22 de dezembro de 2014

Estreio essa caderneta como quem nasce uma nova vida
demorei a compra-la usá-la-ei de maneira astuta
cada canto em branco recobrirei com tinta
mesmo que indeciso esteja sobre usar grafite ou caneta
ainda.

Sentado por entre os raios solares
castigavam minhas têmporas como anedotas
no banco estreito calado descendo o asfalto
trêmula engrenagem pública
transporta pela Consolação Bela Cintra
– Avenida São João & Barra Funda.

Enquanto sinto os olhares das pombas comendo amêndoas
nas arestas do concreto
seus olhares em minhas frestas da face
canaletas de óleo & suor
ao mesmo tempo nuvens de dezembro continuam caindo sobre mim
como previu a alma coletiva.

Os sinais dos hotéis e suas entradas na rua Albuquerque Lins,
salva guardam as aglomerações de solidão
nas escadas rolantes
panturrilhas navalhas em escondidas línguas.

E assim nasceu então o silêncio
de início meio e fim vazios [e ao término deste]
outro como por mitose rebentou
parindo no peito dessa vez não o vazio
mas o queimar a carne viva
pulsante em cento & vinte cinco batimentos.

Dois estranhos no trem sentados
SILÊNCIO [aquele nascido no verso anterior]
o outro olha pelo canto do olho
o um que pelo canto do olho olha o outro
separam-se em oposições na estação.

O sonho neo liberal
um cappuccino tall
símbolo de tão oco sentimento
tal qual a morte lenta em dois mil e catorze

O malandro morador das esquinas
pede o lançamento da figura na camiseta
e pelo conselho são dois reais em moedas
apenas moedas e não notas
para que possa continuar seu cutting à caneta.