28 de outubro de 2010

GD 64 DOS LIVROS, AMANTES E AMIGOS...

 Patti Smith na sua tenra idade era uma menina persistente. Perambulando pelas ruelas de uma Nova Yorke quase sitiada no final dos anos 60. Imagens mostram isso em quase todas as filmagens da época, onde o rock progressivo era uma das coisas mais insuportáveis da humanidade.
Não o progressivo seminal de bandas como Jefferson Airplane, Floyd, Beatles e até mesmo os Beach Boys, mas aqueles solos intermináveis de bandas como ELP, Yes e seus homônimos.
Uma cidade que clamava mudanças sonoras, do mesmo jeito que São Paulo entre o meio dos anos 70 e começo dos anos 80, um pouco antes do começo do fim do mundo. Tanto lá quanto cá, as duas cidades careciam de uma octaedracubana lava que estava prestes a escorrer por veias abertas da mesmice.



Mas voltando à Patti....
Ela sempre possuiu uma aura de dna marginal corroendo entranhas e sempre esteve muito à frente de seu tempo, no quesito feminismo. Se a genética mãe dos movimentos contra o machismo dentro do rock for garimpada, Patti Smith é um dos pilares. Poetisa, escritora e compositora em uma época onde a visceralidade comandava. E um de seus primeiros parceiros foi um outro poeta e fotógrafo chamado Robert Mapplethorpe.
Robert é um dos primeiros artistas marginais da cultura punk. Engana-se quem acha que o movimento musical ocorreu apenas no quesito notas. Toda uma geração de escritores, músicos, atores, fotógrafos e cineastas foram influenciados e ajudaram a construir a cena. Mapplethorpe é um deles.

Iniciando sua vida como fotógrafo e escrevendo poemas junto com Patti, os dois apresentavem-se em lobbys de hotéis onde poetas declamavam suas obras. Patti Smith começou no teatro e passou a fazer parte desses sarais. Os dois namoravam nesse tempo, antes de Robert descobrir-se gay e tornar-se amigo de Patti. É dele a foto da capa do genial Horses, disco dela. Depois da separação artística (ela na música, ele nos retratos), os dois sempre estiveram unidos pela amizade.

As memórias da cantora dos tempos onde Rimbaud fazia a trilha no Chelsea Hotel, estão no livro JUST KIDS. Uma visão das memórias de Smith da relação com Robert e de tudo o que eles fizeram na época. O livro pode ser lido diretamente na internet através da plataforma e-pubb Reader. Uma leitura imperdível sobre dois jovens descobrindo o mundo cheio de som, poesia e fúria que mudariam eternamente suas vidas e as nossas.