6 de julho de 2010

GD 46 BEM VINDOS A ERA DA MEDIOCRIDADE

"Somente em um mundo de merda como esse, você pode ver esses pecados e achar que está tudo normal"

John Doe (Seven, Os Sete Pecados Capitais)


Eu tinha começado esse post e apaguei-o. Não existe um porque, apenas retirei das linhas imaginéticas e calculadas por uma máquina lenta esse pedaço de texto empobrecido pelo marasmo.
Mas como tudo acontece dentro das menores expectativas, fatos e mais fatos vieram fazer com que eu voltasse a dissecar certos neurônios aleatoriamente para entender o que se passa com os atuais 140 caracteres.
Acontecimentos isolados não existem mais. A caixa de ressonância atinge algo que aconteceu no vilarejo em Vladvostock (sim eu gosto de War) e ecoa há quilômetros em um subúrbio interiorano de Sorocaba. Mas esse fatos separados por uma milhagem digna da aviação, não são isolados. Eles mostram algo que silenciosamente ecoa regurgitações anêmicas cerebrais.

A seleção voltou escondida por toneladas de aço comprimido em forma ovalada e com duas asas. Alguns mostraram rostos, outros esconderam-se por entre flashes e portas dos fundos nos aeroportos. Como criminosos julgados e apontados por um povo revolto durante um show brega no Anhangabaú. Mas talvez essa fuga não tenha sido provocada pela vergonha e sim porque talvez até dentro do cérebro dos nossos atletas mais bem pagos a irrefutável sombra da verdade esteja arranhando fundo suas almas.
Estamos entrando em uma era medíocre........

Espanta-se ainda que as pessoas estejam desatentas para esse fato, que já ocorre há tempos e são cantados por trovadores e poetas que assemelham-se à vuvuzelas. Um barulho forte e constante que teima em tirar a paciência de ouvintes. Não ouvimos porque usamos cada vez mais poderosos tampões que comprometem os ossículos.
Usando ainda nosso escrete amarelo canalh....(ops desculpa, canário), tem-se o exemplo mais ilustrativo. Um aglomerado de pessoas que protegidos por um aço de segurança contra ataques de imprensa, engoliu a própria mediocridade em dois gols de laranja. Tolidos por não usarem a capacidade total de transcendência e perdidos em uma guerra de alter egos galopantes e sisudos. Tudo banhado em arrogância e falsa modéstia de um comandante que chegou ovacionado em sua terra natal. Não corroboro com esse feliz coro dos descontentes que aceita com que uma pessoa que tem o poder de decisão sobre algo, não usar toda a inteligência possível e inimaginável para conquistar alguma coisa. Esconder-se na falsa idéia de que com o fim da esbórnia, despertaria-se uma condição de orgulho patriota digno, é uma idéia tão medíocre quanto achar que ganhar a Copa do Mundo resolveria os problemas de semáforos e motoboys dilacerados em ferragens de ônibus. Engana-se quem pensa que isso foi inteligência, foi incapacidade de usar toda transcendência para que o trivial se transforma-se em genial.

Mas não é apenas nosso mais querido anão que assim o faz. Estamos à beira de uma cataclísmica eleição presidencial. Três candidatos principais em uma corrida contra o tempo onde o quesito em questão é governar milhões de almas nacionais. Resumo da ópera até agora:
Alguns escândalos envolvendo dossiês secretos com informações sórdidas, propostas mimiografadas de outros tempos e promessas recorrentes.
Mais uma vez os detentores do poder e seus ternos caros, parecem não tentar em demasiado usar sua capacidade para fazer com que algo de diferente nesse país ocorra. Preferem não sair da linha inerte que recobre as decisões de todos os que definem quantas crianças a mais estarão no farol na próxima temporada circense. E independente de quem ganhar, hoje tem marmelada?
Tem sim senhor!!!!
Hoje tem espetáculo???
Tem sim senhor!!!!!!

Mas não achem meus incrédulos leitores que apenas nas esferas maiores, essas coisas acontecem de maneira mais aguda. Em nossas subúrbias lanes o descaso com a capacidade de transformação também é cada vez mais vulcânico. Há dois dias estamos sendo bombardeados com vídeos e violência virtual de uma mulher que filmou a confissão e a resposta sobre um caso de traição. A vingança exposta em um site corre os cantos de nossa mais íntima videodrome. Tapas, chutes e verborragia. Em nome de uma suposta moral, a capacidade de perdão e a vexatória exposição pública são cada vez mais estupradas. Mas isso é feito por semelhantes genéticos. Seres humanos feitos em perfeita harmonia fisiológica e bioquímica, perfeitos em uma cadeia helicoidal de pares, que teoricamente teriam a obrigação de fazer com que o espaço onde se vive fosse bem melhor aproveitado. Não existe essa possibilidade.
Aniquilada está a vontade de fazer algo muito maior, terminal é a capacidade de mostrar algo diferente.
Acuados estamos todos nós, segregados por entre guetos comandados por pessoas que fazem da mediocridade um spotlight poderoso e decapitante. Cantores alardeando que a evolução da internet é uma coisa que acabou e outros dizendo que pessoas que defendem o download gratuito de músicas são anônimos. Pois bem senhor Prince Rogers Nelson, imagine a sua capacidade sendo usada para coisas geniais ao invés de proferir desgastadas profecias vazias. E senhor Frejat, meu nome é Fabio Navarro Biazetti.

Saramago estava errado, não estamos entrando na era do grunhido. Talvez um desses proferido de forma gutural e violenta, pudesse definitivamente acordar as mentes que estão andando em vácuo repleto de uma mediocridade desesperadora e perigosa. Todos contentes com um pouco viciante, não precisando de algo que leve a consciência humana para patameres maiores de inteligência e consciência.
Dopados por intrigas televisivas em coletivas drásticas, onde a forma de agressão responde. Drogados com barracos virtuais de telenovelas reais que passam à ser momentos sublimes dentro de escalações de festivais megalômaníacos. Perigosos tempos estamos enfrentando, decisões que a cada minuto colocam dentro de nossa cabeça uma escolha à ser feita, sobre continuar inertes e chapados nessa pequenez de espírito ou formar algo que evolucione nossas almas em direção da perfeição completa.
Mas a cada decisão parece que o mundo abraça cada vez mais a apatia e a mediocridade de espírito como a mais nova característica humana.