…se ideal fosse o mundo
sentiria minhas mãos em teu corpo
se ideal fosse o irreal mundo
os olhos de meu pai não seriam nascentes de ódio
se real fosse o mundo
caçaríamos cervos nos destroços da Ponte Estaiada…
Se o mundo fosse real além do irreal mundo…
nossas peles amalgamar-se-iam nuas no que restou do Elevado
se verdadeiro fosse o mundo real
São Paulo estaria destruída
e nós
livres e sem medo de morrer viveríamos…
plantas fagocitariam o desabitado prédio da FIESP
Em um mundo real
seríamos Valquíria & Assassino Serial Por Encomenda
pintaríamos runas nos muros demolidos ao redor do Arouche
domaríamos matilhas de lobos selvagens e demônios erotizados
abriríamos as tripas hermeticamente fechadas de cadáveres na Major Sertório
completamente em ruínas…
teríamos armas feitas de pedra polida & aço fundido
nossos corpos aqueceríamos húmidos e hexaustos de hejaculação
em peles de pardos ursos na mata do Ibirapuera
em um mundo real…
Haveriam apenas resquícios de seres humanos pendurados em árvores
enforcados pelo suicídio coletivo das últimas décadas
onde a Terra engoliu seus filhos e pariu Belzebus
o Apocalipse seria regado pela saliva de teus infinitos lábios
em mim…
Em um mundo existente
seus gemidos ecoariam através das rachaduras que dividiram o Copan ao meio
enquanto dentro de você me detenho ritmicamente
seríamos névoa
ao redor do altar Mata Atlântica
nas fortalezas verdes no Parque Vila Lobos…
Em teus olhos comunhão…
Mãos segurar-se-ão por toda a poeira cósmica
ácidas chuvas de um Janeiro sem noites
nós entrelaçaríamos almas ao pôr do Sol
liberto de poluentes
Enquanto a rachadura da Lua criará marés esquizofrênicas
ondas a varrer os corpos dos mortos corporativos.