existem pedaços que por mais lados se tente entender,
não se deixam levar por alguma empatia
em certos modos
pode ser um pensar diferente
não avista-se réplica de vida dentro do asfalto
o calor noturno queimando convicções a vida ceifada
guias desabam em nuvens de raios
enquanto o sangue clama mais concreto
nervos expostos no sorriso amargo são condições no preâmbulo
o golpe no crânio do motoqueiro burguês feudal
& seu chicote moralidade...gerânios mortos por estranhas sedes
sexuais
pelas frestas desenham-se escapes cartesianos em cápsulas
ódio consumido como caloria retroalimentada por engrenagens titereiras
calçadas mutiladas tetraplégicas com seus pedaços de concreto soltos
espalham-se, determinam o quanto destruído seus arredores podem parecer
nenhuma delas no mesmo espaço...não coexistência assegurada
apenas o nada existe involuntariamente sem pedir permissão
em cemitérios criados pelo comércio d’água
cadáveres acorrentados como o 17 cantado por Jackson do Pandeiro
a terra que seca diariamente sem rastros, fantasias ou piedade
o asfalto absorve o suor enquanto as luzes sublimam-no
nem assim de braços abertos nessa roda reza estilizada ao palato nobre
de audiências
como um suicida homem bomba repleto em feições adereços & sorrisos
as faces do governador / os vídeos
da irmandade islâmica
os senhores de férias carnavalescas
/ autofotos ensandecidas
os incêndios acertos de contas no
centro / tiros e urros esquinas
cogumelos de saburra nascidos
organicamente em faringes secas
formando filas intermináveis de
carros
hordas de zumbis controlados por
pássaros...os jogos da binariedade & a vida
tão real quanto eles...
no alvo altar onde golpes deslizam
em poças manjedouras
o sangue quente escorre em mãos de
monstros
nascidos através da vida diária
sempre nas sombras
esperando entrecantos móveis da
alma em madrugadas de nicotina
dissolvida no ar...o boêmio ar seco
resvala em últimas esperanças
o som do respirador surge gradual...anúncios
da morte cerebral certa nascem
máquina desfribiladora mantém vivo
o corpo que renasce na maldade
caminhar por entulhos as sobras
trapezistas pensam em rezar
mesmo assim as folhas teimam em
movimentar-se entre fáscias do vento
os mistérios daqueles quadris em
plantão salvariam lázaros
estáticos esperando o pálido rei
jogar-lhes ao fosso
o coma imaginário em choque por seu
extermínio
ainda o sonho persistente surgindo
em eclipses
sol a rasgar o acalento do cinza
enquanto a língua ainda tenta
alcançar os últimos genes de orvalho.