18 de março de 2014

Onze horas antes pensava-se
apenas, pensava-se
na espera,
não se tinha noção,
do montante de tempo,
na amargura e
no sofrimento,
não existia nada,
nunca houve nada,
apenas a espera.

Quando se sai,
se volta e vai,
estoicos tempos de
eterno retorno.

A espera é mórbida,
os segundos,
sujos que já não voltam,
o dia escorre,
a morte assombra.

O sol se foi como desconhecido,
a noite como se
anônima fosse,
o fim do tempo desaparece,
as salas são unicolores,
os sorrisos -
de desespero plástico são.

Espera-se mais da paciência,
o fim espirra ao seu lado,
senta-se na calçada,
lhe dá a mão.

Os minutos não mais relativos,
apenas afeterés cartesianos,
daquilo  que não foi vivido,
apenas o choro, a dor e o desespero.