas palavras e sentimentos só aumentavam. Mais do que isso, pareciam esquecer de sua história, sua infância, e inclusive, de sua música e sua colaboração com o mundo.
Deixavam de perceber... de admirar que o homem era um gênio. Infelizmente, um gênio pouco compreendido.
"Gay! Pedófilo! Viado! Drogado! Bizarro!..."
Dá o pé Lôro... dá o pé, dá?
Mesmo assim, ele seguiu firme, acompanhado de milhões de fãs e, ao mesmo tempo, completamente solitário e depressivo em seu mundo interior. Desde pequeno o único lugar no qual se sentia bem era o palco!
Claro! No palco estava em casa... e digo mais, em casa e descalço!
E quando fez o moonwalk pela primeira vez em público em 1983?... Não descalço, obviamente, mas com seu inconfundível mocassim preto e meias saltadas brilhantes...
O mundo parou atônito e boquiaberto.
O que era aquilo? A TV teria rebobinado sozinha? Mágica? Truque? O que era aquilo?!
Para não dizer que só falei mal da imprensa (na qual também acredito existirem vantagens, claro!), neste momento os jornais louvaram e ergueram Michael ao topo!
Sucesso garantido para toda a eternidade.
E meeesmo assim... os lôros continuavam berrando e dando os pés:
"Gay! Pedófilo! Viado! Drogado! Bizarro!..."
Não demorou muito e já era o principal alvo da lavagem cerebral resultante do movimento de massa impulsionado pela mídia e tablóides fúteis.
Todos os dardos fincavam no dorso magrelo e agora esbranquiçado do homem cujo nome custava a sair do topo das paradas e dos primeiros lugares nas premiações.
Boatos equivocados e motivados tão somente pelo ganho de ibope e audiência de impressos e programas televisivos cegavam os mais desavisados e ainda neutros de opinião.
Neutros por pouco tempo... agora tornavam-se parciais e entravam para a Igreja aos bandos... tinham escolhido sua causa.
Oh!.. Santa Imprensa da Igreja das Massas! Cuidai e rezai por nós, pobres pecadores e ingênuos! Manipulai os fanáticos com cordas de aço! Marionetes! E os pastores:
"Gay! Pedófilo! Viado! Drogado! Bizarro!..."
O objetivo e principal preocupação do pastor era mantê-los preguiçosos em pesquisar, impedindo o alcance das opiniões próprias sobre qualquer que seja o objeto da pesquisa.
E o Michael Jackson era um baita de um objeto, sabiamente explorado por diversos ângulos. Rendia mais que Beatles, Elvis e Madonna. Lucrativo... todos o conhecem, e por que não aproveitar também do pedaço do bolo? Todos queriam a cereja engordurada de tantas mãos ambiciosas que alisavam-na.
Nesse contexto, "Leave me alone" e "Tabloid Junkie" foram algumas de suas canções voltadas especialmente pros fiéis desta Igreja.
Não adiantou... apenas botou mais lenha aumentando as chamas oportunistas.
No final da história, nem a absolvição nem a confissão de Chandler, nem Macauley, nem o Espírito Santo tirava da cabeça dos neuro-lavados que o Michael Jackson não era nada daquilo.
Aliás, talvez até o Espírito Santo estivesse corrompido pelas tão repetidas mentiras! Criação alemã. A publicidade engonasa é concretizada nos neurônios e labirintos da memória, e nada é capaz de arrancá-la das mentes dos homens. Torna-se verdade incontestável.
Tristemente, poucos se deram ao luxo de traduzir sequer uma linha de uma letra de uma canção, para buscar as suas verdadeiras emoções e intenções. Digo canção, porque era ali, no cantinho de cada verso, se preparando para entrar no refrão, que ele registrava o que vinha de dentro do seu coração: Natureza, homens, amor, música, crianças, mulheres, fãs e respeito ao próximo eram alguns dos temas.
A sua música, biografia mais autêntica do seu ser, sequer foi traduzida pelos papagaios que voavam e ainda voam por aí. Paraquedistas e oportunistas ainda caem a todo segundo em cima do magrelo doentio que se movia como ninguém.
Poucos buscaram talvez assistir algumas importantes entrevistas, como a da Oprah na Neverland, pra citar uma delas, nas quais ele dizia expressamente seus sentimentos. Tão clara a sinceridade carismática...
Poucos o viram discursar quando recebia os inúmeros prêmios musicais. Se ao menos escutassem algumas palavras, mesmo nestes rápidos discursos de prêmios musicais, garanto que despertariam algum sentimento diferente. É impossível não ser tocado por seus francos ideais.
Falar de Michael Jackson sem ter visto, ouvido ou traduzido nada disso é o mesmo que falar de Martin Luther King sem ter lido, ao menos uma vez, um de seus famosos discursos, como o de Washington, em 1963, nos degraus do "Lincoln Memorial".
Poucos se deram ao luxo de pesquisar de maneira imparcial para formar sua própria opinião, longe da manipulação do monstro magnético.
Poucos pesquisaram a fundo a sua origem, seus problemas, doenças físicas e psicológicas, bem como sobre os fatos que realmente aconteceram ou deixaram de acontecer com ele.
Poucos aproveitaram para pesquisar e checar o que poderia ser verdade e mentira.
Poucos perceberam o valor espiritual que tinha Michael Jackson.
Poucos tentaram entender melhor as circunstâncias sobre as acusações feitas a sua pessoa.
Poucos tentaram entender melhor quais as suas convicções e o que pensava e dizia sobre o mundo, sobre Deus, sobre a arte, os homens, as crianças, os animais, a música, a Natureza, o amor, a dança, o sucesso, a vida, a vaidade, a fama, a infância, a família, o negro e o branco, sobre ele mesmo.
Mas muitos se conformaram com as rasas linhas lidas nos jornais e apenas criticaram.
Faleceu, desencarnou, partiu. Morreu.
No céu, no paraíso, no inferno, no umbral, por aí, em outra dimensão, ou apenas pó, pros materialistas, sejá lá onde estiver, a depender da crença de cada um, hoje ele tenta descansar um pouco mais longe das besteiras infundadas e críticas superficiais que ainda teimam em tecer.
Pois acredite... as sequelas de todas essas criações mantidas pela mídia perduram... ah se perduram!
E as pessoas criticam... ah se criticam!
Na maioria das vezes, cheios de pedras nas mãos, mas de mentes vazias...
"Michael Jackson?! Ah.. aquele louco comedor de criancinhas!"
(Felipe Karam Alves - 30.06.2010)"