Quero publicamente vir à tona nessa manhã de quarta feira, para dizer que sim eu estava errado. Minha ignorante massa encefálica, cometeu um erro sem precedentes. Envergonhado que estou resolvi pedir desculpas, pois acho inadmissível, um ser humano além de desprovido de inteligência (como eu o sou, pelas minhas atitudes), não corrigir esse erro publicamente.
Quando liguei durante o dia todo para o COMITÊ CLUB, no intuito de entender o porque da casa não permitir a meia entrada, as atendentes sempre me diziam a mesma coisa:
"A casa não tem meia entrada, pois não é uma casa de espetáculos e sim um restaurante"
O site da casa diz o contrário (e ainda continua, mesmo depois da promessa de um dos donos em analisar a situação, mas isso é para mais tarde), então sou aqui obrigado, meu sidártico leitor, a redimir-me. Eu no alto de minha indignação cheia de soberba dos covardes e ignorantes, estava errado.
O COMITÊ CLUB É SIM UM RESTAURANTE!!!!!
Somente essa explicação pode dar razão ao que se vê dentro do mais novo espaço de shows em São Paulo. Aliás ontem durante a primeira apresentação paulistana da banda DINOSAUR JR. (escreve-se com um S, os ingressos estavam impressos de forma errada), o que se viu foi uma sucessão de falhas quase amadorísticas, que não condizem com a suposta experiência dos donos do estabelecimento.
Na verdade o problema todo é que eu não entendo a lógica das pessoas.
Primeiro porque mesmo afastado da casa noturna (segundo e-mail recebido em resposta à pergunta sobre a não meia entrada no Comitê), as propagandas políticas de um dos sócios estavam sendo usadas como adornos na entrada. Quer dizer que para administrar a casa se afasta, mas poluição visual pode?
Não entendo a lógica....
Durante as conversas com as pessoas responsáveis com a manutenção do relacionamento cliente-casa noturna, a outra justificativa era que não havia meia entrada, pois o que se cobrava era um couvert-artístico (imagina o Dinosaur Jr. tocando durante seu jantar) e que nos dois shows as mesas do restaurante estariam dispostas para quem quisesse usufruir do restaurante. Antecipadamente por não acreditar em Papai Noel desde minha tenra idade, já sabia que isso era uma inverdade (não uso a palavra mentira, pois não acho que deliberadamente a pessoa soubesse o que estava dizendo). Não vi ninguém jantando pato com tucupi, muito menos mesas. O que diga-se de passagem, foi uma benção.
A segurança do local é precária e mal preparada para ese tipo de evento. Truculência gratuita, mesmo o cidadão anormal e sem noção querendo acender um cigarro dentro da casa. Não justifica ter sido tratado como traficante sendo enquadrado pela R.O.T.A.. Um pouco de bom senso, por parte da comissão de testosterona que além de mal educada era mal encarada, seria bem vindo. Nem cabe comentar o episódio da escada, pois aí seria muita ranzinice.
Nem sei se vale reclamar do atraso de UMA HORA em relação ao começo do show. Pois pelo que eu consegui entender, o problema com o atraso, mesmo a banda já dentro da casa (o J. Mascis passou do meu lado eram 22:30, em direção ao "camarim"), era com o som. O roadie da banda tentou durante mais de 40 minutos conseguir uma afinação decente para a guitarra de Mascis, mas algo estava errado. As caras de "o que está acontecendo" que ela fazia eram certeiras e claras.
O som da casa ou é muito ruim de verdade, ou não suporta distorção e em ambos os casos, é um lixo. O baixista Lou Barlow passou o show todo mexendo nos amplificadores (e não era para aumentar o volume), o baterista Murphy durante o bis chegou a reclamar em alto e bom tom do som. A platéia incendiou a casa com direito à mosh, coro em uníssono tal e etc. E mesmo com a discotecagem maravilhosa que antecedeu a apresentação, algo de muito ruim havia no som do Comitê. A guitarra de Mascis (mesmo sabendo que o som da banda é alto demais) muitas vezes sumia e a voz dele em outras. Não havia budismo jurássico que durasse e o som foi ficar melhor, só no terço final do show. Barlow exageradamente pediu que as pessoas usassem protetores de ouvido, nem precisou.
O som do Comitê ajudou a diminuir a sua conta médica.
Sistema de refrigeração que funcionava à mercê de quem tinha o controle remoto na mão. Momentos de infernal calor, mesclados com climas paleozóicos que apenas seriam mais completos se nevasse dentro da casa. Lugar lotado (e quando eu digo lotado é sold out), dois grandes refrigeradores de ar. Não entendo a lógica de mante-los desligados. Economia de energia?
Criar um clima para o show?
Não entendo essa lógica. Isso para mim é uma das maiores burrices do planeta.
Então diante disso, entendi o porque da não liberação da meia entrada. O lugar é um restaurante. E restaurantes não cobram meia entrada. Isso é certo.
Do mesmo jeito que não deveriam fazer shows desse porte.
Acho louvável, como estava escrito no e-mail de resposta de um dos sócios da casa, eles serem os únicos à bancarem a vinda do Dinosaur para Samphan City, a criarem uma nova opção de casa noturna aqui. O show foi maravilhoso, de uma catarse sem fim.
Mas porque as pessoas insistem em fazer as coisas sem testar antes?
Aqui no Brasil existe essa qualidade cultural de fazer as coisas na raça, sem preparação ou planejamento. "Olha, temos a coragem e as bolas roxas, vamos fazer!!!!"
Ninguém sabia que o J.Mascis como músico tem como características, longos solos, trabalhados, cheios de distorção e mudanças nos tons?
Que uma banda que toca alto tem que ter um som com o mínimo de ruídos e ser "limpo"?
Ninguém estudou a história da banda, antes de trazer? Pois com o conhecimento, se tem a capacidade de montar uma estrutura melhor.
Não é possível que pessoas que se dizem experientes no quesito casa noturna, não entendam que em um show de uma banda dos anos 80/90, que tinha em seu público uma quantidade de testosterona gigante, a propabalidade da presença de mais homens do que mulheres é eminente. Mais homens amontoados e pulando, mais suor. Mais suor, mais cheiro. Sistema de refrigeração adequado ou....
Então não dá para entender a lógica que regimenta esse tipo de evento. Nem é a questão de ser chato (na verdade eu sou chato demais), mas o que eu gostaria de entender é porque abre-se uma casa noturna e trata-se as pessoas que frequentam o local, como peões em uma sauna. Temos essa mania de sermos condescendentes com tudo. A banda é fodástica, então foi tudo lindo. Não foi.
E depois no final das contas você ainda recebia um santinho do candidato à deputado sócio da casa. Desculpa, mas o senhor não tem meu voto. Se não é capaz de administrar e antever os problemas com a casa noturna, como é que eu vou deixar o destino do meu país ou estado nas suas mãos.
Não posso.
