28 de outubro de 2010


Houve uma época onde eu achava os Arctic Monkeys a melhor banda do mundo.

Eu era um idiota...

Sim, eu mantinha minha cabeça em um confessionário cheio de falsas primícias radiantes com a minha estriônica falta de tato. Demorei para descobrir uma pequena verdade, que como todo hipócrita com o ego inflado, não era capaz de entender. Na verdade a melhor banda do mundo é aquela que nasceu em Boston em 1986, sob o signo de PIXIES.
Seria desnecessário listar tópicos por entre os quais uma pretensa identidade musical destacaria-se em benefício próprio. Muito mais interessante é descrever inicialmente algo que vi e senti com meus próprios olhos.

Quando li na NME que o líder da banda Frank Black, declarou que o retorno dos Pixies aos palcos seria apenas movido pelo dinheiro, algo me soou um pouco cínico demais. Uma falsidade não ideológica de um senhor, que um dia foi responsável por influenciar desde Nirvana até os próprios Arctic Monkeys.

Confesso que decepcionei-me deveras com a frase dele. Mas esse ano eu percebi que na verdade, o vocalista dos Pixies, é nada mais ou menos do que genial. E ainda bem que a volta deles foi por causa do dinheiro. Pois as ideologias do mundo do rock e de suas estrelas, são cada vez mais falidas. Não é de hoje que músico quando entra para politizar pesado, acaba ou tornando-se um chato (Bono Vox, que ao mesmo tempo é hipócrita, pois briga pela fome do mundo e não foi capaz e abaixar o preço dos ingressos do show de sua banda), ou torna-se um enganado (Sting, Tom Morello). Por isso os Pixies são geniais. Não querem salvar o mundo, querem ganhar um trocado e só. Ideologias falidas, não obrigado.


 Depois que não existe uma só banda atualmente que tenha em seu set list uma quantidade de músicas tão históricas quanto eles. O show caça níqueis do Brasil, mostrou que a banda que tocava alto e rápido (e ainda o faz), tem um set list tão histórico, que deveria ser denominado patrimônio. Sejam as mais sujas ou as mais dançantes, Pixies é uma banda que não apenas tem discos e canções. Possuem atestados de evolução musical, copiados ao extremo por muita gente que veio depois e que ainda copia.
Somente uma banda como essa, poderia depois de dez anos de seu término oficial, montar um site novo ( http://www.lalapixiesloveyou.com/) e causar o tumulto que causou por um arquivo gratuito de mp3 de um show no festival Coachella de 2004.


 Mas o que faz a banda ser a melhor do mundo, é que ela escapa de todo o tipo de hype. Nunca entregou-se ao modismo fácil, nem quando gostar de Pixies era premissa para ser descolado nas rodinhas indies. Na primeira encarnação da banda, em seu último disco (Trompe Le Monde), existe uma canção chamada U-Mass. Dedicada aos alunos da Universidade de Massachusets, a letra é irônica e ácida em relação ao hype, criticando seu próprio público. Com o término do quarteto, tudo poderia tornar-se uma onda saudosista demais e causar mais comoção. Mas gostar de Pixies nunca foi algo generalizado, mesmo entre o povo indie, então esse hype após o fim não aconteceu. Não teve saudosismo, pois os projetos de Frank sempre foram sensacionais, assim como os The Breeders de Kim Deal. Somente em uma banda como essa, David Lovering após o fim, poderia tornar-se mágico e Joey Santiago mesmo tocando nos discos solo de Black, jamais deixou a sombra dos Pixies no meio do caminho.

A conversa que eu tive hoje à tarde resume bem o quanto a genialidade dos Pixies é transcendente.
Atrás da mesa, com o som do computador ligado, uma menina passa e troca algumas palavras. Uma das afirmações me para:
"Nossa eu odeio músicas assim." (A música assim é Tame).
"Do que você gosta?"
"Ahhhh!!! Eu gosto de Seu Jorge, The Killers (o mais novo), Capital Inicial, Ivete Sangalo, Black Eye Peas, rock, essas coisas todas. Você conhece o Vegas, eu vou muito lá às quintas"
"E você nunca ouviu eles tocarem Pixies lá no Vegas???"
"Ah não eu não gosto desse tipo de música pesad.....ai aumenta o som eu AMOOOOOOOO isso!!!!!"

Era Here Comes Your Man...