19 de outubro de 2010

GD 63 ALMAS SALVAS PELOS ACORDES.....

 Em instantes onde a mão parece querer ricochetear arpégios psicografados em folhas de papel reciclado e contorcido, sempre são as notas que trazem alento. Por menos que se sinta a falta de controle por sua revolta latejante e ignóbil, serão sempre as canções que podem trazer uma calma que jamais pode ser afetada. E de cadeira cativa vermelha de melhor posição no estádio, posso garantir à ti  meu cansado ouvinte, que jamais uma onda de revolta vai lhe trazer a vida que uma música pode lhe doar.

Por isso a cura vem da clave e ela se mostrou uma onda de felicidade incontida quando descobri a banda FRANCES. Paul Hogan, Stephanie Skaff, Julia Tepper, Matt Meade e Tlacael Esparz, como não poderia deixar de ser, vindos do Brooklyn. A banda já ganha pedaços ventriculares por apresentar canções que são construídas com algo mais do que uma simples coleção de acordes. Saídas não pleonásmicas dentro de uma categoria que poderia soar apenas mais um rock pop cerebral qualquer. Modestamente mouseando notas como qualquer verbo conjugado no tempo zutoniano, poderia até ser uma definição que caberia. Mas não é esse o caso.

 O som da FRANCES tem os cinco corações para lá de depois da ilha. Com nuances que desabam em uma colina kinkiana cheia de colorações não asmáticas. Como se fosse possível fazer com que seus dentes sentissem cada pedaço da gengiva, que ao desdobrar-se em cantos úmidos de incisivos laterais, fundissem um sorriso aberto. A cada batida desconexa de Tlacael, uma bateria de arcanjos iluminando cada fuso muscular contorcido em direção de movimentos dançantes e femorais. Não são apenas riffs que tornam-se parte de uma estrutura única e que vai auto fundindo-se com o passar das notas. São capacitâncias de eletricidade que correm cada axônio não salvo e fazem com que a cada acorde a banda torne-se maior.

Se existisse uma fórmula matemática musical para o bem viver, a FRANCES seria portadora da genética seminal da equação. De uma beleza ímpar e tão leve que provavelmente teus pés, impávido leitor, estarão aerados ao final de cada audição. Good Fortune é tão linda quanto qualquer faixa do Arcade Of Fire e Between Us é mais certeira que qualquer hit.

A banda (que não tem gravadora), acaba de  lançar um dos EPs mais belos de 2010 (sem exagero finattiano), CELEBRATION STATION. De cortar o coração saber que o download é de graça, mas isso acaba tornando a experiência toda inesquecível. Ouça agora sem prejuízo!!!