14 de março de 2014

Para quem tanta pressa?
Se quando desperta,
não sabe onde vai.

Para quem tanta pressa?
Se nesta floresta,
o concreto se esvai.

Nas veias,
artérias,
no meio fio
onde me deito.

O ódio que não se transforma
mais em raiva,
apenas regurgitado internamente
fica, como pó do dia
seguinte.

O gim colado
em seu lobo
contemporiza máculas, então
a lucidez não existe,
não importa.

O grito oco persiste,
as convicções esvaem-se,
aspirador passado,
cigarro fumado,
vodka seca em textos
mergulhados.

Confins do avesso oco,
martírio em respirar, passagens
inóspitas,
do Universo galopando
nos restos da sarjeta.

Polinice que se cala,
ao fim do dia,
onde as cinzas de parentes, nada
mais são,
nem ao menos uma lembrança,
nada mais são do que os restos
de um cidade,
mórbida, morta e
sem cura.

O seco som do inverso, a[teia]
intrínseca do desespero.

Leve exibicionismo da dor,
por entre as paredes
que refletem hélices,
balões de hélio, esfinges e seus
milhares de andares,
transportam restos de corpos,
elevam-se mínimos,
aflitos,
atingidos por raios,
no meio do calçamento azulado.

Plantam restos de pulmões
deixados para trás na vida plena.

O único pelo,
nascido incauto no saco
inelástico,
a gravidade,
que esmurra suas sobras
abaixo do trópico no meio fio,
o azedume da poluição,
a invadir suas narinas,
alabastro de cocaína eterna,
as doses inexatas do apagar das luzes,
homeopaticamente,
como a holística e seu enorme pau,
a te foder incessantemente rabo adentro.

Os braços marcados de morte,
a falha na aposta do existir,
insensatez de uma ilusória vontade
em persistir, [a única malha,
uma única manta de sabedoria, ainda
reside dentro do sujo vidro
arredondado,
onde se deposita a alma,
a cada tragada embebida
em uísque falsificado,
vendido em plástico.