13 de outubro de 2014

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Lona preta

Embaixo da lona preta
ela vive
cavando castelos
erguendo muros
medindo medos mudos
nos meandros
de seus cabelos sujos

A solidão da voz
debatendo o cotidiano
surdo
consigo mesma
no calabouço da torre
em sua lona preta

Calvário cartesiano
a sujeira impregnada
na alma
raspa os restos
do cotidiano
disfarçado em álcool

Os sapatos furados
perfume de crack
abandono dissonante
tragédia por entre os muros
seguros & falsos
de elite

A lona preta seduz
a morte
contraponto perfeito
com cinquenta & quatro
por cento
de eleitores cegos

Masmorra por debaixo
da lona preta
dos Bandeirantes Assassinos.