19 de dezembro de 2014

um dia li
que é preciso emprestar seu isqueiro
sem encarar o interlocutor
pois de mau tom
é encarar quem lhe pede algo

um dia li que tudo daria certo
se a crença fosse assim
mantida intacta
estupro mental consensual
mentes mentem em castas
separadas por intelectos pré julgados

cola unindo duas pernas do óculos
caindo sempre pela fúrcula nasal oleosa & suada
a solidão mais dolorida é a solidão que se vive só
a solidão mais linda é a solidão que se vive só

o coração da besta de concreto
arrebatou meus pelos
minha língua
meu sexo morto
rebentou minha placenta de imbecilidade
dentro de uma rede social incubadora de babuínos

ela me chama
clama minha morte por entre os dias
torna-me mais liberto da moralidade cancerosa
os tentáculos da intelectualidade eugenista

as ruas imundas em pedregulhos
pernas cambaleantes
os sonetos em cimento
a cura das porções lácteas formando paranoias
tedioso entre meio da tarde

desatentos ao divino dividir utopias
que é apenas o porém
pois
o amor faz morada
em opiniões contrárias

assim talvez
se transmute o último
monólito negro do pós modernismo
como enfim o humano ser conseguirá
esturrar seu maior estulto erro
o não lidar com os vazios de sua alma.