Na esquina da rua Albuquerque Lins existe uma padaria
em suas paredes antigos aristocratas pintados
Parecem felizes em assimetria de seus sorrisos
borrados pela qualidade dos pincéis
Contornando a descida reta da calçada
um morador de rua dorme desapercebido
Ao sol da árvore de primavera
sem as folhas, decapitadas pela seca intermitente
Escondida nos bolsos de Alckmin
que por sinal não sente a falta d'agua
Senhoras vestidas em bichos da seda vietcongs
anasalando proparoxítonas racistas
As mães carregando nenês tóxicos
com mucamas pós modernas e seus chapéus de cogumelos
O azedo da fuligem parindo átomos
a poeira cósmica que desce pelo meio fio
Encobre o picadeiro do bairro
onde rodas nos bancos escondem as bitucas
dos passeadores de cães
Os galhos embebidos em falsa riqueza
as frutas de ácido lisérgico
no céu da boca dos yogas na praça do relógio
O desalento quando se anda pelas arestas do cimento
o escape de maconha azulada na praça do coco
Hoje um terrorista de reality show tomou de assalto um prédio
ele queria Krishna preso e o ódio livre
mas seus simulacros eram imprudentes
Flácidos como pênis de Fidelix
a distorção da homofobia regente
Explodindo lanternas fluorescentes em crânios
os neo nazistas pela Paulista
cantando mantras de Mason
Hare Hitler Heil Krishna
a população perdida por entre conceitos distorcidos
nas mãos de artistas de cinema e diretores
nas mãos de grandes bancos financiadores
de sua panis et circenses
O vendedor de frutas em faringe distorcida
gritando ao ciclista que se foda ad eternum
Saudades da cocaína da Rua Alba
que aliviava o martírio caminhante das ruas do centro