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15 de março de 2022

filtro

pensar penar perdurar perder
sem pestanejar
partir para partes
persistir

devastado

acordar oprimido enquanto
se masturba
na cozinha

afasta todas as ilusões 
resta apenas o fracasso

as duas manchas de sangue falso
escorrem pelo filtro de barro
não escondiam o mofo externo

como um torno aperta
vagaroso
o ar
dentro do peito

23 de fevereiro de 2021

,

poema sonho

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29 de agosto de 2020

o tempo força antecipadamente
frustrações.

como se a cada volta
dum metrônomo

,enquanto mãos alcançam o vazio,

seduz promessas do futuro.

no fim gargalha sarcasmo,
crava tapinhas nas costas
no passado.

ciclo fixo no espaço,
escape eterno pelos dedos

[isca
fomenta promessa afogada,
alcalina.
ecoando pr [a] lém
das bolhas espaciais.

assim,
ao sentir o carinho frio do ontem...
enquanto o desejo se forma para tornar-se outrora,
o tempo tique traquina troças

[por saber:
que só se alimenta o presente.

         




13 de julho de 2020

,

constante

constantes são sempre sonoras,
ecos perfazem décadas.

envelhecer é vento assovio,
desgasta lento as bordas
                       [nunca por completo.

vincos temporizados desde outrora,
desta genealogia alva.

19 de abril de 2019

traquejo

Vida incompreensível
                                   menos pela fisiologia
                                   mais pelo funcionamento


Não entendimento
                              procedimentos
                                                       padrões
                                                      desconexos
                              batimentos


                                                                         por vezes fogem ferramentas



fogem não,
são inexistentes



Descompasso nesta equação
variáveis nunca se encaixam
                                            colapsam
 

Sem luz
        horizonte
        chão


Sim lampejos,
       flashes
       há,                               querer não sentir
                                            vazio de passos
                                              desespero inacabado
                                                dolorida batida do miocárdio


Peito dói, respiração mascara
                                               a lástima


dentes dissolvem (uma vez mais)
pela pressão da mandíbula
despreparo do corpo diante da completa ausência de traquejo
à vida


4 de abril de 2019

Bateria

Enquanto as vidas resistem n’uma guerra de palavras
onde cadáveres são velados ainda vivos
andamos pelo trajeto dos antigos transportes públicos privatizados
fragmentos de pensamento
de salento
esquecimento

A miséria que faz algo vivo d’alma
enquanto um Monstro atira no teu ser a tela
de branquidão cartesiana covarde e não libertária
reflexo da auto imagem heteronormativa autoritária

Sombras que perfazem pernas em cimento
cantos verdes em ângulos
semi retos
semi secos
dos assimétricos sons d’um Garoto A
trombetas a subirem escadas rolantes
fantasiadas de fuligem, fantasiadas de vida, fantasiadas de mérito
fantasiadas

“it’s all along…it’s all along…”

Pilares que refletem cores dos extintores
tropeço no calçamento o corpo em inércia
rompe a garganta
enquanto flutuamos em aço, rancor & distopia
com olhos cravados na terra
da esperança no desabamento
órbitas focadas nas cores prediais do século dezenove

Todas as lágrimas não derrubadas na Luz
danças primais no asfalto
destroem o pedaço da suástica
dinamitar o ódio não subliminar
a combinar matizes de paredes com lavagem cerebral

Rápida, forte & evangélica
repetida aos escombros binários
ouvidos, aço e falanges desgastadas pelo modo fabril capital rolante
em vermelho sangue aos olhos fixados -e fechados- na direção do Pato

As esperanças perdidas ao trocar o cigarro filtro branco ao laranja
tanque posto sobre vozes dissonantes
decalque d’uma arma desenhada em dedos esferográficos
segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo
aos terminais ramos
do nosso cotidiano calcário

Não há tempo da desistência
mar recuou por mais de cem metros
a Onda virá violenta, certeira & sanguinária
envolta em programações, números sorteados por inteligência artificial
esmagando corpos e os colocando como bateria de carro

,

era pouco...

A vida patética
cede então o óleo
máquina engrenada de cartilagem
dores metatársicas
enquanto o inverno a enveredar-se está
adolescência de meia idade
morte aproxima-se
em ódio & cotidiano
entre uma pontada e outra
entre oc chilo morno
ao redor dos acessos d'raiva
                                               [PAUSA DRAMÁTICA

Deus confidenciou
A Morte virá como câncer
nem bela & certeira - flechada de dinamite
nem permanência corpórea máxima de quarenta e oito horas
nem posterior ao acordar encefálico
serenar essa agonia chamada vida

Não será assim...

Será horrendo
a soar em praça pública
Odes de Destruição Tecidual
chegará remanso
em pontadas na garganta
como as de hoje
tornará a faringe líquida
envolta pela cricoide
forçará me do ao resto da voz metálica
n'uma janela exposta
na traqueia

Descerá ao esôfago
abrirá a Terra em ácido
derreterá girassóis & piloro
enquanto restos intestinais nadam em suco gástrico

Ironia é renegar Deus tanto tempo
e ele mesmo -carne, osso & cinismo-
dar a notícia

Tomará os ossos
dissolverá as sobras
largará esquálido
rebotalho d'um antigo selfie
não será bonito
não será elevado
muito menos heroico

Disse Deus com todas as letras, que será podre!

Assim será permitida memória da vida

                                                             (enquanto dores privam o sono,
                                                              enquanto nem mais morfina terá utilidade
                                                              enquanto toda respiração será martírio)
o quanto de fétido és neste mundo
quanta escrotidão disseminada
quanta morte d'alma plantada
quanta asquerosidade espalhada

No mesmo tempo em que o rabo desprende-se na parede intestinal
pensará sobre o caminho de rancor deixado
sobre a estrada de decepções construídas por anos e anos

Enquanto os olhos dos pais enterram o filho mais velho
Pulmões empedrados de metástases
respiram as últimas insatisfações

Deus confidenciou tudo
aos olhos fechados sozinhos no sofá
cada pedaço sente o horror espalhado pela Terra
queimar
em toda mordida dos tumores...
... Deus ainda disse que era pouco...

Agora o teto ficou mais baixo
a solidão mais viva
o corpo mais dolorido
a garganta seca
ao mesmo tempo que as folhagens tilintam lá fora
se pensa depois de hoje, por todos os dias ao acordar:

- Será hoje o dia de minha Morte?

18 de agosto de 2017

,

Lixa

a vida sugar
até rachar os bicos
da vida
sugar
até o colostro eclodir
através das narinas
até o arrependimento parir
tornar-se plausível
possível & real
                                [nem que seja por segundos

Lamber as gotas
sangrar com(o)una lixa língua
lamber as gotas de sangue & leite

LiPidinar o peito exposto
toda felicidade do mundo
sentida

a ferida cicatrizar
coagular o ódio
a solidão conduzir
                              [sem deixar rastros

Pois de repente
irá ela embora
para trás deixará
lápide de odores
d'um Strawberry Fields Forever

1 de agosto de 2017

,

Semi Sec

cada janela
una tela

lá pelas tantas
muitas vozes
semtramas

n'outras
despedaçados dramas

n'umas frestas escondem
noutras assanha

um risco no coração de pedra
                                               (autor desconhecido...

curva à direita
de quem vai
um pega

àquela reta do Elevado
só se protegem
árvores & folhagens
semi-sec  [s]

              a

cada abraço
roupas estendidas
em quintais
de andares baixos

pós mormaço do domingo
semi fr -i- (reak) o

toda a palavra adjetiva
em cima desta cidade
dita cosmopolita
plana sobre Ilusão & Ironia!

Já que todas telas
não mentem
São Paulo é Máquina
de triturar gente.

15 de abril de 2017

o choque da cidade
                                 me remove

o toque
o toque da cidade
                                me assanha

a soma
a soma da cidade
                                me dissolve

a sina
a sina da cidade
                                me sequestra

o sono
o sono da cidade
                                me derruba

a morte
a morte da cidade
                                me assovia

a alma
a alma da cidade
                                me derrete


entranhas
as entranhas da cidade
                                         me fraturam

o peito
o peito da cidade
                                                          me arremessa longe


longe onde
a saliva das mãos secam
agarram [se] à terra
a salvar  [se] do golpe

22 de março de 2017

9 de março de 2017

13 de janeiro de 2017

A distância entre o casebre no beiral d’uma linha férrea
aos poucos consumido pela oxidação
& a sacada burguesa branca onde prendi a corda
de meu suicídio
era de trezentos e trinta quilômetros de coração asfáltico.

Um único último som a ser ouvido quando o crânio quebra se
é o florescer de alguns parcos restos humanos
vagando por grandes avenidas
aprisionados aos edifícios
enquanto são chicoteados por tremores de vida.

Todas lembranças – o cheiro do aço retorcendo os dentes
elásticos formam fossas tectônicas nos ossos temporais
existência alimentada por fios, enquanto a rejeição completa,
encubada nas veias repousa
por entre pensamentos sobre a Morte
                                            [na luz d’um abajur coruja.

Som poluente trina uma navalha na artéria central
O peito edemaciado por fumaça
O hematoma que exterminará reparos da mediocridade vendida como saída
O espírito humano esmagado por portas giratórias de falsos progressistas
O sangue que corroerá miríades extremistas ao som de gemidos clitorianos
                                       Lançados por catapultas.

Aos poucos a corda se fecha
labirinto de tosses em caixote de aço milimetricamente disposto aos noventa graus
vê-se o botão de pânico ao lado da porta
a sacada então abre se em escada rolante
escada de engrenagens por onde súditos desesperados em pensamentos
no reino de cartunescas figuras
destruíram máquinas de livros.

Febre de alucinações causada pelas feridas do Sol
lança órbitas acima do horizonte
lembrança do beijo na esquina, O começo,
rompida por dizeres bárbaros a invadir o encéfalo
no açoite do frio em dezembro
ordena que se erga os braços ao céu de cerejeira
urrando salvação pois Jesus está em cada nó.

Recordações do casebre se distorcem
na realidade da corda as perdas d’um Natal torcido
abafado
decomposto pelo álcool & cigarros
cambaleios d’um eterno bêbado do subconsciente
acordado pelo tapa tão forte no rosto
que faz voarem os óculos
dentes que rangem uísque
a Forca que pressiona o crânio esmagado por correntes de couro na gengiva
memórias paternais enquanto o nó amarra a faringe ao desfalecer final.

Revolucionários sonhos mantidos arredios
presos por moldes sombrios familiares
cadafalsos em fileiras atirando corpos em paralelo
dos coletivos.

Ao longo do infinito tempo o qual a Morte se aproxima
& o som abafado d’um adeus não mais se ouve
onde os cantos escuros da fachada agora parecem troncos de pinheiros
no centro oeste dos Estados Unidos
tudo que resta é explosão
tudo que resta da vida é estar pendurada n’uma argola
a cabeça silencia os murmúrios de precisa redenção
marretas de rostos a moer o cotidiano.

São quinze minutos passados das sete da noite
GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO
GRITE
GRITE ENTÃO GRITE ENTÃO
GRITEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
contudo se percebe apenas o dissolver da pele
no motor do Mercedes Benz que passa ao longe.

O corpo em pendular movimento afaga os sonhos
cefaleias de tensão há tempos conhecidas
saudades encapsuladas trancadas por todas as chaves certas
despertas pela frase que insiste em abordar o destino
retirar o esqueleto velho & desovar um novo
neste ritual libertário.

Desta Morte é preciso reter a calma resiliente
contrária da violência nascida no rebentar do hospitalar nascedouro.
Onde as últimas flores são depositadas na incubadora
& dores imensuráveis na dissolução do periósteo, que jamais poderia segurar os dentes
formam Costumes unindo se às Memórias.

É exatamente por isso que se deve caminhar...

Pois as próximas Gerações nos devastarão de todas as possíveis lembranças da Terra
Retomar a Vida que nos foi tomada em uma Revolução contra a Ordem Social
- de falso caminho único –
Donos do Tempo uma vez mais através da Errática dos A-História
Destruir os Vícios Órficos do amaldiçoado Desenvolvimento Messiânico.

Até que sobre apenas o mármore de tuas coxas
a esmagar minha língua
assim como Deus, ressuscitar no teu Útero
libertária asfixiofilia
após trezentos e trinta quilômetros de coração asfáltico.

15 de julho de 2016

, ,

Jabuticabeira

senta-se no interior do túmulo
à frente apenas uma jabuticabeira
sempre ela... a mesma árvore dum quintal inclinado
o tamanho? um Crocodilo do Nilo!
[àquele que não cabe na sala]

em éle a forma
do encontro entre Parede X Encosto
pequeno cadafalso sem jardim posterior

ali é onde apazigua-se a cinza do cigarro nos pulmões!
no alto a forquilha cravada ao tronco
a lembrar outrora galhos
hastes de equilíbrio
no quintal do avô, um quase desconhecido

ali onde se percebe tudo isso & O Mundo
perpendicular ao nariz
estirado na importância de
imagens misérias residuais formadas na retina
as explosões nas distantes Terras
refletem em livros deixados nas prateleiras

ali onde a sombra desta árvore
destrava memórias em lufadas de ar
ao redor dos galhos
no encontro entre O Quintal e O Pátio
agarra se ao respirar da vida
entre um trago e outro
de aflição.

14 de julho de 2016

O suicida de ocasião
espera por uma tardia
decisão da mente humana
versus a matemática
- uma resolução -

A degradação do corpo causada
por jalecos brancos donos da ciência

Resistir na cidade em destroços
com o coração na boca
a faringe cheia de sangue coagulado
poeira & hemácias

Nós, destroços

Quando o momento de felicidade
são pequenas orgias de carinho a trêsseres

Nós, destroços

Restos pacificados
por um falso conceito de moralidade

A lucidez que a solidão vomita em cada copo
O reflexo do corpo a desandar pelos ares
nos espelhos dos andares
Ilusão.

1 de julho de 2016

uma sensação de fechamento
nos tempos vividos
mora-se no mesmo lugar
onde se começou trabalhar no início
cria-se un perro igual
ao cão primeiro em sua vida
-ciclos cármicos-
pedaços de tijolo cósmico

rotações cervicais holisticas
colocadas como anteparo
do desespero

"quando notado o modus operandi em pombas
percebe-se nelas
ao avistarem grossa fatia
feita de comida qualquer
em reverso do tentar arremeter toda guloseima
ao possível ninho ou escoderijo
preferem desferir golpes no tramar alimentício
preferem remexer seus pescoços em hiperextensão
preferem destruir o todo
espalhando pedaços minúsculos quase insípidos pelo chão
então como sedentos corpos zumbis de mesmo movimento
comem os restos
junto ao pó
junto ao chão
junto ao lixo

um frenesi cego onde não existe a delizadeza do possuir
apenas um trombo seco de vaso morto
onde bicos se contentam com as sobras
a vida torna-se uma infecção
sanada por bactérias do estômago
recoberto por feridas
"

3 de junho de 2016

, ,

Morte aos Heróis

As incapacidades florescem
em cada vez onde o céu
[a] celera..
      cinza

As manhãs onde desabam pesadelos
ao meio do dia
ardem infinitos
   durante a tarde

Glóbulos atropelam a vida
minutos antes do abismo

... gentil útil vassalo
      engrenagem educada
tu és Maquinal
         maquinismo...

Então quão heróis
acima do assoalho
elevados são
do mesmo chão
que de caixão lhe serve

Pedestais & Sepulcros
determinismos não naturais
indeterminados existenciais
a construir melhores humanos
são cadafalsos morais
                                imorais

Perpetuar esta escravidão
nestas instituições máquinas
                       é A Morte
destruí-las
                       é Revolução.

12 de fevereiro de 2016

, ,

Corda

Deveria
ser lhe dito
que a esquizofrenia
não consola

Deveria
ser lhe dito
não distraia-se
que levantes apocalípticos
são bem vindos

Deveria
poderia
gostaria
{mas a covardia impediu}
o passo à frente
terrível exclusão consciente
de tudo aquilo nunca mais ausente

Reluzente plateia
dissonante da tristeza
uma nova roupa
aos mesmos atos violentos
àqueles que nunca descansam
àqueles que nunca desandam
àqueles que nunca ferem
                                               [aos poucos


Assim sendo
desígnios malditos das sobras
o corpo que padece de arremedos
desanda a sanidade que lhe sobra
explode algo inenarrável
o amor infinito que seria
única forma de mais valia
desse maldito mundo
em campos de extermínio de concreto
onde corpos se encontram
derretem-se em seus próprios restos de carne dilacerada
acolhem-se na perdição do nunca mais
esquecem-se das promessas da vida
morrem abraçados com sangue a tomar-lhes os orifícios
vazios esparsos em um quadrante de corda esquecida
no sótão
que aperta-lhe o pescoço enquanto
lhe quebra os ossos.

5 de fevereiro de 2016

De todos os vazios
 refletidos no pôr
  do sol

Dádiva é senti-los
 mesmo impossível
  sonhar dentro deles

Sonho oco de ser
 importante
  e morrer como um

A luta pela porta
 monolítica libertária
  como acerto

A ilha da vida
 movendo-se
  tectonicamente

, ,

Catapulta

O teu Amor
contra meu fracassado
ser humano,
- catapulta a explodir no peito -

O teu Amor
coloniza trôpego meu soro,
cheiro que transpassa o corpo

- Me estapeia até acordar
   os olhos.

"as certezas que se pensa coerentes
  exumadas no coração
  em chagas permanentes"