14 de fevereiro de 2015

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Réplica

existem pedaços que por mais lados se tente entender,
não se deixam levar por alguma empatia

em certos modos
pode ser um pensar diferente
não avista-se réplica de vida dentro do asfalto
o calor noturno queimando convicções a vida ceifada
guias desabam em nuvens de raios
enquanto o sangue clama mais concreto
nervos expostos no sorriso amargo são condições no preâmbulo

o golpe no crânio do motoqueiro burguês feudal
& seu chicote moralidade...gerânios mortos por estranhas sedes sexuais
pelas frestas desenham-se escapes cartesianos em cápsulas
ódio consumido como caloria retroalimentada por engrenagens titereiras

calçadas mutiladas tetraplégicas com seus pedaços de concreto soltos
espalham-se, determinam o quanto destruído seus arredores podem parecer
nenhuma delas no mesmo espaço...não coexistência assegurada
apenas o nada existe involuntariamente sem pedir permissão
em cemitérios criados pelo comércio d’água
cadáveres acorrentados como o 17 cantado por Jackson do Pandeiro

a terra que seca diariamente sem rastros, fantasias ou piedade
o asfalto absorve o suor enquanto as luzes sublimam-no
nem assim de braços abertos nessa roda reza estilizada ao palato nobre de audiências
como um suicida homem bomba repleto em feições adereços & sorrisos
as faces do governador / os vídeos da irmandade islâmica
os senhores de férias carnavalescas / autofotos ensandecidas
os incêndios acertos de contas no centro / tiros e urros esquinas

cogumelos de saburra nascidos organicamente em faringes secas
formando filas intermináveis de carros
hordas de zumbis controlados por pássaros...os jogos da binariedade & a vida
tão real quanto eles...

no alvo altar onde golpes deslizam em poças manjedouras
o sangue quente escorre em mãos de monstros
nascidos através da vida diária sempre nas sombras
esperando entrecantos móveis da alma em madrugadas de nicotina

dissolvida no ar...o boêmio ar seco resvala em últimas esperanças
o som do respirador surge gradual...anúncios da morte cerebral certa nascem
máquina desfribiladora mantém vivo o corpo que renasce na maldade
caminhar por entulhos as sobras trapezistas pensam em rezar

mesmo assim as folhas teimam em movimentar-se entre fáscias do vento
os mistérios daqueles quadris em plantão salvariam lázaros
estáticos esperando o pálido rei jogar-lhes ao fosso

o coma imaginário em choque por seu extermínio
ainda o sonho persistente surgindo em eclipses
sol a rasgar o acalento do cinza
enquanto a língua ainda tenta alcançar os últimos genes de orvalho.