Como diria John Malkovich naquele filme sobre pôquer, ultimamente no quesito música as pessoas parecem querer apenas uma rapidinha e mais nada.....
A equação consumo desenfreado versus o lucro que as bandas precisam ter para sobreviver de música, parece não querer apresentar solução. Mas existem cada vez mais pessoas que tentam entender o que a evolução das coisas querem dizer. Um desses projetos muito bacanas é chamado de PANDORA.
A idéia que nasceu há exato dez anos atrás pelas mãos e cabeça de Tim Westergren, é de simples entendimento. Ele criou um site (www.pandora.com), onde você através de um cadastro simples pode ou não tornar-se assinante. E veja bem, o conteúdo que as pessoas tem direito tornando-se assinante é o mesmo de quem usa o site de maneira gratuita. Obviamente existem algumas regalias para quem se permite pagar algumas doletas, mas nada que atrapalhe a execução da coisa toda. O site não contém apenas músicas, mas sim um banco de vídeos assim como apresentações ao vivo de milhões de bandas.
Então Pandora seria nada mais nada menos que um site como o Last FM???
Sim e não.
A semelhança é o banco de bandas e canções, mas termina por aí.
O Pandora usa o que se chama atualmente de Projeto Genoma Musical. E o nome não é apenas parecido com o famoso trabalho de mapeamento do código helicoidal humano, o site usa a síntese dele levada para o mundo da música. Westergren (que é músico), criou com o auxílio de uma equipe de artistas dos mais diferentes gêneros, o que ele costuma chamar de DNA da canção. Os músicos interpretam as notas e criam um padrão onde as canções se agrupam por semelhança na composição. Então se por acaso você digita no site a palavra cello, todas as canções que possuem o instrumento ou relacionam-se através dos gêneros aparecem. Quando o usuário escolhe as canções que mais lhe agradam, ele começa a montar uma lista ou se você quiser uma rádio personalizada. Tudo isso gratuitamente. O site em 2009/2010 começou a lucrar com a venda de publicidade e não pelas assinaturas, o que parece absurdo, afinal de contas como um site que distribui música de graça, pode lucrar.

Mas esse nonsense pirata na verdade esconde algo muito maior do que simplesmente prover músicas. Com o aumento do banco de dados e possibilidades, o site acaba tornando-se uma base de lançamento ou de pesquisa. Bandas novas com pouca visibilidade podem através do sequenciamento genético dos acordes, aparecerem mais. Afinal de contas se você procura por Beatles, alguém que soa parecido ou faz músicas no mesmo estilo pode tornar-se parte integrante da sua rádio. Você além de descobrir coisas novas, pode garimpar coisas mais velhas. Uma musicoteca virtual onde o limite de pesquisa é nada além da sua vontade. E as possibilidades são infinitas, afinal de contas cada canção que é dissecada apresenta possibilidades infinitas. Você pode por exemplo saber quantas músicas possuem a palavra she e assim descobrir artistas e gêneros.
E o que parece um crime, na verdade mostra que definitivamente o caminho para as coisas tornarem-se mais equalizadas, não é acabar com os downloads gratuitos, muito menos prender ou retirar o acesso à internet de quem consome ou distribui. É sim criar a posssibilidade de maior alcance de informação à todos. Imagina uma grande gravadora nacional em parceria com um site como Pandora. Ela disponibiliza as canções para o mapeamento dentro do site, assim cria-se um canal onde as pessoas podem conhecer melhor todos os artistas. Com o maior alcance dos artistas, mais pessoas com interesse em comprar o material. Que pode ser feito inclusive pelo site.
Decisões como a que foi tomada pela EMI a semana passada, apenas mostra que a indútria continua sendo corroída por uma catarse de prepotência amontoada com um atraso mental gigantesco. A gravadora decidiu não investir mais em novos talentos e recorrer à velhos artistas que ainda vendem mais, mesmo sendo pequenas cifras. Isso mostra que não interessa fazer com que as pessoas tenham acesso, mas sim uma outra tentativa desesperada da indústria em obter um lucro que jamais irá voltar. Triste saber que em tempos atuais as pessoas ainda teimem em não evoluir.
Fica a possibilidade aberta por Westergren e seus ratos de laboratório musical, para que cada vez mais pessoas tenham capacidade de descobrir sobre música através das canções. Disponibilizar informações para que as pessoas possam escolher dentro de um gênero e aprofundar-se no conhecimento, assim como descobrir coisas novas.
Não existe mais volta para esse caminho e enquanto as grandes corporações não entenderem que apenas o livre fluxo de informações e ações em conjunto com pessoas que tem ótimas idéias é que poderão salvar o cenário, ainda patinaremos na primária discussão de se é certo ou não baixar música ou ouvir gratuitamente.
OBS: Assista à entrevista completa com Tim Westergren aqui.