1 de dezembro de 2014

Agulha

Por onde começar o querer que não existe
não se sabe ou se vê
melancolia na medida a qual termina o dia
cinzas de outro cigarro

3 horas não mais se apagam as luzes
apagam tudo
apagam os gestos retos
diretos sem perdão

o que um dia foi vontade de seguir
hoje bala na cabeça lágrima sem tempo
saber se a morte veio
ou foi convidada adentro

agulha leva sem volta ao sorriso fácil
sem hora ao extermínio rápido
sem jeito navalha na mão esquerda

tempo certo a fazer estrago
mais um dia sem pulso

o que se vê não atrai
sentir o que não consola
abalo sem volta esperando a dose

velha amiga
encosta sua cabeça nos ombros
afago por entre o gatilho
correndo nas veias.