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7 de julho de 2021

, ,

casa

tempo elástico num jardim alado
onde origamis pretensiosos
ascendem enganos

trava-se quadril
conta-se até três
pilares enfim dilatados

telhados desenhados
vigas quadrilaterais
perpendiculares ângulos

ovais janelas
onde água perpassa
madeiras lágrimas 
num enorme gradeado

sala pulsa labaredas
aquecem o pequeno lavabo
morada de moviolas
tríceps de cadeira muda






                                       

28 de fevereiro de 2020

,

rocha

a luz pela lateral do rosto gélido
am asus2 asus4
um dedo perfaz irretocavelmente
uma batida
numa plástica porta onda

bm f# d e bm f# bsus4 b
estrofe sob engasgo úmido
o olho percorre algumas milhas
por entre potes e algumas gotas
depositadas ao fundo
bm f#
d e bm f# bsus4 b

d e scola-se por orifícios enquanto a dor
escolhe células epidérmicas
estripadas como galhos do corpo
açoitam enquanto os refrões pulsam
nos lábios entreabertos

am e bm f# am e bm
f# f#m f# bm
por única escolha duma culpa
empurrada pela garganta
bm f# d e bm f# e bm b bm
crescendo como câncer entre colágeno
contando os dias até onde
se tornará arcabouço

bm c#
f# g
bm f#
d e

o vazio dum corpo oco
onde punhos esmurram o castigo
elástica pele deformando-se em socos
meam nunca
encolhida por fios outrem escolhidos
embutidos em cada encolhimento do desejo

bm f# b bm b
bm f# b bm b
bm f# b bm b

janelas por onde os olhos vagavam
veias dos isquiotibiais defloraram tubos químicos eréteis
castigados até não sobrar mais sangue
enquanto tudo o que foi dito
permanecia pensado calado

por fim numa cratera
una rocha transpassa o peito
permanecendo sem retirada
[bm f# b bm b]
plantada num ainda corpo liso
a cada passo tropeça em pedregulhos soltos
estaca carrossel onde os pés solidificam movediças
uma cabeça areia a vomitar restos



8 de dezembro de 2019

pai branco/mãe guilhotina


antes das chegadas
n’um organograma de’vida
vitórias comemoradas com antecedência

entretanto antecedentes
tornam palpáveis muros
tomam sem assombro os passos

desencanto

um fiho de pai branco & mãe guilhotina
vontade que amanhece dopada
corpo que anoitece em escombros
voz que some como extra
no canto inferior da tela
rosto dissolvido em vetores sem um eu

4 de abril de 2019

,

era pouco...

A vida patética
cede então o óleo
máquina engrenada de cartilagem
dores metatársicas
enquanto o inverno a enveredar-se está
adolescência de meia idade
morte aproxima-se
em ódio & cotidiano
entre uma pontada e outra
entre oc chilo morno
ao redor dos acessos d'raiva
                                               [PAUSA DRAMÁTICA

Deus confidenciou
A Morte virá como câncer
nem bela & certeira - flechada de dinamite
nem permanência corpórea máxima de quarenta e oito horas
nem posterior ao acordar encefálico
serenar essa agonia chamada vida

Não será assim...

Será horrendo
a soar em praça pública
Odes de Destruição Tecidual
chegará remanso
em pontadas na garganta
como as de hoje
tornará a faringe líquida
envolta pela cricoide
forçará me do ao resto da voz metálica
n'uma janela exposta
na traqueia

Descerá ao esôfago
abrirá a Terra em ácido
derreterá girassóis & piloro
enquanto restos intestinais nadam em suco gástrico

Ironia é renegar Deus tanto tempo
e ele mesmo -carne, osso & cinismo-
dar a notícia

Tomará os ossos
dissolverá as sobras
largará esquálido
rebotalho d'um antigo selfie
não será bonito
não será elevado
muito menos heroico

Disse Deus com todas as letras, que será podre!

Assim será permitida memória da vida

                                                             (enquanto dores privam o sono,
                                                              enquanto nem mais morfina terá utilidade
                                                              enquanto toda respiração será martírio)
o quanto de fétido és neste mundo
quanta escrotidão disseminada
quanta morte d'alma plantada
quanta asquerosidade espalhada

No mesmo tempo em que o rabo desprende-se na parede intestinal
pensará sobre o caminho de rancor deixado
sobre a estrada de decepções construídas por anos e anos

Enquanto os olhos dos pais enterram o filho mais velho
Pulmões empedrados de metástases
respiram as últimas insatisfações

Deus confidenciou tudo
aos olhos fechados sozinhos no sofá
cada pedaço sente o horror espalhado pela Terra
queimar
em toda mordida dos tumores...
... Deus ainda disse que era pouco...

Agora o teto ficou mais baixo
a solidão mais viva
o corpo mais dolorido
a garganta seca
ao mesmo tempo que as folhagens tilintam lá fora
se pensa depois de hoje, por todos os dias ao acordar:

- Será hoje o dia de minha Morte?

18 de agosto de 2017

,

Lixa

a vida sugar
até rachar os bicos
da vida
sugar
até o colostro eclodir
através das narinas
até o arrependimento parir
tornar-se plausível
possível & real
                                [nem que seja por segundos

Lamber as gotas
sangrar com(o)una lixa língua
lamber as gotas de sangue & leite

LiPidinar o peito exposto
toda felicidade do mundo
sentida

a ferida cicatrizar
coagular o ódio
a solidão conduzir
                              [sem deixar rastros

Pois de repente
irá ela embora
para trás deixará
lápide de odores
d'um Strawberry Fields Forever

3 de agosto de 2017

,

depois do verbo

poeira que se sente ao ranger
dos dentes
o esconderijo das consoantes
em vogais de arrimo
a vida só começa depois do verbo

todas as disfunções vistas nesta cidade
o Jazz gentrificado faz fundo
aos seis furos d'uma lata
alumínio em brasa

BAQUE TRAQUE CLAQUE
CATRAQUE
RATATAATAQUE

histeria de concreto
duas paredes levantadas
em argamassa & destroços
o contratempo no segundo refrão
é só um aneurisma
que explode
                                                     [dia após dia

as canções d'amor nascidas
no cartesiano
aos tapas disputadas
por bocas evisceradas & escorpiões
nas pontas das patas

                                                   [minha entrada no rol dos mártires foi revogada.

1 de agosto de 2017

,

Semi Sec

cada janela
una tela

lá pelas tantas
muitas vozes
semtramas

n'outras
despedaçados dramas

n'umas frestas escondem
noutras assanha

um risco no coração de pedra
                                               (autor desconhecido...

curva à direita
de quem vai
um pega

àquela reta do Elevado
só se protegem
árvores & folhagens
semi-sec  [s]

              a

cada abraço
roupas estendidas
em quintais
de andares baixos

pós mormaço do domingo
semi fr -i- (reak) o

toda a palavra adjetiva
em cima desta cidade
dita cosmopolita
plana sobre Ilusão & Ironia!

Já que todas telas
não mentem
São Paulo é Máquina
de triturar gente.

5 de maio de 2017

Silêncios navalhas
desconcertantes
Felicidade em coice no fundo da
                                                    nuca

A iminente sensação de morte
sem motivo aparente
O Violonista Anarquista & João Cabral de Mello Neto
no metrô

Plataforma de concreto
sobrados coloridos
Desgostos cartesianos coletados
em potes de moedas

A febre do nascer palavras
O pensamento que arranca da Insanidade

Braços a enlaçar o medo
                                     humano

Todos pausados olhares
Corpos campos de Guerra
minados por explosivos
arados por trilhos de tanques
fatiados por lâminas no esôfago

Devora SE o calçamento contra uma Tempestade
a a VI zi NHA r SE
Inundação pelos poros difunde SE
Decisão necessária em dois quarteirões

O passo que some
em meio
ao mesmo ser
A mal ga ma r SE em viga
desaparecer
cerrar os olhos
esquecer SE

Curar o outro por impulso
peles &  mãos encaracolados
selvageria em derme a conduzir eletricidade
Anarquia genética
Um verde instante em Lava
orbita a saltar desejos

Respiração involuntária ascendente
Estrelas esfareladas nas dentinas
Sentir SE livre enquanto SE esmaga o coração dentro do peito.

21 de fevereiro de 2017

,

saudade

Saudade é a forma sádica
pela vida inventada
para que toda a destruição
por ela causada
seja plausível

16 de fevereiro de 2017

,

soneto para Tom Waits

Seguem as vidas cálidas,
mirantes de sonhos… Atormentados;
Em seus ombros desejos aglomerados,
suas finitas esperanças pálidas.

Nega se a desfiguração da máscara,
a Morte da célula antirrábica;
Em seus sonetos de métricas rasas,
suas idílicas notas… Apenas farsas.

Sendo a realidade feita de calçadas,
manto d’almas em pavimentos sólidos;
Em seus motores braços áridos,
suas alienações têm tácitas lágrimas.

No cinismo d’alma urra se reconstrução,
além da miséria que nos Soma.
A conceber que nos resta apenas O Nada…
                                                  [ no passar dos dias.


Hey Huxley! Misery is the river of the world

2 de fevereiro de 2017

Alienação causada pelas relações sociais
preconizam a centralização do poder
                                        [e da riqueza]
Influenciadas por grupos de despropósito ideológico
destroem a natureza da linguagem humana.

Nasce então o discurso de ódio & reacionário
este por sua vez este extermina o tempo
pois retrocede e o falsifica
- baseando-se no parâmetro da construção social civilizatória como ordem social -

A resposta direta é a eliminação do pensamento simbólico
o que em longo prazo cria uma resposta ao reacionarismo
tão distópica quanto autoritarista
exata terceira lei de Newton

A destruição destas três variantes ideológicas deixa como sobra
a falsa noção de que o que resta é a salvação primitivista
O Apocalipse Final Libertário
O Unabomber Redentor

Entretanto essa busca pelo primitivo primo da primordial natureza humana
é ranço humanista
Dança com Fantasmas d’um ideal moral & crítica abstrata
Guerras que apenas transitam o poder por mãos aleatórias
disfunção da revolução como fim e não Caminho

Essa linha de pensamento
aos poucos cria laços internos fortes com a raça humana
e degradará a liberdade,
tornará a imaginação um escárnio
diminuirá a capacidade de comunicação entre nós

Ficamos reféns então do pensamento acrítico
que não é nada além de pregação, e
Pregadores são a assassinos dos sonhos libertários

A Revolução é heterogênea
traficada por confrontos contra a realidade
criada pela civilização higienizada à força
                 (n’uma moral ordenada opressivamente como ordem social)

A crítica revolucionária não é imediatista
pois se assim fosse
apenas seria perpetuação do mecanismo descrito

Não é um ideal belo do passado
mas sim destruição das convenções no Maquinário Social
através da tecnologia criada para manter a ordem institucional

A servidão quebrada na ruptura contra o falso primitivo
através da linguagem perdida pela alienação
tempo liberto de imediatismo
através do pensamento simbólico multifacetado.
a Revolução jamais será primal.

13 de janeiro de 2017

A distância entre o casebre no beiral d’uma linha férrea
aos poucos consumido pela oxidação
& a sacada burguesa branca onde prendi a corda
de meu suicídio
era de trezentos e trinta quilômetros de coração asfáltico.

Um único último som a ser ouvido quando o crânio quebra se
é o florescer de alguns parcos restos humanos
vagando por grandes avenidas
aprisionados aos edifícios
enquanto são chicoteados por tremores de vida.

Todas lembranças – o cheiro do aço retorcendo os dentes
elásticos formam fossas tectônicas nos ossos temporais
existência alimentada por fios, enquanto a rejeição completa,
encubada nas veias repousa
por entre pensamentos sobre a Morte
                                            [na luz d’um abajur coruja.

Som poluente trina uma navalha na artéria central
O peito edemaciado por fumaça
O hematoma que exterminará reparos da mediocridade vendida como saída
O espírito humano esmagado por portas giratórias de falsos progressistas
O sangue que corroerá miríades extremistas ao som de gemidos clitorianos
                                       Lançados por catapultas.

Aos poucos a corda se fecha
labirinto de tosses em caixote de aço milimetricamente disposto aos noventa graus
vê-se o botão de pânico ao lado da porta
a sacada então abre se em escada rolante
escada de engrenagens por onde súditos desesperados em pensamentos
no reino de cartunescas figuras
destruíram máquinas de livros.

Febre de alucinações causada pelas feridas do Sol
lança órbitas acima do horizonte
lembrança do beijo na esquina, O começo,
rompida por dizeres bárbaros a invadir o encéfalo
no açoite do frio em dezembro
ordena que se erga os braços ao céu de cerejeira
urrando salvação pois Jesus está em cada nó.

Recordações do casebre se distorcem
na realidade da corda as perdas d’um Natal torcido
abafado
decomposto pelo álcool & cigarros
cambaleios d’um eterno bêbado do subconsciente
acordado pelo tapa tão forte no rosto
que faz voarem os óculos
dentes que rangem uísque
a Forca que pressiona o crânio esmagado por correntes de couro na gengiva
memórias paternais enquanto o nó amarra a faringe ao desfalecer final.

Revolucionários sonhos mantidos arredios
presos por moldes sombrios familiares
cadafalsos em fileiras atirando corpos em paralelo
dos coletivos.

Ao longo do infinito tempo o qual a Morte se aproxima
& o som abafado d’um adeus não mais se ouve
onde os cantos escuros da fachada agora parecem troncos de pinheiros
no centro oeste dos Estados Unidos
tudo que resta é explosão
tudo que resta da vida é estar pendurada n’uma argola
a cabeça silencia os murmúrios de precisa redenção
marretas de rostos a moer o cotidiano.

São quinze minutos passados das sete da noite
GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO
GRITE
GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO
GRITEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
contudo se percebe apenas o dissolver da pele
no motor do Mercedes Benz que passa ao longe.

O corpo em pendular movimento afaga os sonhos
cefaleias de tensão há tempos conhecidas
saudades encapsuladas trancadas por todas as chaves certas
despertas pela frase que insiste em abordar o destino
retirar o esqueleto velho & desovar um novo
neste ritual libertário.

Desta Morte é preciso reter a calma resiliente
contrária da violência nascida no rebentar do hospitalar nascedouro.
Onde as últimas flores são depositadas na incubadora
& dores imensuráveis na dissolução do periósteo, que jamais poderia segurar os dentes
formam Costumes unindo se às Memórias.

É exatamente por isso que se deve caminhar...

Pois as próximas Gerações nos devastarão de todas as possíveis lembranças da Terra
Retomar a Vida que nos foi tomada em uma Revolução contra a Ordem Social
- de falso caminho único –
Donos do Tempo uma vez mais através da Errática dos A-História
Destruir os Vícios Órficos do amaldiçoado Desenvolvimento Messiânico.

Até que sobre apenas o mármore de tuas coxas
a esmagar minha língua
assim como Deus, ressuscitar no teu Útero
libertária asfixiofilia
após trezentos e trinta quilômetros de coração asfáltico.

9 de dezembro de 2016

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Rinoceronte

Como matar um Rinoceronte?
Ossada montada num apanhador de sonhos
Reconstruída em salinizações
D'um extremo que só pode brotar no cimento
D'as ferrugens nas asas dos pássaros a sangrar pedras & bombas
D'os endereços esquecidos de entregas jamais enviadas

Pois a de se desenterrar esse cadáver através de bebedeiras infinitas
Amor a rebentar por entre
Tal mística de carinho destilado
Da traição - usando o secretariado - ao primeiro tapa na cara

Desenterrar este maldito cadáver!
Queima-lo à beira do Oceano
Derrubar as cinzas nos corpos pendurados como couro em lojas debaixo do Elevado
Uma vez mais cuspi-las na segunda oxidação

Esperar que Um Rinoceronte as pise
N'um nada ameno calor que consome
Se esboça o desespero de cada respiração
Amor renascido em Fogo, Carcaça & Sangue

Então nunca mais em pavor dormir com a possibilidade
dos sonhos acordarem os outros.

Reparido amor fundação da Anarquia
Revolucionária Crítica aos desmandos da Moralidade
Insiste, expande & demanda uma Revolução
A provar que todo impalpável morre
Todo cartesiano que se faz Fúria transfunde o Mundo

Os Girassóis Negros, A Palavra Amena
O Tiro de Misericórdia, O Passado Suicida Desaparecido
O Borrado Gene do Fracasso
Todos enterrados ao lado de outro Esqueleto Suicida de Ocasião.

25 de novembro de 2016

, ,

Ônibus 118-C

Em frente ao Parque da Juventude dividem espaço:

-uma mini cracolândia, uma base da polícia militar,
uma rua de prostituição e um posto de abastecimento de veículos automotores-. 
gasolina, álcool, diesel e gás
será mesmo gás?

Quando olhos marejam poluição
cinza trovão das nuvens é possível avistar
                                      [o entrecanto do Metrô Armênia]
mais à frente, dobrando pela direita, um sobrado
repleto em artrose azulada de tons clarificados
para alugar está

Outra casa n’uma vila fechada
- que não se vê pelos fechados portões de medieval ranço -
também para alugar está,
não é possível atestar a presença de artroses

Assim
a desperdiçar o tempo para acelerar o tempo
o desassossego d’um corpo imerso em pêndulo
o peso do funcionamento do mundo
a ossada montada como apanhador de sonhos

Maldita ossada
reconstruída em cada lágrima
deixada pelo caçador que não consegue matar O rinoceronte
afinal de contas: como se mata um rinoceronte?
como se mata um pai?
como se mata uma ideologia?

- Na pista da esquerda seis cavaleiros de Capa & Cassetete
templários ressoam ferraduras polidas no asfalto pedra
no ar condicionado do coletivo as marcas da chibata não são ouvidas
enquanto cavalos avançam n’uma nova Lei & Ordem

as Hienas que se refastelam com carcaças de cadáveres d’um vídeo adicto
as Hienas que transcrevem seus uivos em murais
as Hienas que fantasiaram se em nova geração de paladinos populares
as Hienas que pediram investigações sobre a divisão da carne apodrecida
as Hienas que atolam suas patas nessa latrina verde amarela azul e branca
as Hienas consolando os detentores do poder
as Hienas não largarão as Notas do Subsolo nem suas vantagens
as Hienas pedem intervenção dos Abutres

Enquanto cães resgatam seres da morte,
nas mais longínquas regiões cerebrais.
Enterrado vivo na neve,
em pontos dados com cabo de aço.
U’ma reação muscular, preferencialmente cardíaca,
sempre será necessária.
Os estilhaços separados pelo chão,
armadilhas contra monstros voadores nas janelas

Assim é a recusa ao não seguir
o anárquico amor da crítica revolucionária
contra os desmandos da moralidade
única restante força antes que a tempestade desabe
transmutando o ônibus 118-C em um aquário

Retomar vidas próprias do Estado e Instituições é Revolução Social precisa
último monolito de utopia que, ao ser demolido como mito, descansará;
Nas sombras deixadas pela Destruição Mutualista
                                                            [ termo tão nefasto dentro do Progressivismo

Alquimia analógica da discordância transmuta se evolutiva
contrária ao misticismo fascista do Progresso
disfarçado como civilização de caminho único

Definir uma estrutura biofísica perfeita em simetria neurológica
através de denominações de gênero, raça & cor
é negar a evolução libertária d’alma humana
o que nos resta apenas contra as Hienas & Seus Donos

4 de novembro de 2016

Do sexo,
mesmo que seja t’EU,
anarquia, arrelia, amaria.
Da solidão,
o isolamento dividido,
tempo, compasso — aferição…

Entretanto esse poema não deve ser declamado
Deve sofrer de esquecimento perene
Envolto n’uma pele arrancada de arrependimento solene
Devastado morador d’uma prisão em suja’lma
Escondido do outro lado da rua, repleto de visão ampla

E se assim ficar descartado como primeira melhor ideia
Encoberto por desacertos publicados
Desacertos daqueles que desajustam passos
Iludem o asfalto entrelaçando aquíferas lojas & antiquários
Sempre a deixar pistas separadas por estrelas recém postadas de LED

Se for assim, é preciso antes que a garganta feche um grito
Nascido em pares D’Olhos de Cortázar
Tempos antes de esfaquear se dentro da própria cabeça
E retirar se forçadamente dentro da própria sobra d’alma
Enquanto o gene da miséria humana torna se intransponível

O tempo suicida a tentar avançar o tempo
A marreta homicida sob nossas últimas semelhanças erectoides
Somos o feto a tragar cinzas & crack n’uma lata perfurada
Nascidos d’uma cesariana andarilha viciada em morte
Por entre flores plásticas em encostas higienistas Dos Muros na Funarte

6 de setembro de 2016

,

ruiu…

ruiu como construção simétrica grega
aos prazeres do tempo, ruiu. como sexo
pós alucinógeno disléxico d’um ácido dividido, ruiu.
como abdômen trincado por entre o álcool & cocaína
ex travesseiro de uma cheia glande de ódio, ruiu.

armadilha de uma demanda… tudo em tão surpreso
socos no rosto d’esquina… tudo sempre aos esbarrões epilépticos…
e sempre um pedaço d’mente fica para trás…
ao mesmo tempo onde a lembrança crava os dentes…

e há um plano nesse espaço… e não é meu
e há sangue nessa ferida… e não é meu
enquanto o sol aparteia o lado mais raso da lua pela manhã
que não é de ninguém…

assim sem mais durante o escorrer do dia
por entre os resquícios a sobrar do dissabor
explode a pele que se permite ver

[o arcabouço de mais um desvio
a desumanidade de mais íntima parte
são simples escapes de sanidade]

despedaçados hermeticamente naquilo que sobra
sem sentido do infinito moer d’alma

19 de julho de 2016

,

desmedido

um frio e um verso pela manhã
o café desmedido ao acordar
roupão de beijos pelas mãos
                               [enquanto]
o preparo cartesiano
dissolve horas

15 de julho de 2016

, ,

Jabuticabeira

senta-se no interior do túmulo
à frente apenas uma jabuticabeira
sempre ela... a mesma árvore dum quintal inclinado
o tamanho? um Crocodilo do Nilo!
[àquele que não cabe na sala]

em éle a forma
do encontro entre Parede X Encosto
pequeno cadafalso sem jardim posterior

ali é onde apazigua-se a cinza do cigarro nos pulmões!
no alto a forquilha cravada ao tronco
a lembrar outrora galhos
hastes de equilíbrio
no quintal do avô, um quase desconhecido

ali onde se percebe tudo isso & O Mundo
perpendicular ao nariz
estirado na importância de
imagens misérias residuais formadas na retina
as explosões nas distantes Terras
refletem em livros deixados nas prateleiras

ali onde a sombra desta árvore
destrava memórias em lufadas de ar
ao redor dos galhos
no encontro entre O Quintal e O Pátio
agarra se ao respirar da vida
entre um trago e outro
de aflição.

14 de julho de 2016

O suicida de ocasião
espera por uma tardia
decisão da mente humana
versus a matemática
- uma resolução -

A degradação do corpo causada
por jalecos brancos donos da ciência

Resistir na cidade em destroços
com o coração na boca
a faringe cheia de sangue coagulado
poeira & hemácias

Nós, destroços

Quando o momento de felicidade
são pequenas orgias de carinho a trêsseres

Nós, destroços

Restos pacificados
por um falso conceito de moralidade

A lucidez que a solidão vomita em cada copo
O reflexo do corpo a desandar pelos ares
nos espelhos dos andares
Ilusão.

12 de julho de 2016

, ,

#trecho

O suicida de ocasião
espera por uma tardia
decisão da mente humana
versus a matemática
- uma resolução -

A degradação do corpo causada
por jalecos brancos donos da ciência

Resistir na cidade em destroços
com o coração na boca
a faringe cheia de sangue coagulado
poeira & hemácias

Nós, destroços

Quando o momento de felicidade
são pequenas orgias de carinho à trêsseres

Nós, destroços

Restos pacificados
por um falso conceito de moralidade…