30 de setembro de 2014

Na esquina da rua Albuquerque Lins existe uma padaria
    em suas paredes antigos aristocratas pintados
Parecem felizes em assimetria de seus sorrisos
     borrados pela qualidade dos pincéis
Contornando a descida reta da calçada
     um morador de rua dorme desapercebido
Ao sol da árvore de primavera
      sem as folhas, decapitadas pela seca intermitente
Escondida nos bolsos de Alckmin
      que por sinal não sente a falta d'agua
Senhoras vestidas em bichos da seda vietcongs
      anasalando proparoxítonas racistas
As mães carregando nenês tóxicos
      com mucamas pós modernas e seus chapéus de cogumelos
O azedo da fuligem parindo átomos
      a poeira cósmica que desce pelo meio fio
Encobre o picadeiro do bairro
      onde rodas nos bancos escondem as bitucas
          dos passeadores de cães
Os galhos embebidos em falsa riqueza
          as frutas de ácido lisérgico
             no céu da boca dos yogas na praça do relógio
O desalento quando se anda pelas arestas do cimento
           o escape de maconha azulada na praça do coco
Hoje um terrorista de reality show tomou de assalto um prédio
            ele queria Krishna preso e o ódio livre
              mas seus simulacros eram imprudentes
Flácidos como pênis de Fidelix
            a distorção da homofobia regente
Explodindo lanternas fluorescentes em crânios
            os neo nazistas pela Paulista
               cantando mantras de Mason
Hare Hitler Heil Krishna
            a população perdida por entre conceitos distorcidos
               nas mãos de artistas de cinema e diretores
                  nas mãos de grandes bancos financiadores
                     de sua panis et circenses
O vendedor de frutas em faringe distorcida
             gritando ao ciclista que se foda ad eternum
 Saudades da cocaína da Rua Alba
              que aliviava o martírio caminhante das ruas do centro