
Por mais que você queira se deixar levar pela onda de vingativo de furor, enraizando suas matérias genéticas explosivas por entre palavrões em nuvens de caracteres mínimos, espere e respire por um momento mais.
Primeiro porque no máximo nada se perdeu e o extremo pequeno que se foi, é apenas mais um feriado prolongado. Depois a situação seria até engraçada se não fosse tão previsível. A mente já sabia o que a alma amarelada e sofredora de plantão teima em não aceitar. A seleção brasileira não deixa de ser um reflexo do país, por mais estrangeiros que possam ser nossos compatriotas que desfilam pelas propagandas. E por mais que eu sinta um aperto no peito duas horas depois do desastre cítrico mecânico, não posso deixar de achar que o carma cósmico mais uma vez mostra todas as cartas nesse tabuleiro de jogo de botão.....
Dunga até ontem era aclamado pela população, o comandante do excrete amarelo canário tinha tanta aprovação quanto nosso presidente. Como Lula, perdeu-se em convicções que tinha como certas. Morreram os dois abraçados com o barco furado que ajudaram construir, simples assim....
As semelhanças não param por aí, o patriotismo comprado nas mais caras lojas da Oscar Freire que foi vendido por uma truculenta e espalhafatosa metralhadora de palavras e gestos não faz efeito. Bater no peito e dizer que nunca na história desse país uma seleção foi tão patriota é exatamente a mesma coisa que dizer que nunca nesse país houve um tempo de tamanha bonança, como alardeia-se pelas enormes propagandas políticas regurgitadas em dossiês secretos e anulações de sentenças sobre deputados que seriam prejudicados pelo Ficha Limpa.
A seleção brasileira é temida pelo mundo, mas é tão oca e vazia quantos as destemperes de seu técnico. A situação do país é linda em mesas de reuniões com líderes mundiais, mas essa embalagem de ovo de Páscoa sem bombons é escancarada a cada dia, a cada semáforo, em cada assalto e sequestro relâmpago. No rosto brasileiro hoje mais do que a tristeza, uma sensação de alívio se faz presente. Caem as máscaras, abrem-se os olhos para uma verdade gritante e extrema. Não é com má educação, arrogância e tramóias políticas em relação à construção de um estádio em 2014 que se ganha uma Copa. Não é com bolsas famílias e escândalos de corrupção que se faz um país.
Se faz nas atitudes de gente como Juan, Maicon, Lucio e Julio Cesar. Mas eles são poucos, não conseguem suplantar a deficiência de atitude e excessos de oração putofóbica. Violência em discursos recheados de palavrões proferidos pelo governante mor é tão vazio e estúpido quanto a pisada que Felipe Melo deu em Robben.
O Brasil é um dos dois países que mais produzem lixo no mundo. E essa aura de que tudo está tão certo é ilusória tanto quanto os índices de popularidade de Dunga. Nossos governantes choram por entre telas de TV pelo seu voto, nossos religiosos jogadores choram pela TV pela sua aprovação. Mas do mesmo jeito que a seleção faz um papel sofrível, nosso país também faz.
Em cada apatia, cada lixo no chão, por entre fechadas no sinal, filas de hospitais públicos onde morre-se sem atendimento, a cada respiração rouca pelo susto que a violência diária virtual e real produz em nossas almas. Tudo isso mascarado pelo "pra frente Brasil do meu coração".
Da Holanda veio a salvação que mostra, uma máscara de cera sendo dissolvida por entre as guturais e desesperadas tentativas de justificar a falta de competência e trabalho de Dunga e comandados. Devemos seguir a atitude da laranja e desmascarar essas atitudes sórdidas que nos incomodam e ludovicamente nos cegam. Chega de falsas moralidades e basta de falsos políticos que negam sem dizer e fazem às escondidas.
O Brasil volta para casa, na verdade quem volta somos todos nós à uma realidade que não há sobretudo que dê conta de esconder......