20 de janeiro de 2015

, ,

Latinidade

eu que me sinto doente
por saber
que teu sofrer
nasce dentro do meu peito

se ando de baixa
numa coleira entracionada
é pois minha raiva
a têmpora corrói

não é questão de forçar o verso
pois estes nascem já rentes
ao meio de suas pernas
dodecassílabas

são enxertos de flores
decibéis débeis
o som se esvai ao nascer
morre grito desespero

latitude da latinidade minha
o amálgama
de todas as fantasias
dentro de mim

minha latinidade
depende
de tuas mãos
teus ombros contos
tua língua vinda
de teus dentes
do que sentes tua boca
tua vagina

minha latinidade
depende de teus seios saliva
de ti