15 de maio de 2015

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A Casa


Madeira
vertical leito em desalinho
cores sempre pareciam húmidas
havia um banco de concreto...
Apenas o cimento pela metade
como ruína;

Longarinas iluminadas pela metade
destroços da escravidão genética obrigatória;
Árvores no quintal
brejeiras inúmeras fechadas ao Sol
o eterno cinza da Terra...

Não viveram frutos
muito menos luz
pulsavam apenas sombras na ausência completa do alumiar
matadouro fúngico

Silêncio Natimorto & Portão de Tábuas
silêncio da inanição social
o contato com o mundo aos conta gotas
cercado por daninhas das cercas invisíveis


Calabouços apenas mostrados em carne viva
involuntária
os muros as mãos semimortas
o corpo que cresceu inerte
por entre os tornados da Casa

“I’LL EAT YOU ALIVEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE...”

Do nascimento ao enterro
nela onde tudo começou – A CASA
lugar onde a insanidade escondia-se
ao fundo da garrafa de conhaque...

Onde os Sóis em espasmos
iluminavam arestas do concreto
no chão
goteiras tentaram varrer com água
os corpos dormentes sem consciência
as mentiras que viriam jamais eram ouvidas através da chuva
todas as plantas em desalinho
o som rarefeito
uma porta em desmanche d’alma deságua sem trancas

Espaços de chão vermelho cera dentro da sala
televisão... A poltrona cloral ao lado esquerdo
a luminária sempre na lateralidade
longo pedestal & abóboda de cogumelo
A quadrilátera janela saída dos olhos vendados da casa
dupla porta em sépia chave
samambaias arbustos em cor marrom
a claridade que insistia em roubar pedaços da morte
que por sua vez jamais arredou os pés

Respingos nas soleiras como represas impedindo o refluxo esofágico
dor infinita os cintos e arreios escondidos
suas fitas de adorno & seu fictício cão

A felicidade... Uma mentira elaborada
tempo moderno em seus estertores
alicerces flácidos de uma nova era liberal
que chegaria como tudo muito mais tarde, nem por isso menos dolorosa
na CASA feia em restos de árvores húmidas

Ela que nunca abateu-se
nem quando submersa em álcool & destroços d’água
nuca derramou sequer lágrima
quando os corpos desabaram
“BIG FISH EAT THE LITTLE ONES”

Dinossauros comandam a Terra
contemplando cadáveres de seus alimentos
A CASA apenas era o funeral dos restos humanos
nem ainda nascidos na dor residente
 MALDITA.... A MALDITA CASA

Fantasia Apocalíptica da Família
o desespero das algemas
atadas à alma...