24 de novembro de 2009

Estou ouvindo nesse exato momento duas trilhas sonoras. Primeiro é a do filme Juno, que aliás é um dos meus preferidos. Seja pelo roteiro cheio de citações e bem sacado ou pelos atores, todos sensacionais.
Tenho o costume de assistir um filme pelo menos umas 5 vezes. Não me pergunte por que dessa mania, mas eu tenho. 2001 eu já assisti 22 vezes, Quase Famosos umas 15 e por aí vai........
Mas dessa sexta vez que assisti Juno eu resolvi prestar atenção na trilha sonora. Não que não o tivesse feito das outras vezes, mas dessa vez não me distrai com Jennifer Gardner e ficou tudo mais claro, aliás ficou tudo mais lindo e cheio de nuances de cor azul fúcsia..........
O filme da adolescente grávida é sutil até o último talo de lágrima que desce pelas sua face na cena em que Vanessa conversa com a barriga de Juno dentro do shopping. Ou mesmo quando no pós parto, Michel Cera após bater o recorde em uma prova de atletismo corre para o hospital e fica abraçado com ela o tempo todo.
Não é só porque a cena tem todo um toque de épico, onde o grande guerreiro após vencer uma batalha volta aos braços de sua amada em sofrimento com o nascimento de seu próprio filho. Mas toda a sutileza das duas lágrimas que caem do rosto de Juno nesse momento tão ardorosamente sublime fazem desse filme uma sucessão de pequenas notas com cheiros agridoces e de beleza ímpar. E a trilha segue nessa linha de sutilezas mostruosamente sensacionais. Mesmo quando apenas as intervenções pequenas de Kimya Dawson em um minuto fazem sua cabeça flutuar por nuvens cheias de água, ou quando Belle & Sebastian mostram toda uma volatilidade em duas canções memoráveis ( Expectations e Piazza, New Yorker Catcher). E mesmo sendo a grande música do disco a versão de Superstar do Sonic Youth, toda a trilha guarda uma magia cheia de incertezas e desesperanças mas muito mais sublimes e celestialmente agrupadas por entre cavalos marinhos dotados de asas............
Aqui vão algumas das canções dessa trilha sensacional:








Ellen Page & Michael Cera / Anyone Else But You






Cat Power / Sea Of Love


A outra trilha em questão é a da continuação da saga vampiresca hypada Crespúsculo, New Moon. Eu não assisti o filme mas acho que nem preciso porque já sei como acaba e o que se passa de tanto ler resenhas ou comentários de todas as meninas que quase perderam o queixo quando o personagem Jacob tira a camisa para curar um ferimento menor que unha do dedo mínimo do pé da personagem Bella. Mas o que é mais engraçado é o seguinte:
Toda a saga escrita pela primeira escritora, que é mais bonita que a protagonista dos filmes, tem um ar teen spirit sem precedentes. As agruras do primeiro amor e este ser aquele seu vizinho que seu pai odeia e acha que é um maconheiro de mão cheia, além é claro de todos os amigos perigosos que o pretendente a Romeu dantesco tem já é assunto consumado. Transformações em mundos adolescentes femininos mais todo o sexismo que o assunto vampiros traz consigo (aliás o fato desses seres não terem ultrapassado a fase oral é lastimável.....) é certeza de vendas astronômicas. Atenha-se ao fato de que o filme já rendeu mais de 170 milhonetas.
Mas e a trilha??????
Bom começa bem com Dead Cab For Cutie. Mas aí cabe uma conspiração.........
Quando eu assisti o primeiro filme (em um domingo de ressaca sem precedentes e por isso mesmo nada melhor que água com açúcar não é verdade????) , não achei aquelas coisas. Aliás o filme é até chato demais. Drácula do Coppola é muito mais filme e muito mais história de amor, mas para curar ressaca até que o filme foi bom. E não posso esquecer da personagem Alice Cullen interpretada por Ashley Greene, aliás a única razão pra que eu veja os outros filmes. Além de muito mais bonita que a protagonista ela é daquelas figuras femininas do cinema que você volta para casa tendo a certeza que vai sonhar que é sua namorada durante aquela noite. Aliás você apresentaria para seus pais sem uma sombra de dúvida sequer!!!!!!
Mesmo com os tablóides americanos dizendo que ela é meio sem vergonha e bi-sexual.........
Mas largando os hormônios e voltando à conspiração..........
Final de filme, a dor de cabeça indo embora mas a película tinha deixado a sensação de ser muito fraca, até que.........
Sobem os créditos e ouço 15 Steps do Radiohead!!!!!!!!!!! Como assim??????? Minha banda predileta se vendeu ao estrelismo "muderninho"?????? Tom Yorke tomou ácido demais??????
Não sei, mas nesse mesmo minuto comecei a achar o filme "legalzinho". Já na segunda estrofe estava cantando a música junto e a dor de cabeça havia sumido. E não é que a história de amor dos dois protagonistas é boa!!!!!! Já até estava gostando mais do filme..............
Ao final da messiânica música dos cabeças de rádio eu já queria saber quando o segundo filme ia sair (hahahahahaha), e nesse minuto a luz veio sobre minha cabeça inchada!!!!!!!!
Esses produtores são mesmo astutos (inclusive mais do que o Chapolim)!!!!!!
Colocam músicas do chamado rock alternativo em filmes "mudernosos", para que você como em qualquer mensagem subliminar seja compelido a gostar do filme. Sabe aquela propaganda daquele refrigerante famoso que aparecia no canto das telas do cinema e que ninguém conseguia ver porque passava em milésimos de segundo, mas fazia com que todo mundo no cinema ficasse com sede e quisesse o refrigerante com cor de água suja?????
Pois bem, a trilha de New Moon é cheia de mensagens subliminares desse tipo. Pulsando a cada nota as palavras "veja o filme", "é uma película obrigatória!!!!!!", "você precisa ver!!!!!". Músicas das chamadas bandas indie estão espalhadas por toda a bolacha. St. Vicent, Tom Yorke fazem parte dessa conspiração hollywoodyana. Mas dessa vez o feitiço virou contra o vampiro.........
A trilha nunca decola de verdade e é tão indecisa quanto a personagem de Kristen Stewart. No início com o Dead Cab e a música de Tom Yorke (a melhor do disco todo) , você até começa a sentir os efeitos das mensagens subliminares, mas é só.
Tudo muito arrastado e nem a presença de The Killers (White Demon Love Song) salva o disco de ser uma das piores trilhas de todos os tempos. Aliás a música do Killers chega a ser tão ruim que me deixa em paz comigo mesmo por não ter ido no show deles sábado passado.........
E mesmo a bela canção Done All Wrong do Black Rebel Motorcycle Club se mostra deslocada dentro de um caldeirão de clichês sem precedentes. Morno como um sorriso amarelo, esse disco dá sinais de vida apenas com algumas bandas, entre elas Hurricane Bells (Monsters), Sea Wolf ( The Violet Hour) e a singela mais sensacional Slow Life com Grizzly Bear e Victoria Legrand que você ouve aqui..........








Grizzly Bear & Victoria Legrand / Slow Life

De resto corra como Robert Pattinson corre da cruz. Se você quiser saber o que o amor significa em uma história aonde as cores são sempre degradantemente belas e distorcidas não se perca na chuva e garoa da cidade de Forks e vá em direção à Juno...........

Agora por favor uma licença que depois de tanto amor eu necessito ouvir Iggy Pop e os Stooges!!!!!!!!!!!
No Fun My Baby, No Fun!!!!!!