31 de julho de 2015

Da tormenta então era eu meretriz
ódio do eu que não me quis
tuas lamúrias incessantes
cederam meu ser

A pedra que abrasa minha pele
o soco em minha garganta
tua mão aproxima-se
do meu morrer

São todas marcas das amarras
todas as lágrimas são tuas estacas
derramadas em um vazio
no meu ceder

Da minha loucura fizeram-se asas
áridas como toda tua haste
rasgando meu sexo trôpego
violentando mais meu sofrer

O choro aos estranhos ouvidos
receptores de minha neurose
marejam indiretas órbitas
enquanto escorre minha psique

São braços a não me olharem
que acolhem meus restos
almas que não me sentem
envolvem meu mortuário não nascer

Enquanto por entre os dias suplico
tua lenta dissolução
em podres átomos a romper.