19 de janeiro de 2015

O sobrenome,
não o nome
nem o terceiro nome,
muito menos o apelido
o sobrenome...
de uma das mais famosas amantes de Jesus Cristo era seu também,

crespos cabelos
demônio de olhos azulados sombreados pelo verde do inferno
– havia algo demoníaco naqueles olhos –
nítida impressão
de um círculo infernal torneado por longas pernas - pelos secos como carapaça
pés,
seus pés eram duas pás setas em uma só direção
pareciam tambores
cordas das leis físicas da inércia

nos primeiros passos havia apenas dor
humilhação
dor dor dor dor dor dor dor & dor
e mais dor
a ponta do tênis enterrada nas entranhas
pregas repetindo frases à exaustão
enquanto se espera o ensurdecedor ruído do desaparecer
enfim nem sei ao certo se assim são as crianças
MALDITAS
os socos na órbita
o futuro no deslocamento da retina direita
os gritos dos meninos saindo do fundo de suas uretras
urros colegiais tabaco sépia anedotas pelas escadas

minhas inabilidades sociais são como um domingo de sol manso
são remansos ácidos onde procriam-se monstros – árvores mortas
lendas psicóticas como qualquer afago maternal
é como uma chaleira a gritar amargura pela manhã
enquanto acorda-me do transe narrativo regurgitado numa alvorada
tinteiro morto da alma
assim a vida acontece em rotação de pessoas
incessantes suicidas involuntárias...