Pensando hoje que
era ontem e o amanhã
anteontem
o pesadelo - uma janela com vitrôs
opacos
a melancolia que existe em frias noites
cinzas
recoberta de velhos velhos
luzes
fogos gritos filas
dentro de um dia que não existe
[nada para comemorar]
bucolismo pós moderno – apocalipse
as gramíneas de cimento húmidas
do orvalho tóxico
cozem através do sol a poluição queimando a
Terra
vampiros caucasianos derretem em borracha
concreto quente & falsa imortalidade poderosa
emoldurados em caixões metálicos
com hastes amarelas – tela opiácea + hipnótica
babuínos a mover engrenagens que não se movimentam
processados como a comida que nos desce apenas
envolvida em líquidos, e, mesmo assim
torna-se lâmina / dilacera gargantas
o som dos passos contados transmitem a história
desde orais tempos
o mundo como Ouroboros do avesso
seres que germinaram a paranoia dissolvida
em todos os meridianos
elevada em sacrifício de salvação à
alma,
e, por mais simpatia que exista na elite
o único e verdadeiro humanismo
reside na miséria das mesmas sensações
cartesianas
abraçadas aos mesmos mistérios
a vida nascida em doze badaladas
milagre do cinismo divino
o nascer do sol no horizonte de cimento
reflete sempre a mesma questão sem
resposta;
- Até quando não saber o porquê
de suportar tudo isso?
calado...