Embaixo da lona preta
ela vive
cavando castelos
erguendo muros
medindo medos mudos
nos meandros
de seus cabelos sujos
A solidão da voz
debatendo o cotidiano
surdo
consigo mesma
no calabouço da torre
em sua lona preta
Calvário cartesiano
a sujeira
impregnada
na alma
raspa os restos
do cotidiano
disfarçado
em álcool
Os sapatos furados
perfume de crack
abandono
dissonante
tragédia
por entre os muros
seguros & falsos
de elite
A lona preta seduz
a morte
contraponto perfeito
com cinquenta & quatro
por cento
de eleitores cegos
Masmorra por debaixo
da lona preta
dos Bandeirantes Assassinos.